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Pacote "anticrime"

De férias, Moro segue em cruzada contra juiz das garantias; especialistas rebatem

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Comentários de leitores

7 comentários

"Dize-me com quem andas ..."

Paulo H. (Advogado Autônomo)

Na linha do que disse o colega Daniel, é muito didático observar quem são os defensores do Juiz de Estorvo. Aliás, nunca é demais lembrar a origem viciada da coisa (o jabuti do Freixo).

A coisa toda é de uma simplicidade irritante: o Judiciário nunca foi capaz de atingir as estrelas da corrupção política, que seguiam reluzindo (nem tão belas nem tão formosas) no firmamento inacessível. Pois bem, a Operação Lava Jato (sobretudo ela) começou a alcançar essas alturas. Logo, a reação do crime não poderia ser mais óbvia: cortar as asas do Judiciário para que este não mais atinja essas alturas. Daí a criação do Juiz de Estorvo, Juiz de Prescrição, Juiz de Nulidade, ou Juiz das Garantias (para quem preferir a hipocrisia legal).

O juiz assoberbado da Comarca "X" e "Y"

321 (Advogado Autônomo - Civil)

Será mesmo que alguém possa pensar que a atual estrutura do Judiciário comportaria que os Juízes das Comarcas "X" e "Y" sejam reciprocamente "juízes das garantias" um do outro, sendo que tanto o Juiz da Comarca "X" ou "Y" muito provavelmente cumulam a Comarca "Z" e "W" e ambos também processam e julgam todas as demais demandas, isto é: consumidor, cível, eleitoral, idoso, criança, mulher, execução, audiências, cartas precatórias, juiz tabelar, direção do fórum e distribuidor, tem férias de 60 dias, etc, etc, etc, etc....

luta mesmo ! Parabéns

daniel (Outros - Administrativa)

Diminuiu a violência e a corrupção. Enquanto os que defendem os desvios estão eufóricos com a pretensão da garantia da impunidade.

Servidor público de méritos.

O JR (Advogado Autônomo)

São justas e merecidas viagens de descanso ao Exterior três ou mais vezes por ano.
Todo trabalhador brasileiro - servidor público ou não - dedicado (e bem remunerado) as merece. Por quê então a celeuma?

O pai da criança

olhovivo (Outros)

É realidade inegável que o grande responsável pela introdução da novidade no sistema processual penal é o próprio Moro, pois, como demonstrou a vaza jato, a PF e o MPF combinavam com ele as prisões cautelares, sugestão de testemunhas, buscas, conduções coercitivas - muitas dessas medidas ilegais - o que contaminava sua isenção e imparcialidade para julgar. Era um misto de juiz/investigador/acusador. O sr. Moro, portanto, é o pai da criança indesejada por ele.

Acredito que o tempo de 30 dias foi exíguo. Mas..

Weslei Estudante (Estagiário - Criminal)

Acredito que o tempo de 30 dias foi exíguo, merece um tempo bem maior para implementação. Mas a positivação é formalmente constitucional e boa, na minha opinião. Ora, quando foram criados os juizados especiais também tínhamos toda a estrutura?

O que favorece “criminoso” não é o juiz das garantias, pois estes serão juízes atuais que irão aplicar o ordenamento vigente, que, aliás, a pena foi aumentada para 40 anos. E que os prazos prescricionais sejam modificados ou sejam criados novos marcos interruptivos se necessário.

O Ministro Moro era um grande nome, mas depois que virou político tivemos pedido de desculpas de caixa dois, conversas entre atores processuais (vide episódio do MBL confirmada por ele mesmo) etc..

Óbvio que ele faz o papel dele, mas não é um exemplo de imparcialidade e combate erga omnes contra o “crime”. Novamente, vide episódio do caixa dois. Por óbvio, isto se aplica aos demais políticos.

Ou Moro está de férias, ou está numa cruzada. Decidam-se!

Paulo H. (Advogado Autônomo)

No afã de atacar o Ministro muitos se dão ao luxo de prescindir da lógica.

As críticas ao Juiz das Couves, digo, das Garantias - jabuti do Freixo (preocupadíssimo com o combate à criminalidade, claro) - não vêm evidentemente somente do Ministro Moro. A este, porém, justamente por ocupar o cargo que ocupa, incumbe alertar sobre o retrocesso em termos de combate à criminalidade representado pela figura do juiz das couves.

Trata-se, portanto, do ministro cumprindo diligentemente sua função. O resto é resto.

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