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Juíza dá bronca por advogada do Metrô ser cruel contra ex-empregado

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Em um processo no qual o Metrô foi condenado a pagar pensão, danos morais e estéticos a um ex-empregado, o que chama a atenção é o pito levado pela empresa por motivos quase inacreditáveis. A advogada da companhia foi repreendida por tocar de propósito a mão do trabalhador que tinha os dedos amputados por conta de um acidente no trabalho. 

Metrô foi condenado por não fazer sinalizações adequadas de carga elétrica
Divulgação

O trabalhador atuava como eletricista no Metrô. Ao entrar em um cubículo não isolado, levou choques que provocaram queimaduras graves e ferimentos que o fizeram se aposentar e perder dedos de uma das mãos.

Ele entrou com processo alegando que a empresa não fez as devidas sinalizações. A Justiça do Trabalho lhe deu razão. 

Porém, o que mais chama a atenção é o relato feito pela juíza Luciana Bezerra de Oliveira sobre uma atitude mais condizente com uma tortura de um mocinho que cai nas mãos do vilão do filme. 

"Durante a última audiência causou surpresa ao Juízo a atitude da patrona da reclamada que, mesmo percebendo que o reclamante está com extrema dificuldade em se locomover e com machucados perceptíveis em seus membros superiores, fez questão de tocar o braço ferido do reclamante e tentar tocar sua mão com os dedos amputados, em ato de extrema crueldade, deixando o reclamante extremamente constrangido e visivelmente dolorido no local em que a advogada o tocou. Lamentável", disse a juíza. 

Placas confusas 
Sobre o mérito do pedido, a juíza entendeu que a o acidente ocorreu por conta de deficiência do Metrô em colocar "placas e sinalizações dos cubículos energizados, o que levou o autor, um empregado altamente qualificado e experiente, com 42 anos de prestação de serviços em benefício da ré, ao grave acidente do trabalho".

A empresa terá de pagar ao trabalhador pensão mensal de R$ 6.360,06, equivalente à soma de seu salário com gratificação por tempo de serviço, até seus 80,9 anos de idade. Pagará ainda 50 salários do autor da ação a título de danos morais e 25 referente aos danos estéticos. Terá de arcar, ainda, com despesas médicas e honorários periciais relativas à causa. 

O trabalhador foi defendido pela banca Carlos Lopes Campos Fernandes Sociedade de Advogados.

Clique aqui para ler a decisão
1000644-02.2018.5.02.0005

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 13 de dezembro de 2019, 16h25

Comentários de leitores

8 comentários

E o episódio diz MUITO sobre a importância da ADVOCACIA PRIV

Eduardo. Adv. (Advogado Autônomo)

Vejam: tratou-se de ação movida contra uma empresa...PÚBLICA.
Empresa esta que conta com procuradores concursados.
Ora, ora... O abuso foi perpetrado por alguém concursado, fato que corrobora a imagem que o povão tem daqueles que se sustentam dos recursos públicos. Tais abusos se repetem em balcões de fóruns, por exemplo.
Ademais, litigar com empresa tão forte como o Metrô... A ADVOCACIA privada novamente sendo o braço forte contra os abusos do Estado e dos seus agentes!
Quando o calo aperta, é a ADVOCACIA que traz o justo reconforto ao injustiçado.

Parabéns ao ADVOGADO do reclamante...

Eduardo. Adv. (Advogado Autônomo)

Se esqueceram do advogsdo do autor, que obteve êxito na causa. O mote é sempre criticar a advocacia.
E por acaso os "liberais" aplaudem a Justiça do Trabalho...
"“já chegam mostrando a carteirinha da OAB”.
Ela agora estuda Direito e se prepara para entrar para a Polícia Federal. 'Quero ser delegada'."
Quis fazer estrago com.um talão ver multa e não deu certo. Agora quer um distintivo, arma e poder?
Agora tem lei de abuso de autoridade.
De resto, age como agem tantos servidores descompromissados.

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