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Propagação de notícias falsas

OAB pede que PF investigue quem atacou Felipe Santa Cruz no Facebook

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O presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz, tem sido alvo de notícias falsas depois de ter dito que a operação "lava jato" não deve durar para sempre. As publicações enganosas já têm mais de 100 mil compartilhamentos no Facebook. 

Diante disso, a OAB pediu providências para a Polícia Federal. A PF já teve acesso a uma lista dos usuários do Facebook que estariam por trás dos ataques. Entre eles, está um perfil do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, e Leandro Ruschel, que se apresenta no Twitter como "conservador" e "especialista em investimentos", além de perfis que criticam as atuações da oposição. 

Ruschel, entretanto, não divulgou informações falsas, apenas questionou Santa Cruz sobre como a operação poderia ser encerrada. "O presidente da OAB quer o fim da Lava Jato. O que ele está defendendo exatamente? Prevaricação na cara dura mesmo? Você percebe o quanto a justiça de um país foi destruída quando o presidente de uma associação de advogados defende abertamente a impunidade", disse no seu perfil do Twitter

Fake News
Entre os fatos mentirosos contra Santa Cruz nas redes sociais está uma foto de apoio ao italiano Cesare Battisti, preso e extraditado em janeiro deste ano. Um boato antigo dizia que a pessoa na foto é um filho do ex-presidente Lula. Na verdade, é André Vitral, ex-diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE). Ele mesmo divulgou a foto no Twitter, em 2009.

Outra mentira divulgada no Facebook foi que o pai de Santa Cruz, Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, foi guerrilheiro junto com a ex-presidente Dilma Rousseff. Ele era estudante da Universidade Federal Fluminense (UFF), servidor público e líder estudantil que participou da Juventude Universitária Católica (JUC), movimento da igreja católica reconhecido pela hierarquia eclesiástica, e que depois integrou a Ação Popular (AP), organização de esquerda contrária ao regime. Não há qualquer registro de sua participação em guerrilhas.

O pai de Felipe desapareceu em 1974, no Rio de Janeiro, pois de ter ido passar o carnaval com a família. Na época, Felipe tinha apenas dois anos de idade.

Sem licitação
Em outro post divulgado no Facebook, Santa Cruz é acusado de ter assinado contratos sem licitação com a Petrobras e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Entretanto, a Lei de Licitações dispensa licitações para contratação de advogados se for comprovada a singularidade e qualificação especial do escritório contratado. 

Outra alegação seria uma suposta ação de Santa Cruz contra o ministro Sergio Moro no Conselho Nacional de Justiça, o que nunca aconteceu. Há inúmeras representações contra o juiz no CNJ, nenhuma delas assinadas ou motivadas por Santa Cruz.

*Texto alterado às 18h59 do dia 14/2/2019 para acréscimos.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 14 de fevereiro de 2019, 13h44

Comentários de leitores

5 comentários

Tempos complicados, realmente

frank_rj (Outro)

Difícil entender os comentários. O texto é claro em dizer que o cara está sendo vítima de notícias falsas.
Neste ambiente dirigido ao público jurídico, torna-se realmente complicado, sob qualquer ângulo, defender o direito de crítica através de fake news.

Despreparo

O IDEÓLOGO (Outros)

O despreparo do Senhor Felipe Santa Cruz para aceitar críticas, é o mesmo que tem para exercer a Presidência da OAB Federal.
Vade retro F. Santa Cruz.

AP - Ação Popular

Eududu (Advogado Autônomo)

A Ação Popular era uma das várias organizações subversivo-terroristas que atuavam movimento estudantil durante o regime militar.

Em 25 de julho de 1966, ocorreu um atentado terrorista no aeroporto de Guararapes, em Recife, no qual morreram o jornalista Édson Régis de Carvalho e o almirante Nelson Gomes Fernandes, além de ferir outras 13 pessoas, como o guarda civil Sebastião Tomaz de Aquino, que perdeu uma perna, e o tenente coronel Sylvio Ferreira da Silva, que perdeu os dedos de uma das mãos.

O alvo do atentado era Costa e Silva, candidato da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) à Presidência da República, e sua comitiva. Uma mala com a bomba foi deixada no saguão do aeroporto.

Segundo registros históricos o autor do atentado era integrante da AP:

“Membro da comissão militar e dirigente nacional da AP, Alípio de Freitas encontravas-se em Recife em meados de 1966, quando se anunciou a visita do general Costa e Silva, em campanha farsesca de candidato presidencial pelo partido governista Aliança Renovadora Nacional ( ARENA). Por conta própria Alípio decidiu promover uma ação realista dos ensinamentos sobre a técnica de atentados.”...

"Em entrevista concedida a Sérgio Buarque de Gusmão e editada pelo Jornal da República, logo depois da anistia de 1979, Jair Ferreira de Sá revelou a autoria do atentado do Aeroporto de Guararapes por militantes da AP.
Entrevista posterior, ao semanário Em Tempo, referiu-se a Raimundo como um dos participantes da ação. Certamente, tratava-se de Raimundo Gonçalves Figueiredo, que se transferiu para a VAR-Palmares (onde usava o nome de guerra Chico) e morreu, a vinte e sete de abril de 1971, num tiroteio com policiais do Recife.”

(Gorender, Jacob. Combate nas Trevas. 5ª edição. São Paulo – Ática, 1998)

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