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Grampolândia pantaneira

Policiais acusam ex-governador de MT de comandar esquema ilegal de grampos

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Ex-procurador da República, Pedro Taques (PSDB) construiu sua carreira política com base no discurso da luta contra a corrupção. Porém, no governo de Mato Grosso, o qual deixou no fim de 2018, passou a violar a lei com objetivos particulares. Segundo policiais, ele instalou um grande esquema ilegal, ou seja, sem autorização judicial, de grampos para perseguir adversários.

Pedro Taques comandava esquema de grampos ilegais, dizem policiais.

O esquema foi denunciado pelo ex-secretário de Segurança Pública Mauro Zaque, no fim de 2015. Ao deixar o governo, ele acusou Taques de ter conhecimento das interceptações ilegais e pediu investigação à Procuradoria-Geral da República.

Nesta terça-feira (16/7), em audiência de ação que apura crimes militares no esquema de interceptações telefônicas, o ex-secretário da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, afirmou que até o vice-governador de Taques, Carlos Fávaro (PSD), foi grampeado. Segundo ele, a ordem para isso foi dada pelo então chefe da Casa Civil, Paulo Taques - primo do ex-governador.

"O depoimento mostra de forma explícita à sociedade a mediocridade que foi o governo passado, que ao invés de se preocupar em resolver os problemas do estado – que são gigantes – estava preocupado em bisbilhotar a vida das pessoas. É revoltante", afirmou Fávaro ao site MidiaNews.

Já o coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante-geral da Polícia Militar, que é réu no caso das escutas clandestinas, disse nesta terça que se sentiu usado por Pedro Taques e por parte do Ministério Público estadual no esquema de escutas clandestinas.

Zaqueu contou que, antes das eleições de 2014, Pedro e Paulo Taques foram à sua casa pedir para que ele participasse do esquema de interceptações ilegais. A partir de então, eles tiveram diversas reuniões para tratar do assunto. O policial disse sentir que foi usado pelo ex-governador, relata o MidiaNews.

"Hoje eu sou muito tranqüilo na minha cabeça. Isso é muito claro: eu fui usado. Eu tinha um interesse, e esse interesse foi atendido, que era a purificação da Polícia. Porém, se valeu disso na época o senhor Pedro Taques, porque tinha interesse político. E entendo eu que valeu-se disso também parte do MP, porque a Janaina Riva foi ouvida lá", contou, referindo-se a suposta escuta ilegal feita por promotores no celular da deputada estadual.

Em audiência na quarta (17/7), o cabo da Polícia Militar Gerson Luiz Corrêa Júnior declarou que tentou fazer uma delação premiada para revelar detalhes dos grampos. Porém, narrou, após acusar integrantes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, o procurador de Justiça Domingos Sávio freou as negociações. Ele também atribuiu o comando do esquema ilegal aos primos Taques. "Eu disse que o dono da grampolândia pantaneira não era Lesco, Zaqueu, nem Gerson e muito menos a Polícia Militar, mas Pedro e Paulo Taques."

Corrêa Júnior também ressaltou que havia uma verba secreta do Gaeco, destinada a comprar e usar equipamentos para as gravações clandestinas. Conforme o cabo, promotores usaram esse dinheiro para fins pessoais. "Com dinheiro oriundo da verba secreta do Gaeco, Célio Wilson consertou sua moto, Marcos Regenold comprou cães e Marco Aurélio fez a manutenção de rastreadores de veículos", contou.

Outro lado
Pedro e Paulo Taques negaram participar do esquema de grampos ilegais. O ex-governador afirmou que já pediu para depor sobre o caso e questionou a veracidade de depoimentos de delatores.

"Notadamente em se tratando de delações cruzadas, onde, acusados na mesma ação, acusam um terceiro, sem qualquer prova", disse Pedro Taques. "Já pedi pra ser ouvido no Ministério Público e na polícia; ninguém está acima da lei. Quando tomei conhecimento dos fatos investigados, pedi providência, imediatamente."

 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 19 de julho de 2019, 18h32

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