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Pressão pela imprensa

"Lava jato" vazava informações a jornalistas para intimidar investigados

Os procuradores da operação "lava jato" vazaram informações para a imprensa com o objetivo de pressionar os investigados. É o que revela a publicação de uma nova leva de mensagens trocadas entre eles e divulgadas pelo The Intercept Brasil, nesta quinta-feira (29/8). 

Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que vazava informações com o objetivo de intimidar investigadosOtavio Conci

A estratégia era debatida abertamente nos grupos de Telegram dos procuradores. No dia 21 de junho de 2015, Carlos Fernando Santos Lima, afirma: “meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração".

No mesmo dia, o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, avisa os colegas de que contou para um repórter que os Estados Unidos iriam começar a investigar Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da Odebrecht. 

A reportagem reproduz a mensagem que Deltan enviou ao jornalista. A notícia foi manchete de O Estado de S. Paulo no dia seguinte. 

O operador da Odebrecht era o Bernardo, que está na Suíça. Os EUA atuarão a nosso pedido, porque as transações passaram pelos EUA. Já até fizemos um pedido de cooperação pros EUA relacionado aos depósitos recebidos por PRC. Isso é novidade. Vc tem interesse de publicar isso hoje ou amanhã,SUPRIMIDO, mantendo meu nome em off? Pode falar fonte no MPF. Na coletiva, o Igor disse que há difusão vermelha para prendê-lo, e há mesmo. Pode ser preso em qualquer lugar do mundo. Agora com os EUA em ação, o que é novidade, vamos ver se conseguimos fazer como caso FIFA com o Bernardo, o que nos inspirou — disse Deltan Dallagnol ao jornalista. 

As mensagens mostram que Deltan mentiu em entrevistas. O procurador sempre disse que o MPF nunca havia vazado informações para a imprensa. 

Em uma entrevista para a BBC Brasil em abril de 2017, Dallagnol disse que "agentes públicos não vazam informações —a brecha estaria no acesso inevitável a dados secretos por réus e seus defensores”. Ao ser questionado diretamente se a força-tarefa fazia vazamentos disse: “Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram”.

Revista Consultor Jurídico, 29 de agosto de 2019, 11h31

Comentários de leitores

10 comentários

Paralisia institucional

C.B.Morais (Advogado Autônomo)

Como já expressou Marcos Alves, o que se espanta é que essas notícias não levam a nenhuma consequência. Antes suspeitavam de edição, mas o ex juiz pediu desculpas ao MBL, uma procuradora pediu desculpas sobre referências ao falecimento de familiares do Lula, um outdoor foi pago por um procurador, tudo comprovado, mas nada ocorre com eles. O lenga lenga é que os vazamentos de agora são ilegais e os do passado eram por interesse público. Uma paralisia geral, e o mar de denúncias se enchendo de vergonha.

E agora, CNMP?

Perspicaz (Outros)

Para que serve o art. 236, inciso II, da Lei Complementar nº 75/1993?
Com a palavra, o CNMP.

\"modus operandi"

olhovivo (Outros)

Os verdugos perceberam há tempos o poder artificial, mas devastador para o Estado de Direito, que esse papel de fonte in off/vazador lhes conferiu, diante do repórter desesperado e ávido por furos. Constrange não só potenciais delatores, mas comumente é utilizado para constranger juízes e ministros (muitos se acovardam) a não se atreverem a reconhecer direitos ou absolver aqueles já condenados pelos verdugos perante a opinião pública (diga-se, manada ignara). Veja-se o exemplo do procurador/palestrante Dallagnol: embora soubesse da fragilidade da denúncia (conforme revelado pela Vaza Jato), montou um show com power point e tudo para condenar o alvo perante a galera, antes de iniciada a ação. E a coisa colou. Vale dizer, suprem a ineficiência e a inépcia pelo poder de fonte/vazador/show man, o que, neste último caso, rende uma grana em palestras em face da notoriedade galgada às custas de processos penais.

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