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Atentado no TRF-3

Ao comentarem atentado à juíza, associações atacam falta de diálogo

O procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção foi preso nesta quinta-feira (3/10) depois de tentar matar uma juíza na sede do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, na avenida Paulista.

Sede do TRF-3, na avenida Paulista

Ele invadiu o gabinete da juíza Louise Filgueiras, convocada para substituir o desembargador Paulo Fontes, em férias, e chegou a acertar uma facada no pescoço dela, mas o ferimento foi leve.

Duas das principais associações de magistrados do país, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp), divulgaram nota conjunta em que repudiam o atentado:

"A Ajufe e Ajufesp vêm a público manifestar sua indignação em face do covarde ataque sofrido pela Juiza Federal Louise Filgueiras, nas dependências do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
A ousadia e a violência do ataque, desferido pelo Procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção, trazem à tona grandes preocupações e questões relevantes.
A falta de segurança que acomete o ofício dos Magistrados é crônica. Não se justifica, em nenhuma hipótese, colocar vidas em risco por motivo de restrições orçamentárias. A segurança, a ser garantida por profissionais devidamente treinados, é essencial para o exercício do ofício judicante.
A Magistratura carece de um mínimo de tranquilidade para trabalhar em paz. 
O momento político em que vivemos, por sua vez, com a interdição do diálogo e a polarização ideológica, contribuem para o acirramento dos ânimos e para o desrespeito crescente às instituições.
O Poder Judiciário tem sido objeto de ataques vis, que maculam a sua independência e botam em xeque a sua autoridade.
Essa quebra de institucionalidade pode causar consequências nefastas para toda a sociedade, autorizando manifestações de ódio que podem resultar em violência de toda ordem. 
Manifestamos nossa irrestrita solidariedade à colega e pedimos a apuração rigorosa dos fatos.
A Magistratura Federal exige respeito e segurança para exercer com a necessária independência o seu mister constitucional."

Revista Consultor Jurídico, 3 de outubro de 2019, 23h00

Comentários de leitores

6 comentários

A insana

O IDEÓLOGO (Outros)

Produto de interesses insanos e contraditórios, a Constituição de 1988 elegeu os direitos como prioridade legal, esquecendo-se dos deveres.
Aproveitando-se dessa deturpação, os rebeldes primitivos, que não são bobos, não hesitaram em fustigar a sociedade, desequilibrando a equação entre agressor e vítima, com o auxílio de pensadores apoiados em juristas alienígenas, que elaboraram os seus "burilados conceitos" em realidades sociais, jurídicas, econômicas, éticas e políticas, totalmente distintas.
O precário equilíbrio social fez que com a Democracia, já de baixa qualidade, se tornasse propícia à justificação dos ilícitos criminais.

Querem mais verba ainda ?

MIA (Serventuário)

Concordo com todos os comentários abaixo e digo mais: se houve alguma falha, foi da própria segurança do TRF3 - se, com todo esse ENORME APARATO não está funcionando, não vai ser pedindo mais verba que vai funcionar.
Para entrar no prédio TODOS passam, OBRIGATORIAMENTE, por ao menos UM detector de metais que fica na porta.
Aquilo parece a alfândega, tem vários detectores, uma pessoa que precise passar por ali todos os dias certamente fica RADIOATIVA.
Tem OUTRO detector mais à frente, um OUTRO para bolsas e sacolas... até crianças são obrigadas a passar nos detectores.
Além disso, está lotado de seguranças e é preciso de identificação, crachá... se o AGU não precisou é porque a segurança não exigiu.
Depois, dizem que o comportamento do AGU estava alterado e que a segurança viu MAS não o abordou, o que é, no mínimo, uma indesculpável falha.
Ocorre que o mais estranho é que Matheus esteve no Congresso das 9:00 às 18:40, passou o dia todo com inúmeras autoridades (incluindo muitos desembargadores, Ministro do STJ, Ministros da CGU, do TCU, MPF, presidente do TRF3, da AJUFE, ...), não atacou ninguém, não falou nada de esquisito, seu comportamento foi normal e tudo transcorreu na mais perfeita ordem - todos viram que ELE SE PORTOU PERFEITAMENTE BEM.
Aí, terminado o Congresso, do nada, ele ficou alterado e esfaqueou pessoa aleatória ?
A segurança terceirizada teria visto o AGU alterado, falando frases desconexas e não fez nada ?
TODO LADO TEM UM OUTRO LADO: deixem o homem falar.

AJUFE e AJUFESP, Hora da Colheita, senhores !

rcanella (Funcionário público)

O presidente da AJUFE e o da AJUFESP parecem não enxergar que essa loucura toda tem origem no próprio Judiciário que é o que mais decepciona o homem comum, o que mais lhe causa revolta, pois é o que deveria dar o exemplo, afinal é o está mais intimamente ligado à gênese do Estado. O Estado surgiu como mecanismo de Justiça, para dirimir conflitos, regulando as relações entre as pessoas. O Poder Judiciário é a última carta na manga para todos nós e se ele se revela não merecedor dessa confiança, toda nossa esperança de uma sociedade saudável vai se esvaindo. Quando percebemos que a última chance de solução de uma litigância está nas mãos de um Poder corrupto perdemos a fé na Justiça e passamos a pensar em fazer Justiça com as próprias mãos, iniciando o caminho de volta à barbárie tribal. Senhores ministros, desembargadores e juízes, já está na hora de reverem seus gastos faraônicos: palácios suntuosos, gabinetes luxuosos, arrogância desmedida aos jurisdicionados, privilégios indecentes, lagostas, uísques e champanhes. - Vocês têm uma missão sagrada não entornem o caldo !

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