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Dallagnol quis abrir empresa de palestras para lucrar com fama da "lava jato"

Mensagens escritas pelo procurador Deltan Dallagnol apontam que ele pretendia abrir uma empresa de eventos e, assim, lucrar com a fama obtida na operação "lava jato" dando palestras.

Dallagnol queria aproveitar "networking e visibilidade" para criar empresa de eventos
Divulgação/Ascom PR-SP

Os diálogos mantidos pelo aplicativo Telegram foram divulgados neste domingo (14/7) pelo jornal Folha de S.Paulo, em parceria com o site The Intercept Brasil. 

De acordo com a reportagem, Dallagnol montou um chat no fim de 2018 com o procurador Roberson Pozzobon para discutir a criação de uma empresa em que eles não apareceriam formalmente como sócios, para evitar questionamentos legais e críticas.

A ideia era que as empresas fossem gerenciadas pelas mulheres de ambos. Em uma mensagem à própria esposa, Dallagnol explicou o plano: "Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade".

"Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k [R$ 100 mil] limpos até o fim do ano. Total líquido das palestras e livros daria uns 400k [R$ 400 mil]. Total de 40 aulas/palestras. Média de 10k limpo", disse o procurador.

As mensagens mostram ainda que Dallagnol incentivava outras autoridades ligadas ao caso a dar palestras remuneradas, entre eles o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro. Segundo o jornal, o procurador também convidou o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, a quem disse sentir saudades. 

Até o momento não foi registrado em cartório ou Junta Comercial a constituição de empresa de eventos em nome das mulheres dos procuradores ou de algum instituto em nome deles.

Dallagnol viajou a uma série de municípios brasileiros. Sempre que foi questionado sobre as palestras, o procurador argumentava que sua atuação visava promover a cidadania. Em 2017, a atividade chamou a atenção da imprensa e dos deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ), que pediram a abertura de um procedimento disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O caso, no entanto, foi arquivado sob argumento de que a maior parte do dinheiro das palestras foi destinada a entidades filantrópicas. Além disso, o conselho entendeu que as palestras se enquadravam como atividade docente, o que é permitido por lei.

Revista Consultor Jurídico, 14 de julho de 2019, 11h09

Comentários de leitores

14 comentários

Senhores ministro do stf, não se acovardem...

JCCM (Delegado de Polícia Estadual)

Senhores Ministros do STF, não se acovardem e restabeleçam a ordem legal em nosso País. Em tempos de um judiciário proativo, afrontando o anseio popular, já que ao Congresso cabe a formulação das leis, diante de representatividade adquirida nas urnas, devendo acabar essa promiscuidade a que vimos assistindo onde alguns magistrados desta Corte escolhem quais as leis que devam valer ou não, lhes dando sentido ou eficácia que o legislador não conferiu, passa da hora de voltarmos os olhos com seriedade para o tema e devolvermos a segurança jurídica de que ninguém se submeterá ao inventado ou ao mero capricho em detrimento do direito posto.
Agora que, assombrados, tomamos conhecimento das manipulações e manobras executadas pelo magistrado e pelo procurador, liderando um grupo de servidores que do mesmo modo se colocaram acima de qualquer ordenamento legal, fazendo de uma apuração criminal um palco na busca de lucros, prêmios, notoriedade, cargos eletivos, embebecidos pelos holofotes da mídia marrom, não dá mais para continuar a babel, a balbúrdia, chegando o momento de se enfrentar os danos causados, responsabilizando-os, inclusive, pelo dispêndio Estatal para a consecução de um trabalho porco, gerando nulidades insanáveis. Eles, mal feitores, péssimos profissionais, merecem punição sem qualquer adulação, agora dentro do estrito cumprimento de um processo legal, que eles mesmo negaram aos seus alvos.

Sr. Boris, apenas afirmo que o ex-presidente Lula, em uma palestra, tem muito mais o que dizer do que os travestidos procuradores em palestrantes. Tanto esta afirmação é verdadeira que o "alfabetizado" juiz em seu conluio o impedira por meios fraudulentos de participar das últimas eleições. Seria humilhante para o atual Chefe do Executivo, agora seu patrão.

Criminalidade institucional

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Como se sabe, o Brasil é o País da criminalidade. Há que se fazer, no entanto, uma distinção quanto a essa afirmação. Ao contrário do que é comumente apregoado, a criminalidade no Brasil não se concentra como se supõe erroneamente entre os negros de periferia. A criminalidade aqui no Brasil, faz-se presente dezenas de vezes em comparação a outros países, entre os cidadãos de classe média-alta, notadamente aqueles que exercem funções estatais. Eles próprios, os delinquentes, tentam enganar a população fazendo crer que o problema da criminalidade é algo incontornável, e que somente a mudança de leis (que quase sempre na verdade é maiores condições para que essa classe de criminosos pratiquem ainda mais crimes) trará um pouco mais de segurança. Como resultado, nós temos uma sociedade das mais violentas do mundo, superando inclusive países em guerra em número de homicídios. É uma situação resultante da criminalidade e da ineficiência presente nas Polícias, no Ministério Público e no Judiciário. Não se investiga. Não se denuncia de forma competente e no prazo correto. Não se julga com isenção e em prazo razoável. No entanto, embora sejam incontáveis os vexames em matéria de acobertamento de delinquentes ao longo dos últimos anos, salta aos olhos a impunidade que já vem sendo conferida em favor de Dallagnol e seus comparsas. Os diálogos divulgados, que nesta altura já não podem mais serem admitidos como falsos ou fraudulentos, indicam uma ampla cadeia de delitos praticados no exercício da função pública, que pela lei brasileira quando somados leva a penas longas. Dallagnol, que em qualquer outro país do mundo estaria preso, incomunicável (para não combinar versões com os demais comparsas) e com os bens expropriados. Aqui, tristemente, ainda é herói.

O que sei, é que há muito assunto a feder como fezes

Bacharel em Direito e pós graduado (Assessor Técnico)

Ao "professor Édson" e outros. Nada é mentira; nada está alterado; nada está sendo desmentido; nada tenha-se como maldito - tudo está sendo bem-dito. Tem muito mais para sair e sabermos. Há gente grande, principalmente de Cortes Superiores que, como se diz no adágio popular: "está torando o aço". Quando for publicado certamente irão dizer: "não conheço a autenticidade, por ser de forma criminosa". Pergunto-vos mais uma vez: Pela provocação do Judiciário, haveria deferimento e/ou julgamento procedente do pedido? Claro que não. Tudo continuaria embutido. A podridão é grande! Alguém quer se exonerar da Magistratura para ser Ministro? Se apoia Bolsonaro, há vaga aberta. Quem quer fritar hamburger, para ser diplomata? Quem quer ser amigo dos filhos do presidente dos EUA, para ir à Diplomacia? Talvez, falando um pouco de inglês e espanhol, o processo, a ida, a aprovação pelo Senado (o que será por certo) acelere e seja célere. Bom, imagina-se que, quando mais o assunto for sendo mexido, irá feder como fezes mexidas. Ademais, até agora tudo só sobrou para o LULA, de quem cujas condenações (afora as que virão) sequer transitou em julgado. Ou já transitou e eu estou desinformado?

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