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Rio tem um dos piores presídios das Américas, diz Comissão Interamericana

A Cadeia Pública Jorge Santana, em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro, é um dos piores presídios das Américas, apontou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em procedimento da Defensoria Pública fluminense e do Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura do Rio.

Comissão afirma que Cadeia Jorge Santana é uma das piores do continente
Sakhorn Saengtongsamarnsin  

A Comissão recomenda ao Brasil a adoção das medidas necessárias à proteção à vida, à integridade pessoal e à saúde dos presos.

Em vistoria ao local no ano passado, a Defensoria e o Mecanismo observaram problemas como a insalubridade nas celas e a falta de assistência médica e hospitalar.

Além de presos com balas alojadas no corpo à espera de atendimento, havia detentos com membros amputados e sem acesso a ataduras e remédios para dor e com ferimentos graves na cabeça, ossos expostos e fissuras no crânio.

A CIDH também recomenda ao governo brasileiro que, em 15 dias, informe sobre a adoção das medidas necessárias à garantia da atenção médica na Cadeia Pública Jorge Santana (contados da data da intimação) e que atualize essas informações periodicamente junto ao organismo internacional.

Em razão da proximidade com a Unidade de Pronto Atendimento Hamilton Agostinho, a cadeia recebe presos provisórios alvejados por tiros ou em estado de saúde grave (decorrente da própria detenção), que necessitam de assistência médica específica ou continuada.

“A decisão também determina a redução da superlotação na unidade em correlação com a assistência à saúde, ou seja, quanto menos superlotada a Cadeia mais condições de sobrevivência têm os presos. Portanto, no caso em questão, temos uma instância internacional reconhecendo o estado ilegal em que vivem os detentos.

É o reconhecimento da total inépcia do Estado na questão da saúde penitenciária”, destaca o subcoordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria (Nuspen), Leonardo Rosa.

“Foi preciso uma intervenção internacional para que a ilegalidade da situação fosse oficialmente reconhecida, e isso é um péssimo sinal. Não é só o Poder Público falhando nesse ponto, são os órgãos do Judiciário também. Esperamos que a decisão acarrete, de fato, em medidas concretas para essas pessoas”, ressalta Rosa.

A CIDH recomendou ainda ao país que tome as medidas necessárias para que as condições de detenção se adequem às normas internacionais, e que a Cadeia Pública Jorge Santana ofereça adequada estrutura de atendimento aos presos com deficiência, mutilados, com fraturas ou ferimentos de qualquer natureza. Ainda de acordo com a decisão, deve o Brasil implementar ações imediatas de redução da superlotação na unidade.

Presídio superlotado
Em vistoria ao estabelecimento no ano passado, a Defensoria e o Mecanismo de Combate à Tortura identificaram situação de superlotação no local - havia de 1.842 presos para 750 vagas. As entidades também verificaram problemas referentes à infestação de insetos e roedores, à insuficiência de sanitários (com média de dois para 180 internos) e a falta de estrutura na UPA para atendimento aos casos de saúde mais complexos (de cirurgia, por exemplo). Ainda foi constatada indisponibilidade de ambulâncias para o transporte dos presos e a ocorrência de “alta precoce” em casos de internação.

As instituições apontaram o fato de que vários presos adquiriram deficiências físicas na Cadeia Pública Jorge Santana e que houve 11 mortes na unidade em 2019. De acordo com o procedimento apresentado à CIDH, há grande preocupação em relação às celas A e B (onde ficam os presos em estado de saúde mais grave) porque não há condições específicas no local para pessoas nessa situação. As instituições informaram ainda que havia 350 pessoas nessas celas para 150 vagas.

Gravidade e urgência
Classificando a situação como grave, urgente e com possibilidade de danos irreparáveis aos presos, a CIDH lembra na decisão que esteve na unidade em novembro de 2018 e observou “alarmantes condições”, “que representam graves riscos à vida e à integridade das pessoas detidas”.

“A situação em que se encontram as pessoas nas celas A e B é de especial risco, considerando que seu ingresso nesse espaço ocorreu no âmbito de operações policiais, razão pela qual algumas apresentam ferimentos a bala. A esse respeito, a Comissão observou a atenção médica claramente negligente que vem sendo dispensada, percebida, por exemplo, nas visíveis infecções apresentadas em consequência de seus ferimentos. A unidade Jorge Santana se encontra, objetivamente, em uma das piores situações carcerárias nas Américas”, escreveram na decisão os integrantes da Comissão.

Outras prisões
O governo brasileiro também foi notificado pela CIDH a tomar providências em relação a outras duas unidades prisionais, sendo uma delas o Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, zona norte do Rio Em decisão proferida em agosto pela Comissão, foi recomendado ao país a adoção das medidas necessárias à proteção à vida, à integridade pessoal e à saúde dos presos. À época, a taxa de superlotação no presídio chegou a 252,17% (em abril de 2019) e havia mais de 3.700 internos na unidade que, até o dia 24 de julho, registrou 13 mortes. Foram 142 em 10 anos (de 2008 a 2018).

Já em julgamento referente à situação do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, em Bangu, no Rio, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (e não a Comissão) determinou que a unidade não poderá receber novos presos. Em decisão proferida em novembro de 2018, a corte atendeu denúncia da Defensoria Pública e também determinou que um dia de pena cumprida no local equivale a dois. Com informações da Assessoria de Imprensa da DP-RJ.

Revista Consultor Jurídico, 20 de fevereiro de 2020, 7h44

Comentários de leitores

2 comentários

Bingo

Carlos (Advogado Sócio de Escritório)

Bingo

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sugestão: parem de cometer crime que o presídio esvazia

daniel (Outros - Administrativa)

é só parar de cometer crime que não vai preso e o presídio vai ser desnecessário

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