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PF tenta ligar suspeitos presos a mensagens de Moro vazadas pelo Intercept

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No início de junho, o ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que teve seu celular hackeado durante seis horas. Quando foi à Câmara explicar aos deputados sua relação com os procuradores da “lava jato” vazadas pelo site The Intercept Brasil, foi questionado sobre um inquérito para investigar a suposta invasão de seu celular. Os deputados queriam saber se Moro usaria o inquérito para tentar atingir os jornalistas do Intercept. “Acompanho esse inquérito como vítima”, disse Moro então.

A partir da quarta-feira (24/7), a Polícia Federal começou a divulgar que os presos em sua operação anti-hackers não só invadiram o celular de Moro e de outras autoridades como enviaram dados a Glenn Greenwald, fundador do Intercept. A informação foi divulgada pelos principais jornais do país: “Hacker diz à polícia que deu a site acesso a conversas de Moro”, conforme o Estado de S. Paulo.

O tom seguiu o do ministro Moro, que no Twitter relacionou as prisões à divulgação de suas mensagens pelo Intercept. A relação não foi feita pelo relatório da PF sobre inquérito nem pelo pedido de prisão do Ministério Público Federal. Muito menos no despacho de deflagração da operação, do juiz Valisney de Souza, da Justiça Federal de Brasília – os documentos oficiais do inquérito, aliás, não falam em vazamento, mas no uso de um sistema de VoIP que permite fazer ligações a partir de um celular com o número de outro.

Já na quarta, o site Jornal da Cidade Onlineconhecido por inventar o que pretende noticiar, disse que um dos presos pela PF havia confessado ter entregado dados de forma anônima a Greenwald. A notícia se reportava ao site O Antagonista. Mas O Antagonista não disse isso. Nota assinada pelo jornalista Cláudio Dantas informava que um dos presos pela PF havia confessado ter invadido os celulares de “centenas de autoridades”, entre elas Moro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

Mas o Estadão comprou a versão que parecia ser do Jornal da Cidade Online e a publicou na noite da quarta e na edição impressa desta quinta-feira (25/7). Um pouco mais tarde, a Folha de S.Paulo esclareceu e noticiou: “Para a Polícia Federal, Walter Delgatti Neto, preso na última terça-feira (23) sob suspeita de atuar como hacker, foi a fonte do material que tem sido publicado desde junho pelo site The Intercept Brasil com conversas de autoridades da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba”. Embora o título da notícia não mencione que a fonte da informação tenha sido a PF. Só o UOL foi mais claro, ao mudar a manchete da Folha para “PF diz que...”

Tudo isso era para ser sigiloso, mas não dá para reclamar. O vazamento mostra como nascem e de onde saem informações que acabam transformadas em notícias.

 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 25 de julho de 2019, 17h58

Comentários de leitores

6 comentários

Eita CONJUR

Amauri (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Incrível como o CONJUR se aliou descaradamente aos detratores da lava-jato para tentar melar a operação que levou para a cadeia BANDIDOS que assaltaram o País. Não há uma só prova de que os BANDIDOS presos são inocentes. O mais "engraçado" é que para o CONUUR e seus asseclas, as mensagens roubadas e divulgadas pelo intercept podem ser utilizadas como prova para tentar melar a lava-jato, mas os dados compartilhados pelo COAF, com base na lei, devem ser considerados como prova ilícita e , em consequência, não ser utilizados para condenar BANDIDOS.

O Antagonista?

Marcos Arruda (Estudante de Direito)

Anteriormente o "antagonista", havia divulgado que Gleen, ou como preferem debilmente chama-lo "Verdevaldo" teria financiado os hackers, que naquela ocasião seria um russo.
O fato é, o Antagonista não é uma publicação séria e recorrentemente se comporta como uma mídia vendida ao governo, tanto pelo conteúdo sem compromisso e irresponsável que publicam, como pela forma infantil com a qual redigem suas matérias.
Não importa se Gleen recebeu de forma anônima ou não as mensagens vazadas, o jornalista, tem o direito constitucional de preservar a sua fonte.
Enquanto publicações ridículas tentam desmoralizar e convencer que o multipremiado jornalista, teria financiado os ataques, vemos mais uma demonstração da conduta inescrupulosa que a base do governo atual age, porque certamente, estes sim, financiam publicações como as do "Antagonista".
Com todo esse circo que tem se armado em torno de Gleen, tirou-se o foco do fato mais importante: Sérgio Moro é um corrupto, que manipulou o sistema judiciário para condenar réus como bem entende, tendo esse perfil devido a histórico que remonta desde muito antes do caso do Triplex, sendo uma vergonha para a magistratura e para o ordenamento jurídico brasileiro.

A ver

Schneider L. (Servidor)

A saber se essa revista tendenciosa manterá o mesmo discurso na hipótese de algum ministro do STF ter sido um alvo de fato dos invasores.

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