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Trote Universitário

Feminismo colaborou "para degradação moral", afirma juíza em decisão

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A juíza Adriana Gatto Martins Bonemer, da 3ª Vara Cível de Franca (SP), julgou improcedente uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de São Paulo contra um ex-universitário que, durante um trote, fez com que estudantes de medicina entoassem um juramento com teor sexista. A decisão é desta terça-feira (5/11).

Discurso com teor sexista ocorreu durante trote universitário na cidade de Franca (SP)
Reprodução

“Apesar de vulgar e imoral, o discurso do requerido não causou ofensa à alegada coletividade das mulheres, a ensejar a pretendida indenização. O requerido não se dirigiu 'às mulheres' em geral [...] Sequer vislumbro a existência do pretendido 'coletivo' de mulheres. Os indivíduos do sexo feminino não são iguais e não possuem os mesmo valores”, afirma a juíza. 

Ainda segundo ela, “a inicial retrata bem a panfletagem feminista, recheada de chavões que dominam, além da esfera cultural, as universidades brasileiras”. “É bom ressaltar que o movimento feminista apenas colaborou para a degradação moral que vivemos, bem exemplificada pelo ‘discurso’ que ora se combate." 

O juramento, que continha uma série de expressões pejorativas direcionadas principalmente às calouras do curso, aconteceu em fevereiro deste ano. “Prometo usar, manipular e abusar de todas as dentistas e facefianas que tiver oportunidade, sem nunca ligar no dia seguinte [...] Juro solenemente nunca recusar a uma tentativa de coito de veterano, mesmo que ele cheire cecê vencido e elas, a perfume barato”, diz trecho. 

Na mesma semana em que o caso ocorreu, o MP-SP ajuizou ação afirmando que o ex-universitário se aproveitou do momento de comemoração dos aprovados para fazer com que eles usassem “expressões de conteúdo machista, misógino, sexista e pornográfico, expondo-os à situação humilhante e opressora e ofendendo a dignidade das mulheres ao reforçar padrões perpetuadores das desigualdades de gênero e da violência contra as mulheres”.

A magistrada, no entanto, concentrou seu voto na crítica ao feminismo. “A revolução sexual das mulheres é a mancha da segunda onda do movimento, que começou pedindo direitos políticos e melhores condições sociais e terminou, para chegar lá, gritando por pilulas anticoncepcionais e abortivas; por liberação sexual e aceitação pública da degradação de seus corpos e almas”, afirma.

Clique aqui para ler a decisão

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 6 de novembro de 2019, 21h55

Comentários de leitores

8 comentários

Em 1880

O IDEÓLOGO (Outros)

as mulheres pediam aos seus "amados", no Natal, perdão pelos erros cometidos.

Que triste.

Neli (Procurador do Município)

E quando me formei na faculdade em 1980, não havia nenhuma Juíza no Estado de São Paulo. Com as cobranças das FEMINISTAS, a 1ª mulher ingressou em Sua carreira,meados dos anos 1980. Mérito de quem ingressou e mérito maior das profissionais do Direito que diziam, na mídia, não existe nenhuma mulher na magistratura. E essas profissionais eram as feministas.Graças as feministas que a senhora pode estar nesse altíssimo cargo. Graças às feministas que mulheres podem votar e serem votadas.Meu 1º voto foi para uma mulher! E minha conduta pessoal e moral é imaculada. Sou contra o aborto! Mas, como não sou eu quem vai criar o indesejado!Sou contra!Como não sou eu quem vai cuidar de uma criança abandonada. Quem não é feminista cuida?
Eu me sinto ofendida, excelência, cada vez que vejo uma notícia aberrante como essa. Eu me sinto ofendida cada vez que leio uma notícia sobre o estupro. Até mesmo uma prostituta(a que faz do sexo o seu trabalho), não merece ser estuprada.
Excelência, em 1972, aos 19 anos, trabalhava de pacoteira numa loja(praça Antônio Prado!E na saída, às 20:00, um dos gerentes tentou me estuprar. No dia seguinte pedi demissão e depois fui acusada de furto. Sabe a vergonha das vergonhas não poder falar o motivo do pedido? Guardei isso comigo por quase quarenta anos. Falei com minha irmã que foi comigo até a Segurança da Loja , à época,para me defender. Essa notícia, nem sabia que o glorioso Ministério Público tomou providência.
Causou-me perplexidade pelo estudante tratar as calouras com menoscabo abissal. Onde está o respeito ao próximo? Esse menino (tenho 66 anos!), não tem mãe? Irmãs? Não respeita as mulheres? Não respeita o próximo?Que profissional será?
Senti-me deveras ofendida.
E tenho pena do Brasil de amanhã.
Data vênia.

Judiciário sem partido JÁ

FJAR (Advogado Autônomo)

Sem condições uma sentença como a dessa juíza. Se as alunas procuraram o Ministério Público, é óbvio que elas se sentiram ofendidas. E ainda que não tivessem procurado o MP, a atitude do órgão foi corretíssima, porque discriminação contra a mulher, ofensas homofóbicas, classistas etc não se tratam de "brincadeira".
A juíza ignora uma violação de direitos evidente pra dar uma sentença ideológica e escatológica, pra ser respeitoso com a magistrada. Ela precisa voltar a frequentar as aulas da Escola da Magistratura, porque se esqueceu completamente de se ater aos fatos relatados no processo pra falar besteira e desapontar os jurisdicionados, que esperavam que a justiça fosse justa. Eu desejo força e envio minha solidariedade pra todos os calouros da Unifran que participaram desse trote lamentável.

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