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Jornalista denuncia extorsão em operação anticorrupção na Argentina

O argentino Horacio Verbitsky, jornalista e analista político, denunciou, nesta semana, o advogado Marcelo D'Alessio por ter extorquido o empresário Pedro Etchebest, acusado pelo promotor federal Carlos Stornelli por benefícios ilegais a uma empresa agropecuária. 

O caso faz parte do Caso dos "Cadernos K", uma espécie "de lava-jato" argentina que investiga um esquema de corrupção de empreiteiras argentinas durante o governo de Cristina Kirchner, que devastou vários setores do país. 

De acordo com a denúncia, o advogado exigiu suborno de US$ 500 mil para deixar o empresário fora da investigação por envolvimento em crimes mencionados pelo ex-presidente da Oficina Nacional de Control Comercial Agropecuário (Onca), a agência reguladora do setor, Juan Manuel Campillo.

Além de ser amigo do promotor Stornelli, Marcelo D'Alessio é sobrinho de Carlos Marcelo D'Alessio, o escrivão geral do governo. Em sua defesa, D'Alessio afirmou que ele usou suas próprias técnicas de investigação para seguir as pistas de fatos de corrupção que são atribuídos a Juan Manuel Campillo, que está ligado a Etchebest.

Filmagens
De acordo com a denúncia, o jornalista teve acesso as filmagens do primeiro pagamento, os áudios e as mensagens gravadas.  Na ocasião, o adiantamento de 15 mil dólares foi documentado. O jornalista afirma que o acordo acabou sendo fechado em US$ 300 mil  e D'Alessio teria cobrado quinta-feira (7/2), acompanhado por dois policiais da custódia de Stornelli. Sobre a aparição de áudios e vídeos que o envolveriam em atos criminosos, D'Alessio argumentou que "eles serão esclarecidos no tribunal".

Quanto aos diálogos com Etchebest que são mostrados nas imagens, o advogado disse que "em termos reais eles não têm outra finalidade além da efetivamente alcançada, onde assume um conjunto de conexões de denúncia". 

Todo o conteúdo dos diálogos "não tem nenhum tipo de controle", diz D'Alessio. Em outra declaração, o advogado afirma que "esta investigação não foi encomendada pelo promotor Stornelli, nem pela DEA Argentina, agencia americana de controle de drogas. 

D'Alessio afirma trabalhar para organizações internacionais e ser da DEA. Entre os materiais que enviou a Etchebest para ressaltar sua influência, há imagens e documentos de procedimentos de combate ao narcotráfico realizados em várias partes do mundo. 

Conhecido da Justiça
Não foi o primeiro conflito que Etchebest teve com justiça. O empresário já foi processado pelo juiz federal de Mar del Plata Santiago Inchausti por redução à servidão de trabalhadores rurais que realizavam tarefas em seus campos de Sierra de los Padres.

Revista Consultor Jurídico, 9 de fevereiro de 2019, 11h43

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