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Impeachment de Trump

Deputados dos EUA terão de jogar melhor para a plateia em audiências públicas

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Nesta sexta-feira (15/11), a comissão da Câmara dos Deputados dos EUA que investiga o presidente Donald Trump para fins de impeachment vai realizar a segunda de uma série de audiências públicas. O principal objetivo dos deputados democratas e republicanos nessas audiências televisionadas é jogar para a plateia. Afinal, a batalha agora é convencer a opinião pública que Trump deve — ou não — sofrer impeachment e ser removido do cargo.

A fase pública e televisionada do processo de impeachment contra Donald Trump começou nesta quarta-feira Fotos Públicas

Na primeira audiência pública, na terça-feira (13/11), os democratas conseguiram mostrar que o presidente Trump pode ter cometido crime passível de impeachment, de um ponto de vista técnico. Mas a avaliação de analistas depois da audiência e na quarta-feira indica que não conseguiram mover significativamente o termômetro do impeachment — ou seja, o apoio popular ao impeachment.

A opinião pública continua dividida. Cerca de metade dos eleitores, entre os que têm uma opinião, continua a favor do impeachment. A outra metade não quer o impeachment do presidente, mesmo que ele tenha cometido alguns erros — sem caracterizá-los como crimes. Ou seja, depois do primeiro dia de audiências públicas, quem era a favor do impeachment manteve sua posição e quem era contra também.

Essa é a impressão que ficou depois de os parlamentares sabatinarem, por cerca de seis horas, duas testemunhas de alta credibilidade: o embaixador interino dos EUA na Ucrânia Bill Taylor e o diplomata de carreira George Kent.

Os depoimentos corroboraram as informações de que Trump pediu um favor ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se quisesse receber a ajuda de US$ 400 milhões e ser recebido na Casa Branca. O favor consistia em investigar o ex-vice-presidente Joe Biden, que tem grande chance de ser seu oponente nas eleições de 2020, e seu filho Hunter Binder. O pedido foi feito em uma conversa telefônica entre os dois presidentes.

O embaixador Taylor informou os parlamentares que um membro de sua equipe ouviu uma conversação telefônica entre o embaixador dos EUA na União Europeia, Gordon Sondland, com o presidente Trump, por telefone celular, de um restaurante na Ucrânia.

Nesse telefonema, Trump teria dito a Sondland que estava mais interessado em uma possível investigação de Joe Biden, do que realmente tratar da ajuda à Ucrânia. Sondland vai testemunhar na semana que vem.

A principal defesa dos republicanos foi a de que os depoimentos sobre os telefonemas de Trump se baseavam em “hearsay” (de ouvir dizer). “Hearsay” não é aceito em processos criminais, mas pode ser aceito em investigações para efeito de impeachment. Mas o público não sabe a diferença. E o argumento republicano é aceito pelos eleitores republicanos.

Da parte dos deputados da comissão, alguns arguiram seriamente as duas testemunhas, alguns procuraram jogar para sua própria plateia, os eleitores de seus estados, de olho nas eleições parlamentares de 2020.

O fato é que os deputados democratas terão de jogar melhor para a plateia nos próximos depoimentos, para convencer os eleitores independentes e parte dos republicanos a se manifestarem favoravelmente ao impeachment. Sem apoio popular, o impeachment vai passar na Câmara, mas vai morrer no Senado, que tem maioria republicana.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 15 de novembro de 2019, 10h46

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