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Depoimento de Moro foi "espetáculo de diversionismo", diz jornalista

O depoimento de Sergio Moro, ex-juiz da “lava jato” e ministro da Justiça, ao Senado foi um “belo espetáculo de diversionismo”, comenta o jornalista Rodrigo Haidar, colunista de assuntos de Justiça da rádio Band News FM.

Em depoimento ao Senado, Moro diz que não se deve discutir o que ele disse nas mensagens divulgadas pelo Intercept, mas, sim, como o site conseguiu o material
Marcelo Camargo / Agência Brasil

Moro foi à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) falar sobre suas mensagens que foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil. Mas o que se viu foram senadores apoiando ou atacando a “lava jato”, enquanto o ex-juiz chamava a publicação de sensacionalista, segundo Haidar. “Os diálogos divulgados até agora revelam, sim, parcialidade.”

Desde o dia 9 de junho, o Intercept vem divulgando trocas de mensagens dos procuradores da “lava jato” e entre o procurador Deltan Dallagnol e Moro. Em algumas delas, Moro aparece orientando a atuação dos procuradores e até mesmo cobrando por resultados. O último trecho divulgado mostra Moro questionando a “lava jato” por terem aberto um inquérito contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, alguém de que o juiz aparentemente buscava apoio político.

Para Haidar, a audiência na CCJ seria uma oportunidade de os senadores, junto com o próprio juiz, buscarem soluções para problemas do inquérito policial – como o envolvimento do julgador desde a fase inicial da produção de provas. Mas nada disso foi discutido com profundidade. Moro limitou-se a dizer que esse tipo de contato entre juízes e procuradores é normal.

“Se esse é o padrão do sistema, como diz o ministro, o sistema precisa de correção”, afirma Haidar. “O fato de a lava jato ter desvendado diversos esquemas de corrupção não dá à operação um salvo-conduto para seus erros.”

Rodrigo Haidar é jornalista e já foi chefe de redação e correspondente em Brasília da revista Consultor Jurídico.

Assista ao comentário:

Revista Consultor Jurídico, 19 de junho de 2019, 19h15

Comentários de leitores

7 comentários

Espetáculo de diversionismo

Arlete Pacheco (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Há jornalistas, como esse senhor autor do artigo em questão, que fariam melhor figura se permanecessem calados! Não passou e, quiçá não passará pela cabeça desse senhor, uma indagação elementar, para a elaboração da qual não se faz necessário QI muito elevado, qual seja, por quais motivos os responsáveis pela gravação das conversas ainda não fizeram a entrega de todo material produzido ao ministro do Supremo Tribunal Federal encarregado pela Lava Jato, a fim de seja efetuada a IMPRESCINDÍVEL PERÍCIA e, posteriormente, decidida pelo magistrado a sua divulgação ou não? O que está impedindo essa entrega? Será que os responsáveis pelas gravações não acreditam na honestidade dos ministros daquela órgão do Poder Judiciário mas não têm a decência de admitir isso em público? Ou será que acham mais divertido ver criaturas replicando, sem pensar, tudo aquilo que se publica, como se fossem papagaios adestrados? Parece que há algo de muito estranho no ar! Quem viver, verá!

Sera que eu entendi?

A. Junior (Advogado Autônomo)

Moro disse que o grampo de Dilma foi legal? É normal um juiz de primeiro grau grampear o chefe do estado? O STF (Teori) estava errado quando disse que isso era um procedimento ilegal? Moro não precisa nunca obedecer os ritos legais? Esse homem é o imperador do Brasil e eu não fui informado?

Ainda bem...

Jose Valter (Bancário)

"Ainda bem que não Moro mais com ele." Dirá a esposa do Moro num futuro próximo.

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