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Moro e Deltan discutiram desviar verba de vara para fazer propaganda da "lava jato"

O procurador Deltan Dallagnol pediu que o ex-juiz Sergio Moro autorizasse o uso de dinheiro em poder da 13ª Vara Federal de Curitiba para bancar uma campanha publicitária a favor da "lava jato". A ideia de Deltan era que a vara financiasse a produção de um vídeo a ser veiculado na TV Globo para divulgar os projetos de reformas legais que os procuradores chamaram de "dez medidas contra a corrupção".

MP-RJDeltan Dallagnol pediu dinheiro a Moro para pagar vídeo em defesa das "dez medidas contra a corrupção"

A ideia foi apresentada a Moro pelo Telegram no dia 16 de janeiro de 2016: "Vc acha que seria possível a destinação de valores da Vara, daqueles mais antigos, se estiverem disponíveis, para um vídeo contra a corrupção, pelas 10 medidas, que será veiculado na globo?? A produtora está cobrando apenas custos de terceiros, o que daria uns 38 mil. Se achar ruim em algum aspecto, há alternativas que estamos avaliando, como crowdfunding e cotização entre as pessoas envolvidas na campanha".

A conversa foi divulgada nesta segunda-feira (15/7) pelo jornalista Reinaldo Azevedo, da rádio BandNews FM, em parceria com o site The Intercept Brasil.

Depois de expor sua ideia a Moro, Deltan enviou ao ex-juiz o roteiro do vídeo. A propaganda seria um ladrão de terno e grava invadindo "uma casa de família de classe média" e roubando coisas, para dar ideia de que "a corrupção atinge a sua vida de tantas formas que você nem percebe", como diria uma narração.

Um dia depois, Moro respondeu a Deltan que achava possível aquele valor, mas iria avaliar e respondeu depois. "Se for so uns 38 mil achi [quis escrever "acho"] que é possível. Deixe ver na terça e te respondo".

O vídeo foi produzido, mas, ao que tudo indica, não foi veiculado na Globo [veja no final do texto]. Mas a destinação de dinheiro em poder de varas judiciais para campanhas publicitárias é ilegal. Esse dinheiro, proveniente de multas, custas e outras verbas, embora fique em poder do Judiciário, pertence ao Tesouro. No caso da Justiça Federal, ao Tesouro Nacional.

A divulgação acontece um dia após uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo mostrar que Deltan queria abrir empresas de eventos para lucrar com a fama obtida na operação "lava jato" dando palestras.

Para evitar questionamentos legais e críticas, a ideia era que as empresas fossem gerenciadas pelas mulheres dele e do procurador Roberson Pozzobon.

Revista Consultor Jurídico, 15 de julho de 2019, 19h54

Comentários de leitores

23 comentários

Mais Um Panfleto Partidário

Arthur S. Costa (Consultor)

Antes, eu podia confiar neste site. Acabei de me registrar. Apesar de saber que minhas palavras não terão nenhum impacto, quero dizer apenas que não sou só eu. Muitos tomaram este baque ao ver que o Conjur está parecido com a revista "Tititi". O texto pobre, a parcialidade. Sabemos que a OAB é basicamente um reduto hoje de petistas, mas pensei que este site fosse mais imparcial e livre. Uma vergonha ein! Perde toda a credibilidade, quero ver depois para reconquistá-la...

Essas mensagens são verdadeiras?

ANS (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Tudo que se sabe é que houve uma violação criminosa privada de um juiz.
O que deixa ainda perplexo é o fato de um jornal que se diz jurídico dar azo a esse tipo crime, como se fosse normal um bandido grampear suas conversas.
Incrível!

Como pode um jonal destacar

ANS (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Eu não consigo entender o quão alguns da imprensa de forma escancarada tentam denegrir a imagem de um juiz e de um procurador de forma tão vil...? O que se torna claro é o fato de atingir o governo, evidente! Agora, com aplausos a corrupção nos faz sentir com nojo.
Será o corte da verba na Lei Rounet? Não entendo isso...Até entendo o lado de alguns advogados criminalistas famosos por defender essas figuras nefastas... mas a imprensa? Estamos próximos de se tornar uma Venezuela... É só uma questão de tempo.

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