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Embargos culturais

A morte trágica de Euclides da Cunha e a voz feminina que não se escutou

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Comentários de leitores

5 comentários

O Escritor republicano, a fútil e o sargentão

Armando do Prado (Professor)

Sempre aparecem comentários tentando reescrever a história e diminuir a importância de Euclides. A verdade verdadeira é que o militar e depois escritor tinha uma paixão pelo Brasil e isso lhe custava permanente atuação em locais distantes da família. Opção de vida. Já sua esposa totalmente diferente. De poucas letras e voltada mais para uma vida de festas e bailes. Assim conheceu o 'sargentão', e assim traiu por muito tempo e descaradamente o eminente escritor. Nada lhe faltava, pois Euclide lhe deixava conta aberta para consumo de alimentos e primeiras necessidades, assim como sempre teve o apoio de sua mãe, a esposa do general Solon.
Resumo da ópera: o sargentão e Ana atuaram como covardes contra um homem que trabalhava pela família e pelo país. E mais: Ana tinha três filhos para cuidar e criar e ainda assim achava tempo para, a cada vigem de Euclides, aparecer grávida do sargentão sem caráter.
E por que o sargentão foi inocentado? Simples. Como até hoje o corporativismo fala mais alto. Se não, por que um certo tenente e depois capitão, ainda que com provas que iria "explodir" o Rio de Janeiro, teve simplesmente afastamento do Exército com soldo mantido?

Alhos com bugalhos

amigo de Voltaire (Advogado Autônomo - Civil)

Discordo professor. Não se trata de reescrever a história, mas simplesmente de não misturar alhos com bugalhos.O fato de Euclides ser um excelente escritor não o torna um humano sem defeitos. Euclides, pelo que consta, casou-se por amor, amor esse que não foi correspondido, como tantas outras histórias de amor por aí.Quem somos nós para jugá-lo, a ela e a Ana que não o amava fielmente pelo que se sabe. Sequer Dilermando, ao que tudo leva a crer um conquistador barato, merece nosso julgamento. Quanto aos fatos Euclides foi para matar e morreu. Legítima defesa clara. Euclides não deveria ter se rebaixado até Ana, e mais ainda indo aos confins do inferno para encontrar Dilermando, mas quem somos nós para julga-los......

Ana Euclides e Dilermando

Clara Alcione (Funcionário público)

Amo seus textos. Neste, tenho uma ressalva a fazer: a criminalização do adultério, e dizer, adultério feminino é quase uma redundância, não se limitou aos padrões morais daquela época. Na sociedade de hoje, principalmente depois da ascensão deste desgoverno de fundamentalistas hipócritas, isso apenas se acirrou. Nunca deixou de existir. Existe a expressão "adultério masculino"? Adultério é um termo carregado de preconceito e só se aplica às mulheres. Aos homens, uma eufemística e até perdoável "traiçãozinha".

Tragédia clássica

amigo de Voltaire (Advogado Autônomo - Civil)

O ocorrido com Euclides parece retirado de algum romance clássico da época. Euclides foi, neste caso, bem um homem de sua época, onde a honra manchada da traição afetiva sobrepunha-se a todos os outros valores envolvidos, sentimento este que encontrava suporte na sociedade da época e claro, nas leis.Euclides lamentavelmente viveu seu "Canudos". Parece ter faltado a ele o diálogo que se cobrou das autoridades envolvidas na batalha mencionada. Quem sabe, se tivesse ouvido Ana....

Até hoje - i

O ESCUDEIRO JURÍDICO (Cartorário)

Diz o texto: "Trato de um crime passional. O morto, Euclides da Cunha, era proeminente escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, viajante experimentado, narrador da campanha de Canudos, estilista primoroso, recém empossado professor de lógica no Colégio D. Pedro II, amostra de homem com a honra despedaçada, no contexto e nos padrões morais do início do século XX. Ana (Dona Saninha), sua esposa, filha do General Sólon Ribeiro (ativo participante da proclamação da república), mãe dedicada (é o relato dos filhos), hostilizada por uma sociedade que (insisto, pelos padrões do tempo) não admitia o papel de adúltera que lhe imputavam. A exemplo de Capitu (personagem literária) Ana (personagem real) não teve um lugar de fala; não quiserem lhe ouvir. Ana levou uma culpa que provavelmente não teve, ou foi instrumento de um destino em relação ao qual não tinha controle.
Dilermando de Assis, o vilão (de acordo com os relatos tendenciosos), militar dedicado, passou a vida a justificar-se da acusação de ter “assassinado um Deus”, ainda que absolvido pelo Tribunal do Júri, o que se deve também a impecável defesa de Evaristo de Moraes, o vedete dos tribunais da época. Evaristo formou-se em direito depois de 20 anos de prática forense. É o exemplo do rábula, no que essa expressão não tem de pejorativo. Evaristo também advogou para Gilberto Amado (que era professor de Direito Penal) acusado de homicídio, disputando no júri (nesse caso) com o promotor Galdino Siqueira (exímio penalista). Há outros personagens, também trágicos, como o filho de Euclides (mais tarde também morto por Dilermando) e o irmão de Dilermando (Dinorah, ferido por Euclides, que ficou paraplégico, e que se suicidou mais tarde)".

O comportamento da sociedade atual, apesar da relativa...

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