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Refém de insinuações

Fonajuc sai em defesa dos procuradores e de Moro após vazamentos

O Fórum Nacional de Juízes Criminais (Fonajuc) divulgou nota em defesa dos procuradores da "lava jato" e de Sergio Moro. Segundo a entidade, o Brasil está "refém" de insinuações direcionadas a quem combateu a corrupção. 

"O Fonajuc reforça a necessidade de respeito aos direitos e deveres constitucionais, ao sistema legal e se opõe a qualquer forma de tentativa de pervertê-los ou violá-los, notadamente para desconstruir o trabalho contra a corrupção que tem funcionado em vários níveis e com incontáveis atores como nunca antes na história", afirma a entidade.

Leia abaixo a nota:

O FÓRUM NACIONAL DE JUÍZES CRIMINAIS  - FONAJUC, instituição composta de Magistrados Estaduais, Federais, Militares e Trabalhistas de todas as regiões do país, vem a público unir-se à preocupação expressada pelo povo brasileiro sobre os riscos às operações que combatem a corrupção.

O uso de estratagemas criminosos é e sempre será próprio daqueles que não respeitam a lei positivada e os direitos naturais, entendendo que seus interesses prevalecem sobre a dignidade de todos e de cada um de nós. 

Enquanto policiais e agentes de segurança sucumbem nas ruas, também os promotores de justiça e juízes lutam para não sucumbir, em razão do poderio político e econômico. Como bem disse o desembargador Abel Gomes, do TRF-2, os ataques cibernéticos se restringem aos magistrados que decidiram contra os interesses daqueles investigados na operação Lava Jato.

É preocupante que o país fique refém de insinuações e divulgação de material que foi obtido de forma ilícita, o que por si só já fere os mais basilares princípios éticos e legais, e que sequer é de fato apresentado, se não de forma fracionada e editada.

O FONAJUC reforça a necessidade de respeito aos direitos e deveres constitucionais, ao sistema legal e se opõe a qualquer forma de tentativa de pervertê-los ou violá-los, notadamente para desconstruir o trabalho contra a corrupção que tem funcionado em vários níveis e com incontáveis atores como nunca antes na história.

DIRETORIA DO FONAJUC

Revista Consultor Jurídico, 13 de junho de 2019, 15h34

Comentários de leitores

6 comentários

Fonajuc

Arlete Pacheco (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Gratificante a posição tomada acertadamente pela entidade de magistrados, expressada no artigo em comento. Gratificante, outrossim, a declaração do jurista Modesto Carvalhosa, cujo saber jurídico não se pode contestar, ao dizer, com todas as letras, que é falaciosa e cínica a afirmação de que juízes e promotores de justiça não podem se comunicar! Juízes e Promotores são o Estado, um atuando como julgador, outro como fiscal da lei e defensor da sociedade. Portanto, promotor NÃO É PARTE e, quando juízes e promotores trocam ideias sobre determinado processo, isso significa que se está avaliando a melhor estratégia para a solução do problema e a defesa
da sociedade! Qualquer estudante de Direito aprende isso nos primórdios de seu curso! Veja-se que a Procuradora Geral da República senta-se ao lado do Presidente do Supremo Tribunal Federal e pode interferir quando entender necessário, porque ambos significam a atuação do Estado, basta se assistir às sessões da TV Justiça. Nunca se viu uma PARTE sentar-se ao lado de um juiz! Acontece que, as criaturas que gravaram, ilegalmente, e estão divulgando essa matéria espúria, sabem que, infelizmente, podem contar com a imensa ignorância ou oportunismo daqueles que se assemelham a papagaios, replicando qualquer coisa incapazes de pensar! Se quem
gravou e divulga estivesse agindo por patriotismo, por amor à verdade e à justiça já teria, AB INITIO, feito a entrega de todo o material gravado e devida aparelhagem ao ministro do Supremo Tribunal Federal encarregado pela Lava Jato, o qual, após a IMPRESCINDÍVEL PERÍCIA, decidiria pela divulgação ou não da matéria! Todavia, preferiu-se o sensacionalismo, a demagogia rasteira e o interesse pecuniário. Afinal, há quem acredite em Papai Noel!

Maldito corporativismo!

Flávio Haddad (Advogado Autônomo)

Esse maldito corporativismo apodrece a REPÚBLICA! Mesmas entidades que defendem o escandaloso "auxilio moradia", agora atentam contra a Constituição e o Estado Democrático de Direito. As gravações e o conteúdo dos diálogos não foram questionados pelo juiz e procuradores, nem poderiam. Criminoso e ilegal é o conluio dos acusados para imprimir estratégia processual (e saber que não ocorre somente nas instâncias superiores...)! Quando os juízes defendem criminosos o Estado de Direito já não existe! VERGONHA!

Defesa genérica e abstrata

Adir Campos (Advogado Autônomo - Administrativa)

A nota faz uma defesa genérica e abstrata do ex-juiz e dos procuradores. Não se dá ao trabalho de rechaçar motivadamente os fatos que falam por si sós.
Veja-se os principais trechos da promiscuidade entre juiz e acusação: “Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou então repassando. A fonte é séria”, sugeriu o juiz, indicando um caminho para a investigação. “Não pode cometer esse tipo de erro agora”, aconselhou Moro a respeito de falhas da Polícia Federal. “Deveríamos rebater oficialmente?”, perguntou, no plural, em resposta a ataques do Partido dos Trabalhadores contra a Lava Jato. “Talvez fosse o caso de inverter a ordem das duas planejadas”, aconselhou o juiz a Dallagnol, falando sobre fases da investigação. E esta outra: “Não é muito tempo sem operação?”, questionou, interessado em que a força-tarefa fosse às ruas.

Agora, indago: o que qualquer um faria ao entrar em campo e saber que, antes da partida, o árbitro se reunira com o time adversário para ajudá-lo a vencer a partida?
Portanto, vamos parar com corporativismo, cinismo e hipocrisia.

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