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Alterou a verdade dos fatos

Multa por litigância de má-fé pode ser aplicada de ofício pelo juiz

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Não se pode falar em impossibilidade de condenação ao pagamento de multa por litigância de má-fé sem que tenha havido pedido da parte contrária, uma vez que o artigo 81 do Código de Processo Civil autoriza que o magistrado, de ofício, aplique a penalidade.

Cliente de banco foi condenada pelo TJ-SP a pagar multa de litigância de má-fé

Assim entendeu a 11ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo ao condenar uma cliente de um banco ao pagamento de multa por litigância de má-fé, correspondente a 1% do valor da causa. Ela entrou na Justiça alegando a inexistência de um débito de R$ 291,57.

O banco afirmou que a dívida tinha origem no inadimplemento de contrato de cartão de crédito. A autora não impugnou sua assinatura no documento apresentado pela instituição financeira, o que levou o juízo de origem a julgar a ação improcedente. Ela recorreu ao TJ-SP, mas a sentença foi mantida.

“A autora sequer impugnou a assinatura aposta na proposta de adesão ao cartão de crédito, tampouco impugnou de forma específica as faturas apresentadas pelo réu. Realmente, a requerente se limitou a sustentar, de forma genérica, que a documentação apresentada pelo requerido foi produzida unilateralmente e não é capaz de comprovar a existência da dívida”, disse o relator, desembargador Renato Rangel Desinano.

O relator afirmou que, se a autora não impugna a assinatura ao contrato, era seu ônus, no mínimo, esclarecer se utilizou o cartão e quais pagamentos efetivamente realizou. “Todavia, não o fez, limitando sua insurgência genérica a aspectos formais da documentação apresentada pelo réu”, completou.

Para Desinano, não houve ato ilícito praticado pelo banco e, portanto, não há que se falar em declaração de inexistência de débito, tampouco em condenação ao pagamento de indenização por dano morais. Ele também rejeitou o pedido da autora para afastar a multa por litigância de má-fé.

“A autora afirmou na petição inicial que “sequer firmou com a ré obrigação com tais características” e que não possui relação jurídica com o réu. No entanto, a documentação apresentada pelo requerido demonstrou a existência do vínculo contratual entre as partes. Assim, é inequívoca a alteração da verdade dos fatos pela autora, o que configura litigância de má-fé”, disse.

1014846-90.2019.8.26.0405

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 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 19 de março de 2020, 7h14

Comentários de leitores

3 comentários

Discricionariedade prevalece

magnaldo (Advogado Autônomo)

Em ação contra empresa de construção civil no TJPB, embora plenamente caracterizada a má fé da ré, não foi aplicada a multa devida, o que deixou a parte perplexa. Realmente, não é peninha não mas a discricionariedade com que é tratado o tema leva o Magistrado a agir como bem entende.

O IDEÓLOGO (Outros)

Carlos (Advogado Sócio de Escritório)

O IDEÓLOGO (Outros)

Sinto em lhe dizer, os magistrados dificilmente aplicam multa por litigância de má-fé. Geralmente aplicam qdo não é o caso.

Assim, não é esta Decisão que irá mudar o modo de agir dos magistrados. Os magistrados, em regra, estão se lixando para quem fica protelando ou litigando de má-fé. Esta, infelizmente, é a pura verdade.

Magistrados, não sei pq, ficam com pena, por ex., daquela parte ré que não paga e não indica bens a penhora COMO MANDA a Lei, sob pena de multa. Não conheço UM magistrado que já aplicou esta multa que, salvo engano, é de até 20%.

TJSP

O IDEÓLOGO (Cartorário)

A má-fé, a perfídia, a patranha, o engodo, o dolo a culpa andam nos processos, e ninguém faz nada.
A decisão do eminente TJSP resgata a civilidade jurídica.

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