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Cortina de fumaça

Deltan tira ação da cartola para atenuar impacto de sua fundação

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Foi com bastante naturalidade que a auto apelidada “força tarefa” da autoproclamada “operação lava jato”, na sua pretensa luta do bem contra o mal, chamou suas vítimas de corruptos, ladrões e termos assemelhados. Bem verdade que alguns eram mesmo. Mas os que não eram, bem poderiam ajustar contas com os acusadores.

Fernando Frazão/Agência BrasilO procurador da República Deltan Dallagnol

Foi o que fez, na semana passada, o procurador da República Deltan Dallagnol contra a União, para atingir o ministro Gilmar Mendes, do STF, que não economizou ao chamar o pessoal de Curitiba de organização criminosa, cretinos, desqualificados, patifes e covardes.

Gilmar reagiu depois de confirmar as suspeitas sobre a origem das centenas de falsas acusações, ilações e suposições publicadas a seu respeito. Vinham de Curitiba, como se viu nos diálogos obtidos pelo The Intercept Brasil.

Essa não foi a única vez em que Deltan crispou-se. Quando o ex-presidente Lula ingressou com ação de reparação por danos morais contra ele, reagiu: era uma tentativa de intimidação.

O então juiz Sérgio Moro mostrou os dentes: perguntou ao ex-presidente se a iniciativa fora dele ou coisa de seus advogados.

É claro que para Dellagnol o seu famoso powerpoint não ofendeu ninguém.

Logo, acusar e ser acusado é algo comum nesse campo. Por que então, depois de ser chamado pelo nome tantas vezes, Dellagnol resolveu processar a União?

Não é difícil concluir. É tentativa de jogar penumbras sobre o barulho que fará o julgamento de um delito com desfecho previsível: a audaciosa manobra para se criar a Fundação Dellagnol, às custas de cerca de R$ 2,5 bilhões da Petrobras.

A cortina de fumaça é bem vinda para quem foi denunciado pela própria Procuradoria-Geral da República de fraudar acordo internacional, com dinheiro dos brasileiros.

O Conselho Nacional do Ministério Público, dessa vez, não terá como se esquivar. Para reforçar a cobrança, deputados petistas ingressaram, mês passado, com nova representação — recheada de documentos e provas.

A aposta de Deltan — que provavelmente sabe como seus conterrâneos de Curitiba reagirão à sua ação — é que, no STF, sua ação caia nas mãos de algum ministro com quem Gilmar se tenha desentendido. Algo que o ministro Sérgio Moro poderá considerar uma tentativa de intimidação.

Não deixa de ser pitoresco que o procurador tenha convocado para representá-lo o mesmo advogado que representou Habib Chater, o doleiro dono do Posto da Torre que operava para Alberto Youssef.

Foi esse posto que emprestou o apelido para o processo em torno de fornecedores de serviços para a Petrobras e que fez de Curitiba sede do Juízo Universal para todos os assuntos e pessoas.

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 é diretor da revista Consultor Jurídico e assessor de imprensa.

Revista Consultor Jurídico, 9 de dezembro de 2019, 21h21

Comentários de leitores

15 comentários

Artigo tendencioso

Gabrielle Santos (Estagiário)

Certamente a escolha da representação processual levou em conta a notoriedade do douto advogado que atua de forma profissional e com conduta compatível aos preceitos do Código de Ética e Disciplina da OAB, o que infelizmente não se pode dizer do magistrado que figura como parte do processo em questão.

A revista tem lado

Rogério Brodbeck (Advogado Autônomo - Civil)

Em se tratando o articulista de diretor da revista (com o perdão pela rima...), vê-se que o artigo não é uma simples opinião de um colaborador qualquer. É a do diretor da publicação, logo já reflete o lado da mesma: anti-Lava Jato, pró-Lula et turma... Sem mais...

Advogado de dallagnol

Maitê G (Outros)

Deve ter escolhido o advogado porque viu que é um bom profissional.

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