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Luto no Direito

Morre o advogado Antonio Carlos Barandier

Morreu no começo deste sábado (29/8), aos 84 anos, o advogado Antonio Carlos Barandier. Formado pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas, é reconhecido como um ícone da resistência, em virtude de sua atuação, durante o regime militar, na defesa de perseguidos políticos.

Barandier, em evento do IAB em 2018
Reprodução/IAB

Foi professor de Direito Processual Penal da Universidade Candido Mendes (1985/2005) e presidente da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas da OAB do Rio de Janeiro. Também presidiu o Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, a Sociedade dos Advogados Criminais do Rio de Janeiro (Sacerj) e o Conselho Consultivo da Associação pela Reforma Prisional (ARP).

Integrou o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e foi colaborador permanente da Revista Brasileira de Ciências Criminais, além de membro da Comissão Permanente de Direito Penal do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).

Escreveu, entre outros livros, Relatos: um advogado na ditadura. Nasceu em Petrópolis (RJ), em 1936. Era casado com Maria da Paz, pai de Márcio e Henrique.

A família Evaristo de Moraes manifestou a dor pela perda, lembrando que Barandier — ou "Baranda", como era chamado — foi "craque de bola e da amizade". "Muito obrigado, Cacá, pelos muitos gols de excelência e pelos ensinamentos que nos deixou", registraram Evaristo Neto, Eduardo e Renato de Moraes. Barandier foi vice-presidente jurídico do Fluminense Futebol Clube.

"Barandier, além de um símbolo da advocacia e da resistência na ditadura, sempre foi um dos advogados mais amáveis, que gerava nos colegas um amor e carinho a ele. Antonio Carlos ficará como uma eterna estrela a iluminar os criminalistas", disse o advogado Fernando Augusto Fernandes.

"Devemos ter presente a máxima segundo a qual a morte física não é a pior das mortes, mas, sim, a pior é a da fala, a do esquecimento. Realmente a caminhada foi positiva, uma caminhada que deixou o exemplo. A minha solidariedade", disse o ministro Marco Aurélio.

Para o advogado Antônio Nabor Bulhões, "a consternação do presente certamente se transformará em doce lembrança de um grande ser humano e de um notável advogado que fez história e que nos deixa um legado de luta pelas liberdades públicas".

O desembargador André Fontes, do TRF-2, também lamentou a morte de Barandier. "Uma personalidade brilhante e exemplar. Deixo aqui registrado o meu profundo pesar".

"A advocacia perde um de seus maiores baluartes. Símbolo de advogado combativo e ético. Baranda, um lord, sempre esteve no front a combater os bons combates. A notável e sofrida democracia brasileira muito lhe deve. Eu perco o amigo, irmão, padrinho, professor que a vida me deu. Honra ter sido seu aluno, estagiário e depois, advogado de seu escritório. Sou-lhe eternamente grato por tudo", afirmou o advogado Luís Guilherme Vieira.

"Uma grande e irreparável perda para a comunidade advocatícia", disse o advogado Carlos Aquino.

A presidente nacional do IAB, Rita Cortez, destacou a importância do criminalista para o País. "Antonio Carlos Barandier prestou enormes serviços não somente à advocacia, mas à sociedade brasileira, principalmente na defesa corajosa das vítimas e dos perseguidos pelo regime militar", disse a advogada. neiro, e homenageado pela Câmara dos Deputados. 

O corpo será velado, a partir das 13h30, na capela 9 do Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona Sul do Rio, e sepultado às 15h.

O Fluminense, que jogará contra o Vasco neste sábado, fará um minuto de silêncio em homenagem a Barandier. 




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Revista Consultor Jurídico, 29 de agosto de 2020, 13h30

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