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Covid-19

Membros do MP-SP tentam 'furar fila' da vacina de Covid, mas ideia é barrada

Promotores e procuradores do Ministério Público de São Paulo viram cair por terra seu plano de "furar a fila" da vacinação contra a Covid-19. Em reunião realizada no último dia 24, foi apresentado ao procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Mário Luiz Sarrubbo, um abaixo-assinado que solicitava que os membros do MP fossem incluídos nos grupos que terão prioridade para receber a vacina. Sarrubbo, no entanto, embora inicialmente tenha se mostrado simpático à ideia, se pronunciou posteriormente deixando claro que não vai levar o pleito adiante.

Vacinas prioritárias devem ir para profissionais de saúde, idosos e pessoas nos grupos de risco
Marcello Casal Jr/Agência Brasil 

Na reunião do Conselho Superior do Ministério Público paulista, o pedido foi apresentado formalmente pelo conselheiro Arual Martins. Na ocasião, foi lido um trecho do documento, assinado por vários promotores e procuradores, com as justificativas para a solicitação de prioridade na vacinação, que sequer tem previsão de data.

"Não é uma questão de egoísmo em relação a outras carreiras, mas, tendo em vista notadamente os colegas do primeiro grau, que trabalham com audiências, atendimento ao público e outras atividades em que o contato social é extremamente grande e faz parte do nosso dia a dia", diz trecho do abaixo-assinado que consta da ata da reunião.

Em seguida, o procurador-geral de Justiça mostrou-se favorável à iniciativa e afirmou que levaria o pleito dos integrantes do MP ao governador de São Paulo, João Dória.

Porém, nesta quarta-feira (2/12), a informação foi publicada pelo site Brasil de Fato, repercutindo nas redes sociais. Diante disso, Sarrubbo esclareceu, em áudio gravado em aplicativo de mensagens, que não fará aquilo que, durante a reunião, disse que faria.

Segundo o procurador-geral, não se trata de uma mudança de posição, pois ele garante que em nenhum momento pensou em procurar João Doria para levar ao governador o pleito dos membros do MP.

"Isso foi levado a mim na reunião, que foi uma reunião tensa, e eu falei (que iria levar o abaixo-assinado) apenas para encerrar o assunto. Evidentemente eu não falei com o governador sobre isso. Eu não fiz isso, não farei e não acho que deva ser feito. Lamento que esse assunto tenha tido tanta repercussão", disse Sarrubbo.

O MP-SP enviou nota à imprensa em que afirma estar "certo de que as autoridades sanitárias de São Paulo e do Brasil definirão o cronograma de aplicação da vacina contra o novo coronavírus com base em critérios científicos, priorizando a imunização das parcelas da população mais vulneráveis à Covid-19, tanto do ponto de vista médico quanto social. Tal definição, evidentemente, será plenamente acatada pela instituição, que tem demonstrado, com a atuação de promotores e procuradores de Justiça em todo o estado ao longo deste período de pandemia, que a sua prioridade absoluta é uma só: salvar o maior número possível de vidas".




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Revista Consultor Jurídico, 3 de dezembro de 2020, 10h33

Comentários de leitores

12 comentários

É muita cara de pau

Marcelo OD (Outros)

Contato social exatamente grande??! Só pode ser brincadeira. Tenta falar com um promotor pra ver a dificuldade que é...

É impressionante, diante do medo o ser humano se revela.

FURANDO A FILA (carteirada)

JCCM (Outros)

Um papo entre dois cidadãos:

- Deixa os cara testar a vacina. Sempre as primeira dão problema... aí fazem o recall!

- Agora você destruiu qualquer argumento que eu pudesse ter. Foi na veia. IRREPREENSÍVEL.

Da nojo.

JCCM (Outros)

Não é questão nem de falta de noção ou de respeito.

Não é também a máxima da cara de pau.

É apenas o desvelar da forma de pensar e agir daqueles enfileirados na elite, possuídos da inabalável convicção de deter o poder de decidir o que seria o melhor para TODOS nós, indivíduos que compõe o gado.

Da nojo.

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