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Conversas vazadas

Testemunha que Moro indicou a Dallagnol diz que foi procurada pelo MPF

Uma das testemunhas citadas pelo ex-juiz Sergio Moro em conversa com o procurador Deltan Dallagnol afirmou à revista Veja, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (28/6), que foi procurada por um membro da "lava jato" em dezembro de 2015.

Segundo mensagens vazadas, Moro indicou testemunha que teria informações sobre transferências de imóveis de um dos filhos do ex-presidente Lula
Lucas Pricken/STJ

Conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil mostram que, em 7 de dezembro de 2015, Moro indicou a Dallagnol uma pessoa que teria informações sobre transferências de imóveis de um dos filhos do ex-presidente Lula.

Seguindo a orientação de Moro, Dallagnol procurou a testemunha, que não quis prestar depoimento. O procurador, então, sugeriu — com a anuência de Moro — convocá-la com base em "notícia apócrifa", ou seja, uma notícia falsa. 

A Veja procurou as duas pessoas citadas nessa conversa: a testemunha indicada por Moro e um intermediário que levou a informação até o ex-juiz. A testemunha era Nilton Aparecido Alves, de 57 anos, técnico em contabilidade que tem um escritório no centro de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

Segundo a reportagem, ele já foi investigado pelo Ministério Público, acusado de pagar propina a uma organização criminosa que fraudava impostos e teria gerado um prejuízo de R$ 44 milhões ao estado do Mato Grosso do Sul, entre 2015 e 2018. Alves não confirmou se foi contatado pela força-tarefa da "lava jato" ou se tinha informações sobre transações imobiliárias do filho de Lula. "Não sei por que meu nome está nessa história. Alguém deve ter falado alguma coisa errada", disse ao ser abordado pela revista.

A publicação também procurou a segunda pessoa citada por Moro: o empresário Mário César Neves, dono de um posto de gasolina em Campo Grande. Segundo o ex-juiz, foi Neves quem ouviu a história de Nilton Alves sobre os imóveis do filho de Lula. Ele confirmou que foi procurado por um membro da "lava jato" em dezembro de 2015. "O pessoal do Ministério Público me ligou, não sei mais o nome da pessoa, mas ela queria saber quem era o Nilton, que serviços ele prestava e como poderia encontrá-­lo", disse.

O empresário também confirmou que passou ao MPF o endereço e o telefone de Alves, mas não entrou em detalhes sobre as possíveis transações imobiliárias do filho de Lula. "Eu soube que o Nilton foi chamado para prestar depoimento logo depois dessa ligação para mim", disse.

Conversas vazadas
Desde o começo do mês, mensagens do Telegram atribuídas a Moro e Dallagnol têm sido publicadas pelo Intercept Brasil e outros veículos da imprensa. 

A reportagem da Veja é mais um indicativo de que Moro orientou o trabalho dos procuradores da "lava jato", o que é proibido por lei. O juiz não pode indicar testemunhas a uma das partes envolvidas no processo. Além disso, mostra como o MPF levava em consideração e seguia as orientações de Moro. 

Revista Consultor Jurídico, 28 de junho de 2019, 11h53

Comentários de leitores

22 comentários

Idiotas do brasil, uni-vos!

José R (Advogado Autônomo)

O despotismo e as ditaduras são filhos da ignorância e da cretinice (esta última forma proativa e audaz da primeira) de grandes parcelas da Nação.
Unidos , e com megafones eletrônicos, os ignaros criam o caldo de cultura em que germinam e proliferam, em vigorosas cepas, os Hitlers, Mussolinis e seus subprodutos...
Assim, ficar esperando por comprovação daquilo (diálogos verdadeiros) que já é notório (a realidade incontestável dos diálogos mantidos por esses tiranozinhos de aldeia interiorana) é rematada imbecilidade, manejada por “otoridades” delinquentes para escaparem da merecida punição...
Vão continuar a ser laranjas dos xerifes delinquentes? Então, uni-vos!
E Chafurdeis na lama di autoritarismo...

Sr. Carlos

Guilherme G. Pícolo (Advogado Autônomo - Civil)

Não, sr. Carlos, não sou esquerdista, votei a contragosto no Bolsonaro e exatamente para que não viremos um regime totalitário, como Cuba, com tribunais de exceção, como na Venezuela e julgamentos sumários, como na Coreia do Norte, é que faco minhas críticas. Que, por sinal, parecem estar em linha com as mesmas de certos procuradores que trabalharam na Lava-Jato.

Cuidado para não se tornar um McCarthy da vida e começar a procurar "comunistas" até embaixo da cama

Guilherme G. Pícolo (Advogado Autônomo - Civil)

Carlos (Advogado Sócio de Escritório)

Guilherme G. Pícolo (Advogado Autônomo - Civil)

Parece que o debate aqui tomou um viés político partidário.

O senhor, Guilherme Pícolo é petista? Duvido que não seja.

Como sei que o senhor não conseguirá se manifestar, fique triste, pois não dará em nada a conversa do Moro com Deltan, inclusive o CNMP já arquivou denúncia sobre o tema e não fique triste por seu ídolo estar preso e deverá permanecer lá por muito tempo, e Moro será o próximo ministro do STF.

Esquerda não tem mais chance aqui no Brasil, Já fizeram as cag........... que tinham que fazer. Já era. Aqui a bandeira jamais será vermelha. Gosta de ser de esquerda? Via morar em Cuba ou na Venezuela...

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