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Juiz mantém prisão de Paulo Preto por "ocultação de eventual prova"

Por ocultação de eventual prova, o juiz federal Luiz Antonio Bonat, novo titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, manteve a prisão preventiva do ex-diretor da estatal de rodovias de São Paulo (Dersa) Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Paulo Preto está preso desde 19 de fevereiro, por suspeita de participar de esquema de pagamento de propina a políticos

Na decisão de segunda-feira (25/3), Bonat chamou atenção para o fato de que a Polícia Federal encontrou dezenas de cabos USB no dia da prisão de Paulo Preto, mas nenhum aparelho celular. 

A pedido do Ministério Público Federal, foi autorizada a quebra o sigilo telemático de dados mantidos na nuvem iCloudde endereços eletrônicos do ex-empresário, de sua mulher e da empresa Magna Freitas Carvalho. Segundo a decisão, com isso, o MPF encontrou um número de telefone, vinculado a Paulo Preto, que seria usado "pelo menos, para a troca de mensagens" no WhatsApp. Além disso, o telefone teria se conectado à internet com Wi-Fi da casa do investigado três dias antes das buscas.

Assim, o juiz não acolhe o argumento da defesa, que alegou "que o fato de não ter sido encontrado aparelho celular não pode ser interpretado contra o investigado e que a tese do MPF seria especulativa". O magistrado afirmou que os elementos do MPF demonstram que o ex-diretor da Dersa possuía um aparelho celular. "Tal soa estranho e aponta para ocultação de eventual prova, em prejuízo da investigação criminal", disse.

Bonat vê evidente risco à ordem pública e à aplicação da lei penal, apontando que Paulo Preto "seria beneficiário de vantagens indevidas, além de um dos braços financeiros do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht".

"Agrava-se esse risco pelo fato de que tais valores não foram recuperados e após serem transferidos para as Bahamas não foi mais possível rastreá-los. Há uma circunstância significativa relacionada às transferências para as Bahamas, consistente no contexto em que foram realizadas, e que reforça o risco à aplicação da lei penal", afirmou. 

Histórico
Apontado como operador do PSDB, Paulo Preto foi preso em 19 de fevereiro, por suspeita de participar de esquema de pagamento de propina pela Odebrecht a políticos por meio de operadores financeiros e contas no exterior. A decisão que decretou a preventiva usou como justificativa movimentações de 2017.

No pedido de liberdade provisória, a defesa alegou que a decisão teve como único fundamento o risco de que ele viesse a movimentar contas no exterior. Sustentou ainda que o decreto prisional era abstrato, que não há contemporaneidade dos fatos e que não há risco de novas condutas delitiva.

Clique aqui para ler a decisão.

Revista Consultor Jurídico, 27 de março de 2019, 12h44

Comentários de leitores

1 comentário

Saudades

acsgomes (Outros)

É, parece que os investigados por corrupção vão sentir saudades do Sergio Moro....

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