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Rodrigo Janot lança sua obra em São Paulo e vende 43 livros

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Uma hora depois de chegar à livraria onde lançou “Nada Menos Que Tudo”, o ex-procurador-Geral da República deixou o local com um saldo de 43 livros vendidos — dos 550 exemplares reservados pela editora para a noite de autógrafos. Assim como entrou, Rodrigo Janot saiu: quase calado e abraçado por seguranças.

No andar de cima da Livraria da Vila, na alameda Lorena, em São Paulo, os autores do livro sobre Direito Empresarial, em homenagem à jurista Maria Salgado, tiveram mais sorte. Apesar de custar o dobro do preço, a obra passou da marca de cem exemplares vendidos.

"É para conversar assim ó. Que nem jogador de futebol (sic)", recomendava uma assessora envolvida na produção do livro, para tentar afastar o autor de mais encrencas. Ao dar o conselho, ela leva a mão à boca para depois dizer que percebeu durante a conversa que "tem muito jornalista ligado". 

Janot autografa sua obra na Livraria da Vila
ConJur

Antes de tentar soar ininteligível para a imprensa, o ex-PGR se mostrou focado em permanecer contido.

Na chegada foi cercado por um grande número de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, que aguardava na porta da livraria nos jardins —região nobre de São Paulo. Havia tensão no ar.

"Hoje é o dia da palavra escrita. Hoje é dia do livro", se limitou dizer enquanto era escoltado por dois seguranças aflitos até o interior do local do lançamento paulistano. 

Os dois profissionais que faziam a segurança de Janot se mostraram nervosos na chegada e ficaram atentos o tempo todo, mas não estavam armados, aparentemente.

Em entrevistas na semana retrasada o ex-procurador confessou que chegou a entrar armado no Supremo Tribunal Federal com a intenção de matar o ministro Gilmar Mendes a tiros e depois cometer suicídio.

Um dos seguranças se postou mais à frente da fila de autógrafos e outro ficou estrategicamente mais próximo do anfitrião do evento. Outros dois, aparentemente contratados pela livraria, bloqueavam a livre circulação no local.

A fila de autógrafos foi um capítulo à parte. Às 19h21, 17 pessoas formavam a fila à espera de um autógrafo. Todavia, apesar de boa parte —talvez a maioria— das pessoas do local ser da imprensa, Janot tinha alguns fãs fervorosos. 

Entre eles a palavra mais repetida foi "coragem". No período em que a ConJur acompanhou a interação entre o autor e seus leitores, Janot foi parabenizado pela "coragem" 29 vezes. Também foi "celebrado" pelo seu trabalho na "lava jato" 14 vezes. 

Uma leitora idosa repetiu os dois mantras da noite e ainda disse que era uma grande fã. Sem conter a excitação, chegou perto do ouvido de Janot para dizer que "você devia ter é matado aquele lá". O procurador da República aposentado se limitou a dar um meio sorriso, sem graça,  diante da indiscrição da admiradora. 

Janot também encontrou amigos com exemplares na fila. Demonstrou intimidade com muitos deles. Perguntou se uma mulher estava com saudade de Nova York. Ficou surpreso com um homem que pediu um autógrafo para sua mãe. 

Também posou para fotos. A clássica pose protocolar do aperto de mão foi repetida muitas vezes. Não pelo excesso de fãs ávidos por um autógrafo, mas porque em alguns momentos a foto não tinha ficado tão boa. Ou o procurador ficou fora de foco. 

Em muitos momentos não havia ninguém na fila. Nesses hiatos, Janot conversou sobre assuntos variados com seus interlocutores mais próximos. Uma das conversas mais animadas foi sobre o Atlético-MG, o time do coração do ex-PGR que, segundo ele, "só perde".

Janot só demonstrou se animar com o Galo mineiro quando o nome do craque Reinaldo foi mencionado. Todos os presentes concordaram que ele "jogava demais". 

"Só mais dois minutos", avisou Janot a uma pessoa próxima. Às 20h30, em ponto, deixou a livraria escoltado por seguranças e cercado por repórteres em busca de uma declaração.

"Doutor, sobre a inconsistência de datas. O senhor não estava em Brasília quando disse ter pretendido matar o Gilmar, o senhor poderia explicar", insistiam os jornalistas. Sem sucesso. Janot entrou em uma SUV de vidro insufilmado e saiu sem dizer uma palavra. 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 7 de outubro de 2019, 20h59

Comentários de leitores

3 comentários

O ocaso de um trapalhão

Joao Sergio Leal Pereira (Procurador da República de 2ª. Instância)

Se ainda tiver bambú, aconselho ao trapalhão do Janot que o melhor é vender pipas. Certamente, assim ganhará mais dinheiro do que vendeu com o seu recente livro.

Reportagem tendendiosa

João Costa Júnior (Administrador)

Impressionante como vocês estão a cada dia mais tendenciosos. Isso é ruim para vocês, para o direito e para os estudantes. Penso que se as reportagens fossem pautadas com mais imparcialidade seria mais salutar.

Ainda há tempo para vocês mudarem.

Uma pena

JuizEstadual (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Quem fim melancólico está tendo o antes autointitulado todo-poderoso Janot...

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