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"Vaza Jato"

Procurador confirma veracidade de mensagens com críticas a Moro

Um dos procuradores que estava no grupo do Telegram em que foram feitas críticas ao ministro da Justiça Sergio Moro disse ao jornal Correio Braziliense que as conversas são verdadeiras. As mensagens foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil e mostram procuradores preocupados com a ida de Moro para o governo Bolsonaro e como isso poderia impactar a imagem da "lava jato". Há, também, mensagens com críticas à atuação de Moro como juiz.

Sob a condição de anonimato, um dos procuradores que integrava o grupo do Telegram disse que se lembrava da troca de mensagens publicada pelo Intercept. "Me recordo dos diálogos com os procuradores apontados pelo site. O grupo não existe mais. No entanto, me lembro do debate em torno do resultado das eleições e da expectativa sobre a ida de Moro para o Ministério da Justiça", afirmou ao Correio Braziliense.

O mesmo procurador disse que conseguiu recuperar parte das mensagens do grupo: "Consegui recuperar alguns arquivos no celular. Percebi que os trechos divulgados não são de diálogos completos. Tem mensagens anteriores e posteriores às que foram publicadas. No entanto, realmente ocorreram. Não posso atestar que tudo que foi publicado até agora é real e não sofreu alterações. No entanto, aquelas mensagens que foram publicadas sexta são autênticas".

Dúvidas sobre imparcialidade de Moro
Nas conversas, os procuradores levantaram dúvidas sobre a imparcialidade de Moro e alguns até classificaram de "erro crasso" do ex-juiz aceitar o convite para ser ministro da Justiça. Deltan Dallagnol, apesar de reafirmar sua lealdade a Moro, não escondeu a preocupação com a repercussão negativa sobre a imparcialidade da operação.

Em novembro de 2018, os procuradores Ângelo Augusto Costa e Monique Cheker disseram não confiar no então juiz. "Moro é inquisitivo, só manda para o MP quando quer corroborar suas ideias, decide sem pedido do MP (variasssss vezes) e respeitosamente o MPF do PR sempre tolerou isso pelos ótimos resultados alcançados pela lava jato", afirmou Monique no grupo.

Fofocas de procuradores
Pelo Twitter, Moro minimizou as reportagens do Intercept e disse que, se verdadeiras, as conversas não passam de "fofocas de procuradores, a maioria de fora da 'lava jato'". A procuradora Monique Cheker também divulgou uma nota em que diz não reconhecer os diálogos sobre Moro.

Revista Consultor Jurídico, 30 de junho de 2019, 10h35

Comentários de leitores

9 comentários

Lênin Stálin, melhor rasgar o “diploma”

Antônio dos Anjos (Procurador Autárquico)

Art. 234 CPP - Se o juiz tiver notícia da existência de documento relativo a ponto relevante da acusação ou da defesa, providenciará, independentemente de requerimento de qualquer das partes, para sua juntada aos autos, se possível.

É tanta vontade e má-fé para destruir alguém, que se esquecem até da lei.
Enfim, a caravana vai seguir.

Ao capiroto, servo de não sei quem, e fãs de Lénin Stálin

Antônio dos Anjos (Procurador Autárquico)

O limite da proteção ao jornalista e sua fonte são a licitude e legalidade desta.
Se o jornalista sabe que a documentação recebida foi obtida por meio ilegal, participa do crime para obtenção das provas, ele não é jornalista, mas um criminoso.
Imagine a seguinte situação: o jornalista contrata um criminoso para invadir a casa de uma pessoa, furtar os documentos pessoais deste e publicar matéria jornalística baseada no produto do furto para o qual concorreu. Pergunto aos juristas Lénin Stálin, petralhada e psolnhentos de plantão: o crime de invasão de domicílio tem sua ilicitude excluída pela proteção constitucional ao sigilo da fonte?
Aguardando textão dos Lénin Stálin da vida em 3, 2, 1...

Correção.

Roberto Timóteo, advogado (Advogado Autônomo - Criminal)

Complementando a segunda parte do titulo do comentário abaixo que não coube no espaço. Indaguei: O QUE É PERMITIDO E O QUE NÃO É A UM JUIZ?

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