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"Vaza jato"

Coaf e Paulo Guedes negam pedido de investigação de contas de Greenwald

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Em resposta a pedido de explicações do Tribunal de Contas da União, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente substituto do Coaf, Jorge Luiz Alves Caetano, negaram que tenham pedido investigação das contas bancárias do jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil.

Elza Fiúza / Agência BrasilCoaf negou ter pedido investigação das contas do jornalista Glenn Greenwald

A informação começou a circular no dia que o ministro da Justiça, Sergio Moro, foi à Câmara dos Deputados dar explicações sobre as mensagens trocadas com o procurador Deltan Dallagnol quando estava à frente da "lava jato". As mensagens foram vazadas pelo Intercept. Há um inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar se houve invasão a celulares de Moro e dos procuradores da "lava jato", mas o ministro não respondeu se havia pedido ao Coaf dados sobre as movimentações financeiras de Greenwald.

O Coaf, no entanto, faz parte do Ministério da Fazenda, hoje Economia. Guedes disse ao TCU que "não tomou parte de nenhuma questão relacionada aos fatos, não havendo, por conseguinte, orientado ou determinado nenhuma providência por parte do Coaf em eventuais investigações levadas a efeito". 

Já o Coaf informou que não faz investigações, nem mesmo a pedido da Polícia Federal ou de qualquer outro órgão, e também não analisa as contas de pessoas físicas e jurídicas. Apenas produz relatórios sobre movimentações atípicas ou acima de determinado valor. "Jamais será o Coaf a vasculhar contas bancárias em busca de operações suspeitas de lavagem de dinheiro. Além de ser materialmente impossível, já que o Coaf não dispõe de acesso direto a contas bancárias, falta-lhe competência legal para tanto", disse Caetano.

Ainda na resposta, o Coaf disse que o seu dever de ofício é difundir relatório de inteligência financeira (RIF), quando houver indícios da prática de lavagem de dinheiro ou de outros ilícitos. "Não compete ao Coaf atender a pedidos de RIF feitos pela Polícia Federal", completou o órgão. 

Alegando que a Constituição impõe sigilo tanto sobre "intercâmbio porventura iniciado pela PF quanto eventual RIF disseminado", o Coaf afirmou, por fim, que "não se pronuncia sobre casos específicos, tampouco acerca de matérias e especulações jornalísticas ou de qualquer natureza".

O pedido de explicação
Na última quinta-feira (04/7), o Ministério Público Federal junto ao TCU pediu que o tribunal informasse se o Coaf realmente estava analisando as movimentações financeiras de Greenwald. Na ocasião, o procurador Lucas Furtado afirmou que uma eventual análise das contas do jornalista pelo Coaf seria uma "retaliação à divulgação de mensagens", o que fragilizaria a liberdade de imprensa.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 9 de julho de 2019, 18h13

Comentários de leitores

5 comentários

"Vasa jato": Perda de tempo e de propina paga ao site.

Carlos Bevilacqua (Advogado Autônomo)

Escândalo encolhido, sensacionalismo barato, murcho, afundando. Tentam forjar com isso uma espécie de propaganda, buscando extrair de conversas absolutamente normais uma falsa perseguição política, uma ilegalidade, uma ilicitude – pura histeria militante. Nada mais que panfletos falaciosos, insistentes, lançados fanaticamente, gota a gota, até que seus autores acabem por se afogar. Os (des)informantes demonstram deficiência e inconsistência de argumentos. Utilizam-se da antiga e conhecida técnica de lavagem mental da repetição: “Minta, minta sempre, alguma coisa ficará” (Voltaire), “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” (atribuída a Joseph Paul Goebbels)... Os menos lúcidos, vulneráveis à "imunização cognitiva", acabarão acreditando.

Às vezes o "crime" compensa? Compensa!

Bacharel em Direito e pós graduado (Assessor Técnico)

Certo é que, se qualquer executor de função e serviço públicos (principalmente), fizer o certo - o que é para se fazer, não terá nenhum problema com escuta "clandestina" ou clandestina. Destarte, se alguém tentar/procurar vasculhar o que irá encontrar de errado? Obviamente, nada. O problema é que os que entram em conluio seletivo para selecionar alguém já selecionado, ficam em alvoroço e defecando-se de medo, pelos vazamentos das conversas tramadas que tramaram em conluio. Pergunto-vos: Haveria outra forma para que tivéssemos conhecimento do que está vindo à tona, se não fosse da forma que está vindo? Nunca. Porventura, caso alguém houvesse peticionasse (provocado) o Judiciário em qualquer Unidade Judiciária/Vara/Comarca/Instância/Cortes para ter acesso e conhecimento às conversações e aos áudios que estão sendo publicados, seria atendido? Teria o pleito deferido ou o julgamento procedente? NUNCA. Por isso não é para compensar, mas nesse caso e noutras situações análogas o "crime" até compensa; já que, pela(s) via(s) legal(is) o peticionário NUNCA seria COMPENSADO. Sou servidor concursado do Judiciário, do TJ..., há quase 25 anos. Não tenho uma gota de medo de alguém vasculhar meus telefones; de me gravar às escondidas, pq as conversas que encontrarem não irá lhes interessar. Pois bem. O bom de tudo é que a partir de agora, "autoridades" que gostam de conluios, pensem antes de praticarem seus conluios. É o que imagino.
Quer criticar? Sinta-se à vontade e seja FELIZ.
9.9984-6900

A mentira tem perna curta

J. Ribeiro (Advogado Autônomo - Empresarial)

O cerco está sendo fechado. A farsa está sendo apurada e identificada os seus idealizadores e financiadores. Se trata de verdadeiro vigarista digital e não de jornalista.
Se advogados estiverem envolvidos nessa trama de vigaristas, devem ser exemplarmente punidos, inclusive o presidente da instituição.

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