Consultor Jurídico

Notícias

Combate à ditadura

Defensor dos direitos humanos, rabino Henry Sobel morre aos 75 anos

Morreu nesta sexta-feira (22/11), aos 75 anos, nos Estados Unidos, o rabino Henry Sobel, em decorrência de complicações causadas por um câncer. Rabino emérito da Congregação Israelita Paulista, ele se destacou na luta pelos direitos humanos e no combate à ditadura militar brasileira.

Federação Israelita de São PauloRabino Henry Sobel morreu aos 75 anos por complicações causadas por um câncer

Um de seus feitos mais conhecidos foi durante o sepultamento do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 por agentes do regime militar. O rabino se recusou a enterrar o jornalista na ala de suicidas de um cemitério israelita. Dias depois, participou de um ato público em homenagem a Herzog e lutou pelo esclarecimento das circunstâncias da morte dele.

Em nota, a Federação Israelita de São Paulo transmitiu condolências à família do rabino. O Instituto Vladimir Herzog também lamentou a perda em nota assinada pelo filho do jornalista, Ivo Herzog. "Henry Sobel foi a primeira pessoa, representando uma instituição, que denunciou o assassinato do meu pai, poucas horas depois do ocorrido.
Junto com Dom Paulo Evaristo Arns e James Wright, corajosamente, promoveu e esteve presente no ato ecumênico em memória de meu pai na Catedral da Sé", afirmou.

A nota diz ainda que, quebrando protocolos do judaísmo, enfrentando resistência dentro da comunidade judaica, foi um dos protagonistas que abriram caminho para o fim da ditadura no Brasil. "Se meu pai foi uma das vítimas daquele período, Henry Sobel foi um dos grandes heróis", finaliza o texto.

Henry Sobel nasceu em Portugal, mas se mudou para Nova York com a família ainda na infância. Nos anos 70, se radicou no Brasil, onde permaneceu por mais de 30 anos. Desde 2013, ele morava em Miami. O sepultamento será neste domingo (24/11), nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 22 de novembro de 2019, 12h56

Comentários de leitores

2 comentários

Pode um erro definir um homem?

Elisabeth Neves (Advogado Assalariado - Empresarial)

Entendo que um ou outro erro não é capaz de definir um homem!
Grandes atos não podem ser ofuscados ou esquecidos por erros cometidos no percurso de uma vida.
Quem sou eu para atirar pedras nos que pecam???
Que adulto nesse mundo louco nunca errou, nunca pecou, quem não cometeu nenhuma infração (nem que seja as de trânsito)?
Somos imperfeitos! O que nos define é o que temos no coração, a bondade e auxílio que levamos ao próximo e o aprendizado que temos com nossos erros.
Furto de gravata é errado, é crime, mas lembrar deste ato neste momento tão doloroso para família e amigos, em detrimento de todos os demais atos nobres praticados pelo rabino é, no mínimo, pura insensibilidade para com a dor da família.
Apenas para constar, não comungo da mesma fé do Rabino, sou católica, mas entendo que esse não é momento para julgar.

Esqueceram de dizer que ....

João B. G. dos Santos (Advogado Autônomo - Criminal)

.... o rabino defendia os direitos humanos aqui mas
também furtava gravatas em New York.

Comentários encerrados em 30/11/2019.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.