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Fechamento de Niemeyer

Magistrados do Rio de Janeiro criticam declarações de Crivella sobre juíza

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O Tribunal de Justiça fluminense e a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) repudiaram as declarações do prefeito carioca, Marcelo Crivella, sobre a juíza Mirela Erbisti, da 3ª Vara de Fazenda Pública da capital.

Crivella quer que avenida Niemeyer, interditada há 100 dias, seja liberada
Tomaz Silva/Agência Brasil

Após duas mortes causadas por deslizamentos, ela ordenou, em maio, o fechamento da avenida Niemeyer. Desde então, vem negando pedidos da Prefeitura do Rio para reabrir a via.

Na quinta-feira (3/10), Crivella criticou a demora na reabertura da avenida, dizendo que há laudos técnicos que demonstram que não há problemas com a via.

O prefeito também ironizou o canal no YouTube da juíza. Nos vídeos do Justo eu, Mirela e a também juíza Tula Mello abordam temos jurídicos da atualidade. “A juíza que fechou a Niemeyer, vocês precisam conhecer ela. Ela se chama Mirela. Ela tem um site na internet. O site chama 'togadas e tatuadas' (risos). Ela ensina mulheres a se vestir, como conseguir um namorado. É uma coisa interessante. Aquele site dela é uma coisa interessante. Muito bem. Eu sou engenheiro. Já fiz cem obras. Graças a Deus, nunca caiu”, disse o prefeito.

“A juíza tem seus 40 anos e é muito bonita. Tem uma beleza de parar o trânsito, mas não precisa praticar, né, pessoal? Não precisa praticar. Passam todo dia 35 mil carros na Niemeyer, entrando dentro do túnel com um calor, uma fumaceira em hora de engarrafamento, porque a excelentíssima senhora juiza... Ah! Detalhe: já se passaram cem dias. Eu pergunto: caiu alguma coisa? Interessante, porque é difícil encontrar mulher teimosa, né? Isso é raro, não é gente? Hein, gente? Normalmente, elas concordam, né? Normalmente (risos)”, acrescentou Crivella. Nesta segunda (7/10), o prefeito de desculpou pelo que considerou um "gracejo", feito devido ao "espírito carioca", e garantiu que respeita a Justiça.

Em nota, o presidente do TJ-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que o meio correto para contestar decisões judiciais das quais se discorda é a via recursal. Ele também disse que a crítica a um magistrado é antidemocrática.

"Ataques pessoais à figura do julgador remete a tempos obscuros da nossa sociedade. A insatisfação de um governante municipal divulgada na mídia, diante de uma decisão judicial até o presente momento mantida pela instância recursal, consiste em grave ataque à democracia. O interesse público está acima de interesses pessoais, políticos e religiosos", apontou Tavares.

Já Renata Gil, presidente da Amaerj, declarou que o “ataque grosseiro” de Crivella à Mirela é uma tentativa de reverter uma decisão judicial legítima, confirmada em segunda instância. Renata também classificou as declarações do prefeito de “machistas” e avaliou que elas configuram uma tentativa de intimidar o Judiciário.

“O discurso machista do prefeito agrava ainda mais a questão. É inadmissível que um político em cargo público tão importante trate desta forma alguém que, por dever do ofício que exerce, o tenha contrariado. O Poder Judiciário é um sólido pilar do Estado Democrático de Direito. A magistratura brasileira é independente. Qualquer tentativa de intimidação à Justiça e a seus magistrados será firmemente repudiada por esta associação e sua presidente”.

*Texto alterado às 17h05 do dia 7/10/2019 para acréscimo de informações.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 7 de outubro de 2019, 16h29

Comentários de leitores

2 comentários

Critica

4nus (Outros)

Decisões ativistas/políticas têm que ser criticadas publicamente. Aliás, deveria ter controle social dos juízes ativistas!

A que ponto chegamos!

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Há alguns anos a Justiça brasileira estava no fundo do poço. Agora, cavou a está muitos metros abaixo do fundo do poço.

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