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Recolhimento indevido

ICMS não deve ser incluído na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins

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Juiz reconheceu o direito de empresa do setor de aço de não incluir o ICMS na base de contribuição do PIS e Cofins
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O ICMS incide sobre todo o valor da operação, pelo que o regime de compensação importa na circunstância de, em algum momento da cadeia de operações, somente haver saldo a pagar do tributo se a venda for realizada em montante superior ao da aquisição e na medida dessa mais valia, ou seja, é indeterminável até se efetivar a operação, afastando-se, pois, da composição do custo, devendo ser excluído da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins.

Com base nesse entendimento, o juiz Rafael de Souza Pereira Pinto, da 1ª Vara Federal de Volta Redonda (RJ), deu provimento a mandado de segurança impetrado por uma empresa do setor do aço contra ato de delegado da Receita Federal que exigia a a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base de cálculo do Programa de Integração Social e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social.

A empresa ainda pedia que tivesse declarado o direito à compensação dos créditos resultantes do recolhimento indevido nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da demanda.

Ao analisar a questão, o magistrado apontou que o "recolhimento indevido gera para o contribuinte o direito à compensação, após o trânsito em julgado (artigo 170-A do CTN), reservando-se a apuração dos créditos ao procedimento de fiscalização da própria Secretaria da Receita Federal".

Diante disso, ele reconheceu o direito líquido e certo da empresa recolher a contribuição para o PIS e a Cofins, sem a inclusão nas respectivas bases de cálculo do ICMS. Também reconheceu que a autora da demanda tem direito a compensação dos créditos do recolhimento indevido.

O magistrado, contudo, não determinou que o ICMS a ser excluído seria o destacado na nota fiscal. A defesa da empresa apresentou embargos de declaração que foram acolhidos e passaram a integrar a sentença. A companhia foi representada pelo advogado Wellington Ricardo Sabião.

Clique aqui para ler a decisão
5000327-75.2020.4.02.5104




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Revista Consultor Jurídico, 29 de dezembro de 2020, 18h45

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