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"Sem dramaticidade"

Plano de matar Gilmar não é detalhado em livro de memórias de Janot

O dia em que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot entrou armado no Supremo Tribunal Federal para matar o ministro Gilmar Mendes e depois cometer suicídio é tratado de forma genérica, e sem citar nomes, em seu livro de memórias, Nada menos que tudo, que será lançado em outubro. "Não queria dar dramaticidade a esse fato no livro", afirmou Janot ao Estadão.

Apesar de evitar a dramaticidade no livro, o caso repercutiu nesta semana após o ex-PGR contar em detalhes o ocorrido a jornalistas ao falar sobre o lançamento da publicação.

Jefferson Rudy/Agência SenadoLivro de memórias de Janot trata de forma genérica o dia em que o ex-PGR diz ter entrado armado no STF para matar Gilmar

No livro, narrado em primeira pessoa, Janot conta bastidores dos quatro anos em que chefiou o Ministério Público Federal, o que inclui uma série de fatos da operação "lava jato", além do oferecimento de duas denúncias contra o então presidente Michel Temer e o polêmico acordo de delação premiada dos executivos da JBS.

O ex-PGR também dedicou um espaço ao deputado Aécio Neves (PSDB), que enquanto era senador, foi alvo de inquéritos conduzidos por Janot. "Aécio foi um dos que mais se empenharam para não ser investigado", disse Janot, que citou encontros em que Aécio chorou, apelou para a família e até ofereceu cargos públicos para escapar das investigações.

Janot também não poupou críticas a sua sucessora, Raquel Dodge, por considerar que ela freou a "lava jato". "A diminuição de ritmo das investigações é visível", afirmou. Ao Estadão, Janot classificou seu livro de memórias como um registro histórico: "A ideia do livro é isso. É fazer um registro histórico, porque não estarei mais aqui quando este julgamento vier. É a minha voz. Meu testemunho está aí. Me julguem".

Revista Consultor Jurídico, 29 de setembro de 2019, 13h14

Comentários de leitores

2 comentários

Estardalhaço e paranoia desarrazoados

DAGOBERTO LOUREIRO - ADVOGADO E PROFESSOR (Advogado Autônomo)

O estardalhaço e a paranoia decorrentes da revelação de que um dia o ex-PGR intentou eliminar um Ministro do STF , suicidando-se em seguida, é desarrazoada, pois Janot não matou ninguém, não foi contido, tratando-se apenas de um desabafo.
Tais ideias, contudo, mostraram o desgaste a que é submetido quem queira passar este País a limpo, que pretenda fazer as instituições funcionarem, para o que seria necessário superar barreiras, contornar óbices seculares, posturas obscurantistas, dar a cara para bater, arriscar a vida.
Com efeito, o trabalho de Janot, à frente da PGR, durante quatro anos, foi feito mediante o enfrentamento de embates duríssimos, que jamais haviam sido encarados pelos seus antecessores, a começar pelos dois libelos contra o ex-presidente Temer, um exemplo frustrante do quanto a impunidade campeia em nosso País. Esse político mediocre não teve a menor dificuldade de sepultar as acusações, impedindo que se chegasse ao seu afastamento simplesmente subornando o Congresso Nacional, não poupando recursos públicos, distribuição de benesses e o que mais fosse, sempre com as bênçãos de uma certa banda do STF.
Essa frustração gerada pelo fato de todos os esforços envidados resultarem em quase nada é poderosa e fatal, levando qualquer ser humano a imaginar soluções pouco ortodoxas. Compreende-se, pois, o desespero de Janot, que chegou ao seu limite de resistência. Daí a sua confidência, que vem de uma alma que pede socorro, auxílio e compreensão.
Mas, fique tranquilo, Janot. O seu exemplo frutificará, sua luta não será esquecida e os seu objetivos hão de ser alcançados. Aqueles que acham que podem sepultar a renovação dos valores da nossa vida pública serão postos de lado, para que o império do bem e da Justiça prevaleçam. Obrigado, Janot!

Marketing puro

Renato Melo Rodrigues (Advogado Autônomo - Trabalhista)

foi apenas uma estratégia de marketing. Qualquer pessoa em sã consciência, tendo uma grande oportunidade desta, mataria aquele cafajeste

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