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Ofício a Toffoli

Gilmar Mendes pede que Toffoli tome providências após entrevista de Kajuru

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, enviou ao presidente da corte, ministro Dias Toffoli, nesta terça-feira (19/3), um ofício pedindo para ele tomar “providências que entender cabíveis” contra o senador Jorge Kajuru (PSB-GO).

De acordo com o documento, Gilmar alega que o senador declarou informações equivocadas em uma entrevista à Rádio Bandeirantes. Kajuru acusou Mendes de vender sentenças e anunciou que a CPI aberta no Senado para apurar tribunais superiores investigaria o ministro em primeiro lugar.

Em outro trecho da entrevista, o senador afirma que o ex-governador do Paraná, Beto Richa, preso pela terceira vez nesta terça-feira, e Gilmar Mendes são sócios. "Beto Richa é sócio dele, Aécio Neves é sócio dele, o Marconi Perillo é sócio dele".

Emparedamento
Kajuru faz parte da lista da CPI reaberta e protocolada nesta terça-feira (19/3) pelo senador Delegado Alessandro (PPS-SE) para emparedar os ministros do Supremo Tribunal Federal e atender a demandas de setores conservadores do Congresso e dos órgãos de persecução.

A intenção, mal escondida, é pressionar o STF a se curvar às pautas fundamentalistas das bancadas religiosas do Congresso. Com isso, o senador também pretende embutir no pedido as demandas dos investigadores da "lava jato", já famosos por usarem as redes sociais para criticar decisões do STF com desinformação.

Declarações Polêmicas
Kajuru é conhecido por fazer declarações equivocadas sobre figuras públicas. Em julho de 2015, por exemplo, a 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás condenou o então jornalista a pagar indenização de R$ 20 mil por danos morais ao governador Marconi Perillo (PSDB) por tê-lo ofendido em duas entrevistas na Rádio Interativa FM.

Em 2005, Kajuru foi condenado a pagar indenização à apresentadora Luciana Gimenez de R$ 40 mil por danos morais. Kajuru chamou a apresentadora de “burra” durante o programa Boa Noite Brasil, da TV Bandeirantes. A decisão é do juiz Pedro Antônio de Oliveira Júnior, da 18ª Vara Cível do Rio de Janeiro.

Também em 2005, Kajuru foi condenado a um mês e cinco dias de detenção em regime aberto por ofender a honra do também jornalista esportivo Milton Neves. A pena foi suspensa condicionalmente por dois anos, período em que Kajuru não pôde se ausentar da comarca em que vivia, sem autorização do juiz, e deveria se apresentar em juízo mensalmente para informar suas atividades.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 19 de março de 2019, 22h04

Comentários de leitores

11 comentários

Curioso isso!

Paulo H. (Advogado Autônomo)

Sua Exa., o ministro, julga poder chamar livremente membros do Ministério Público de "cretinos", "gângsters" etc.; não vê problema em afirmar que os procuradores da Lava Jato participam de uma "corrida do ouro", além de um sem-número de desaforos ao longo do tempo.
Agora, quando um senador - e aqui não me interessa que senador é, assim como não me ocupei de que ministro é - diz poucas e boas ao ministro, aí não pode! Aí se pedem providências, se ameça com isso e com aquilo.
Não é preciso dizer que numa Democracia (que não seja de fachada) não existem ungidos, não há lugar para este tipo de desnivelamento de tratamento.

Kkkkkkkajuru senador!!!!

SMJ (Procurador Federal)

Curioso que ele não aprendeu...:
https://www.youtube.com/watch?v=Qfilu-xllTE

E agora, STF?

Marco 65 (Industrial)

Kajuru fala abertamente de 12 imóveis de propriedade de Gilmar Mendes em Portugal... fala ainda em viajens constantes do mesmo ao País lusitano e de quebta ainda comenta sobre Lewandovisck.
O STF, por sua vez, insiste em afirmar que não está obrigado a seguir a constituição e sim, o regulamento do Senado.
A procuradora Dra. Raquel Dodge já se manifestou no sentido de pedir informações sobre a pendenga... afinal, QUEM INVESTIGA NÃO PODE JULGAR"...
Fica a pergunta.

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