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Direitos ou calamidade

Corte de jornada e salários proposto pelo governo divide advogados

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Comentários de leitores

10 comentários

Situação excepcional

Afonso de Souza (Outros)

É uma situação de calamidade pública. Melhor (menos pior) cortar salários do que demitir ou fechar de vez as empresas menos capitalizadas (ou mais impactadas pela redução violenta da demanda).

Medidas que funcionam, não qualquer coisa

Prof. Everton S. T. Rosa, Dr. (Economista)

Prezado, cortar salários, jornada (e por tabela, produção) é a pior coisa que pode ser feita para combater uma crise. Essa ação só reduz renda das famílias e faturamento das empresas. O governo deveria entrar garantindo o faturamento das empresas para preservar renda e emprego. Se permitirmo esse corte, cortamos a economia à metade, sendo otimista. O mundo lá fora está buscando o contrário: transferências de renda para as famílias, pagamento de porcentagens dos salários pelo Estado e auxílio a empresários de todos os tamanhos.

sacrifícios devem ser de todos.

Marcilio Gomes de Oliveira (Cartorário)

Sou assalariado. Será que meus credores colaborarão com essas medidas? Pois, se não, eu é que entrarei em insolvência só com metade do meu salário pra pagar a totalidade de meus débitos. A solução é muito difícil!

Respondendo

Afonso de Souza (Outros)

O mundo real, aquele dos casos concretos, é bem mais difícil do que supões certas divagações econômicas. Não é todo empresário (que também tem credores) que pode arcar com a folha integral numa situação dessas.

Que pais é este?

alvarojobal (Advogado Autônomo - Civil)

https://cincodias.elpais.com/cincodias/2020/03/18/economia/1584533147_867966.html#?sma=newsletter_cincodias_diaria_tarde20200318m
Expedientes de regulación de empleo temporal (ERTE) de carácter exprés.
Un Expediente de Regulación Temporal de Empleo o ERTE es un tipo de ERE al que pueden acogerse aquellas empresas que cumpliendo los requisitos legales para hacerlo quieran, con carácter temporal, reducir la jornada laboral o suspender contratos de trabajo de toda o parte de su plantilla de trabajadores con el fin de salvaguardar la viabilidad de la empresa.

Absurdo social.

Arthur M. Cavalcanti de Albuquerque (Advogado Autônomo - Tributária)

Analiso ambos os lados - contra e a favor do corte de jornada e salários - e não consigo encontrar uma justificativa para tal absurdo que é esse corte. Somos um país historicamente desigual, basta analisar a história, portanto, qualquer atitude drástica aos menos favorecidos - trabalhadores -, causa um enorme estrago econômico e social. É mais claro que a luz do sol que o corte é compreensivo e isso justifica no sentido de que, tendo o empresário menos gastos, haverá menos demissões. Todavia, os gastos mensais não irão diminuir, muito pelo contrário, o que vemos é uma elevação nos preços de muitos produtos básicos e isso causaria um crescente número de negativados com o passar do tempo. Enxergo de longe que a melhor solução é o corte, porém da classe política. Enquanto em alguns países da Europa os políticos são tratados realmente como funcionários do povo, em nossa país a Carta Magna não é cumprida nesse sentido. Na prática, os políticos que aproveitam o grande suporte que têm para lubridiar o povo, colocando falsas ações, propagandas e discursos, nós brigamos em redes sociais, onde não haverá mudança alguma. Temos que debater, mas enxergo o problema central na política brasileira, onde privilégios infinitos são oferecidos, enquanto a base da pirâmide é afetada e na crise, é a primeira a ser lembrada para cortes. Que o corte seja nos infinitos benefícios da classe política, nos altos salários e comissões de funcionários fantasmas, nas propinas. Defender o corte de jornada e salários dos pobres é um desastre e um atraso social gigantesco, e isso na minha opinião, é tão claro como a luz do sol que nos ilumina diariamente.

Tirar de quem tem

Adir Campos (Advogado Autônomo - Administrativa)

1. Um país como o Brasil, que ostenta a vergonhosa condição de um dos países com a mais elevada concentração de renda do mundo, jamais deveria propor mexer nos salários para debelar o desemprego e recessão, mas, sim, alterar a forma com que a renda é concentrada mais no setor financeiro do que no setor produtivo, tirando mais de quem tem mais (como os bancos), e nada de quem já não tem quase nada.
2. Não paro de me perguntar: como é possível que as classes assalariadas e prejudicadas por esse sistema perverso que favorece o rentismo, e intensificado pelos diversos governos de direita ao longo do século XX - notadamente o regime militar - tenham colocado para comandar o Estado brasileiro o senhor Jair Messias Bolsonaro, trapalhão e demagogo que desde a campanha se cercou precisamente das classes abastadas que não querem mover uma palha na concentração de renda?

Tirar de quem tem?

Boris Antonio Baitala (Advogado Autônomo - Civil)

O PT ficou 16 anos no poder e nunca fez um plano para favorecer os assalariados. Ao contrário, liberou geral para os bancos, onde o STF petista decidiu que as instituições financeiras são livres para contratar taxas de juros. Nunca se viu tamanho absurdo em outros governos. Portanto, reveja os seus apontamentos.

Comentário

Afonso de Souza (Outros)

A taxa de juros nunca esteve tão baixa, assim como a inflação. Ou seja, dois fatores que antes concentravam renda (inclusive durante os governos petistas) agora estão mitigados ao mínimo.

Não é curioso, Dr. Boris?

Adir Campos (Advogado Autônomo - Administrativa)

Dr. Boris, e mesmo assim, ou seja, mesmo ganhando mais dinheiro com os governos de esquerda do que nos governos de direito, a totalidade dos banqueiros, e a quase totalidade das demais classes abastadas jamais votaram no PT. Curioso, não?

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