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Credibilidade das eleições

Software que promete integridade da votação é testado nos EUA

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Na eleição primária para o Tribunal Superior de Wisconsin, a Microsoft estreou um software que promete proteger a integridade das eleições um atributo bastante desacreditado nos EUA, depois das eleições de 2016 e de 2018. Trata-se do ElecionGuard, que começou a ser usado na última terça-feira (18/2).

Urna eletrônica brasileira: sistema nacional é um dos únicos do mundo. Integridade das eleições em outros países, como EUA, ainda é bastante questionada
Reprodução

Além da Microsoft, outras empresas de tecnologia, como a Google, viram nos problemas das últimas eleições uma oportunidade para desenvolver soluções que possam restaurar a credibilidade do processo eleitoral.

O ElectionGuard não impede o hacking das máquinas de votação, o que, até hoje, parece ser impossível. Mas o detecta e produz um alerta de que os votos precisam ser contados manualmente. Enfim, impede que o resultado final das eleições seja alterado.

O ElectionGuard é um software de fonte aberta, de forma que pode ser adaptado para qualquer máquina de votação. Ele criou um sistema em que o eleitor vota em uma urna eletrônica e imprime duas cópias de seus votos.

Uma das cópias serve para o eleitor conferir seus votos e, em seguida, depositá-lo em uma urna convencional, para ser contado. A outra cópia é do eleitor é uma espécie de recibo. Ela vem com um "código QR" (um código de barras quadrado), que permite ao eleitor checar, em um portal da Web, depois de fechada a votação, se seus votos foram ou não alterados por um hacker e se foram devidamente contados.

Voto secreto?
O ElectionGuard funciona em um processo conhecido como "criptografia homomórfica". O sistema mantém o voto secreto, ao converter os votos do eleitor em linhas aleatórias de código, até que sejam descriptografados. A linguagem inarticulada, mas estruturada, permite que os votos sejam computados sem descriptografá-los. Assim, os votos continuam secretos, como devem ser.

A combinação do "rastreador" com um "verificador", que possibilita a qualquer um verificar se os votos registrados foram computados corretamente, habilita a "confirmação ponta a ponta", segundo a Microsoft, da correção dos resultados finais das eleições.

Mas, não se pode dizer que esse é um sistema definitivo de votação eletrônica. A contagem manual dos votos se mantém como sistema principal para proclamação dos resultados finais das eleições. Depois disso, os votos criptografados são coletados como um arquivo de extensão "zip", que qualquer um pode baixar e usar para verificar os votos.




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 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 22 de fevereiro de 2020, 13h15

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