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Comentários de leitores

4 comentários

Dúvidas

Eduardo Lyra (Bancário)

Se bem entendi, o autor defende que tais cartas não "possam ser" consideradas como provas. Um descarte prévio de um elemento, não por seu conteúdo, mas por sua forma.
O autor, com boa "oratória", sustenta que ao julgador não deveria caber a responsabilidade de considerar plausível e prestável um elemento para que esse possa ser utilizado como prova.
Fiquei ao menos com duas dúvidas:
1 - do ponto de vista do autor e das duas articulistas citadas, algo não é científico se não pode ser contestado com base científica? Tais cartas configurariam uma prova pseudocientífica por não ser possível uma validação científica? Mas qual a base para essa conclusão? A averiguação de fatos, com o recolhimento de elementos comprobatórios, não consistiria numa validação científica equiparável a um depoimento? E se, considerando a possibilidade de morte (com ou sem homicídio), o morto deixa uma carta narrando fatos e ocorrências, tal carta deveria ser desqualificada, a despeito de exame grafotécnico, análise laboratorial dos elementos e da própria verificação de tais fatos e ocorrências?
2 - O autor busca validar a questão que defende citando a eventualidade de que uma outra carta possa ser utilizada para o contraditório. Ora, considerando minhas dúvidas anteriores (1), por que isso não deveria ser aceito, seguindo-se os mesmos critérios de avaliação? Resta evidente que o argumento de Aristóteles é correto. Contudo, duas possíveis e contrárias provas similares devem ser descartadas porque são similares? Isso também valeria para testemunhas? Bastaria apresentar uma testemunha que afirme que viu o acusado em outro lugar para que outra testemunha com depoimento em contrário seja descartada? E se forem vídeos contraditórios, não serão periciados, mas sim, descartados?

Dr. Jacinto Miranda Coutinho

Rejane G. Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

Tenho grande admiração pelo senhor e o seu artigo, como de costume, talhado pela seriedade, merecia um aparte igualmente fundamentado. E tenho elementos de fato e de direito para contraditar alguns tópicos levantados pelo senhor. No entanto, na minha singela opinião, há algo sombrio ou, digamos obscuro, nesse debate sobre "provas científicas", "argumentos pseudocientíficos" que se vem formando e fortalecendo em meio a pandemia Covid-19 e alastrando para outros ramos do Direito. A minha impressão impessoal é que se trata só da "ponta do iceberg" e não vou "entregar o ouro ao bandido". Rogo que o senhor reflita sobre esse meu comentário. Minhas homenagens ao seu saber jurídico.

O que é científico?

Holonomia (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

A grande questão é o conteúdo da Ciência.
Como bem afirmado por "Tales. (Defensor Público Estadual)" em comentário ao artigo anterior "1. A refutação da psicografia frente ao paradigma cientifico atual (newtoniano-cartesiano), e o seu pressuposto metodológico empírico, é válido."
Sem aprofundar o fato histórico no sentido de que a base científica das teorias de Descartes e Newton é a existência de Deus, o fato mais notável da filosofia da ciência (principalmente nas chamadas ciências humanas) é não compreender que o paradigma newtoniano-cartesiano é estruturalmente incompatível com a relatividade e a física quântica.
Assim, temos duas opções científicas: 1) o materialismo puro, caso em que, como Nietzsche reconhece, é necessário refundar toda a ciência, desde os seus pressupostos platônicos, também fundados em Deus (o Bom), incluído o direito, a partir do nada (matéria=atómo= átomo não existe=nada), e com base nessa refundação epistemológica refutar a psicografia; 2) Avançar o conhecimento rumo à espiritualidade, afinal a realidade é não-local e não-temporal, o que, tese, permite a comunicação com o passado, e com o além, e investigar seriamente a realidade psicográfica.
Os dois artigos não adotam a opção 1, pode-se dizer por alienação dos autores em relação à realidade científica na qual vivem, sofrendo do principal mal do século XX, uma profunda e inconsciente ignorância filosófica, o desconhecimento do verdeiro amor ao saber.
Retirado o fundamento do artigo, passando ele a flutuar no niilismo linguístico epistemológico, nada mais resta a dizer.
www.holonomia.com

Excelente

O IDEÓLOGO (Cartorário)

Excelente resposta.
O Holonomia (Juiz Estadual de 1ª. Instância) deveria atuar como um dos colunistas da CONJUR.

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