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TV Cultura entra na Justiça para gravar "Roda Viva" com Lula em Curitiba

Lula no programa "Roda Viva" da TV Cultura em 1991. Na ocasião, ele demonstrou profunda irritação com a derrota eleitoral de 1989
Reprodução

A direção de jornalismo da TV Cultura pediu autorização à Justiça Federal do Paraná para entrevistar o ex-presidente Lula na sede da Polícia Federal, onde ele está preso desde abril de 2018. A informação é do jornalista Maurício Stycer do Uol.

O petista já aceitou o convite da emissora pública de São Paulo, e a gravação da entrevista ao "Roda Viva" depende agora da autorização judicial, emitida pela 12ª Vara Federal de Curitiba.

Em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal autorizou jornalistas da Folha de S.Paulo e do El País a entrevistarem Lula. Depois, um despacho do delegado da Polícia Federal de Curitiba, Luciano Flores de Lima, permitiu a entrada de outros veículos de imprensa para acompanhar a conversa, dentro dos limites de espaço da sede da superintendência.

Desde então Lula tem concedido entrevistas a jornais, sites e televisões nacionais e estrangeiras. Caso obtenha a autorização, esta será a segunda vez que o ex-presidente fala com uma TV aberta brasileira no cárcere. A primeira foi com a TVE da Bahia. 

Lula já concedeu algumas entrevistas ao "Roda Viva". Na de 1991, por exemplo, o ex-presidente revelou uma profunda insatisfação com a derrota para Fernando Collor. Também teve a milésima edição do programa, em 2005, gravada no Palácio do Planalto.

O líder petista foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em segunda instância e confirmado pelo STJ. Lula também foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão no caso envolvendo o sítio de Atibaia (SP). Atualmente o caso se encontra no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Por fim, o ex-presidente também é acusado pelo MPF de receber R$ 12 milhões em propina da Odebrecht por meio da compra de um terreno em São Paulo. O espaço seria usado para a construção de uma nova sede do Instituto Lula. O caso se encontra na fase de alegações finais na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

Revista Consultor Jurídico, 31 de outubro de 2019, 22h05

Comentários de leitores

2 comentários

Pablo Escobar que o diga

João da Silva Sauro (Outros)

Desconheço outro caso de criminoso que negocia as condições de sua prisão, inclusive a roupa de seus captores. Ainda, livremente recebe convidados à sua 'cela', que na verdade é o escritório do diretor do 'presídio' onde está.
É bizarro que esta excrecência que é a 'prisão especial' concedida sem qualquer resquício de fundamento legal tenha passado sem qualquer crítica...
Os títulos reais foram abolidos na república, contudo uma suposta deferência digna dos tempos da monarquia tornou permanente os privilégios de um cargo que é temporário. Ao aceitar tais barganhas o MPF só deixa mais um flanco aberto para admitir que sua atuação é política e não pautada na legalidade, permitindo que se perpetue esta aura de 'super-homem' a alguém que foi reconhecido, pelo próprio sistema de justiça, como corrupto.

Hilário

Eder Oliveira (Administrador)

Devemos rir, porque é bizarro.
Acusam o ex presidente (sem prova) de tudo.
Mas TODOS querem entrevista-lo.
TODOS querem ouvi-lo.
..
"Bem aventurados os clamam e tem cede de justiça. Porque serão saciados."

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