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Velozes e furiosos

STF mantém suspensão imediata da CNH ao dirigir acima de 50% do limite da via

Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou constitucional trecho do Código de Trânsito Brasileiro que prevê a suspensão imediata do direito de dirigir e a apreensão do documento de habilitação do motorista flagrado em velocidade superior em mais de 50% da máxima permitida para a via. A decisão se deu no julgamento, em sessão virtual, de ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

Dicky Vigarista, do desenho "Corrida Maluca"
Hanna Barbera/Reprodução

As medidas foram incluídas no artigo 218, inciso III, do CTB pela Lei 11.334/2006. O relator, ministro Marco Aurélio, votou pela procedência da ação, com o entendimento de que a modificação contraria o direito ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo. A seu ver, a flagrância, por si só, não autoriza a antecipação da pena administrativa, e a retenção arbitrária do documento de habilitação não é legítima enquanto não for analisada a consistência do auto de infração.

Gravíssimo risco
Prevaleceu, no entanto, o voto do ministro Edson Fachin de que as medidas têm evidente natureza acautelatória. Tratam-se, a seu ver, de providências administrativas que visam assegurar a eficiência da fiscalização de trânsito em casos de flagrante de prática de ato classificado como de gravíssimo risco para a segurança pública. "Não se trata de aplicação sumária de penas administrativas, portanto. Não verifico, assim, violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa", disse.

Para o ministro Alexandre de Moraes, a metodologia empregada pela norma, que adia o contraditório nessa hipótese excepcionalíssima, está amparada no dever de proteção à vida da coletividade, para o qual a segurança no trânsito se coloca como umas das questões de maior importância, pois o excesso de velocidade é uma das maiores causas de acidentes.

Para ele, o CTB é uma bem-sucedida política pública, que tende a diminuir um grave problema das rodovias brasileiras. "Diante da gravidade da conduta, afigura-se razoável que a atuação preventiva/cautelar do Estado não seja dependente da instauração de um contraditório prévio, na medida em que, além do direito do infrator ao devido processo legal, também se coloca em jogo a vida e a saúde de toda a coletividade", salientou.

Por maioria, o Plenário declarou a constitucionalidade das expressões "imediata" e "apreensão do documento de habilitação", presentes no artigo 218, inciso III, do CTB. Com informações da assessoria de imprensa do STF.

ADI 3.951




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Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2020, 20h18

Comentários de leitores

1 comentário

Nada é tão ruim que não possa piorar!

GAFD (Advogado Autônomo - Administrativa)

O STF está se superando a cada dia! Desta vez, resolveu transformar algo que já era ilegal em constitucional. Explico: Em 2016, ao tratar do dispositivo objeto da ADI 3.951 - art. 218, III, do CTB, com redação dada pela Lei n. 11.334/2006 -, não deixei de dizer que a referida Lei é tecnicamente imperfeita, notadamente por ter estabelecido como penalidade a suspensão imediata do direito de dirigir e a apreensão do documento de habilitação, em total conflito com o que dispõe o próprio CTB. O legislador foi de uma imprecisão imperdoável. Primeiro: deixou de observar o art. 265, que trata do devido processo administrativo; segundo: estabeleceu como penalidade a “apreensão do documento de habilitação”, algo inexistente no art. 256, que trata das penalidades; e, terceiro: deixou de mencionar, como deveria, a medida administrativa de “recolhimento do documento de habilitação”, prevista no art. 269, do mesmo diploma legal (Manual Faria de Trânsito, 2016, 16ª edição, Q-256.1, p. 448). Portanto, como se vê. Nada é tão ruim que não possa piorar!

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