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Declaração polêmica

Juíza de Sergipe diz que colegas do Judiciário fazem "teste do sofá"

A juíza de Sergipe Patrícia Cunha Paz Barreto de Carvalho deu uma declaração polêmica durante um congresso que discutia o papel da mulher no Judiciário. Ela disse que muitas advogadas e servidoras tiveram que fazer "teste do sofá".

"Ouço a história de várias carreiras, de delegadas, advogadas, advogadas com juízes, para uma liminar, teste do sofá. Meus colegas fazem às vezes teste do sofá", afirmou a magistrada em maio de 2018, durante o painel "gênero e a feminização da magistratura" no XXIII Congresso Brasileiro de Magistrados, promovido em Maceió.

"É muito delicado o tema, e não vem à tona. A gente ouve. Lógico que não vem a público. De repente você tem uma amiga que é servidora, então ela se sente à vontade para dizer. Mas é uma coisa velada, escondida, privada", completou Patrícia.

Revista Consultor Jurídico, 24 de agosto de 2019, 13h01

Comentários de leitores

3 comentários

Certeza da conivência e muitas cúpulas dos Tribunais

Carlos (Advogado Sócio de Escritório)

Ora, se 98% das reclamações de advogados e cidadãos são arquivadas pela Corregedoria do TJSP, por ex., o que dirá casos como estes interna corporis.

Qdo a questão dita pelo dr. Sérgio, sobre ser difícil "pegar" no concurso candidatos com desvios de personalidade/caráter, digo que não é difícil, é um questão de quem irá decidir mudar.

Estes problemas seriam quase zerados, caso tivesse de 3 em 3 anos, avaliação obrigatória por equipe totalmente independente e com posterior auditoria, psiquiátrica e psicológica de todos os magistrados. Afinal, muitos magistrado tem: ansiedade generalizada, síndrome de pânico, TOC, depressão, manias, neuroses e até psicoses.

É possível sim mudar o "mundo" e "submundo" do Judiciário. Só não muda pois não querem.

Uma revelação bombástica! Assédio sexual! (1)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

A revelação bombástica feita pela juíza de Sergipe, Patrícia Cunha Paz Barreto de Carvalho, paradoxalmente surpreende por um lado, mas não causa surpresa por outro.
Surpreende porque o Judiciário é, ou deveria ser, o repositório das últimas reservas morais de uma nação. Do contrário, nenhum de seus membros tem força moral para julgar e condenar outras pessoas.
Não surpreende porque as pessoas que encarnam as funções do Judiciários são pessoas humanas (por mais que alguns se achem uma espécie de deidade concursada), e pessoas erram (embora os juízes nunca admitam seus erros no lugar onde deveriam fazê-lo: nos autos do processo sob sua jurisdição) e não há vergonha em errar; há vergonha em não reconhecer o erro e, mais vergonha ainda em, reconhecendo-o, nada fazer para corrigi-lo. Outrossim, não causa surpresa porque, na condição de seres humanos, também se encontram nos juízes vícios, defeitos que muitas vezes superam as virtudes e os tornam indivíduos tão deploráveis e até abomináveis quanto a outras pessoas que não exercem a mesma função. O problema é que esses vícios nunca são passíveis de constatação por meio dos concursos de ingresso na carreira, e só raramente são investigados, e até mesmo causa de exoneração do cargo. Parece que medra no seio do Judiciário a falsa ideia de que devem ocultar da sociedade as mazelas de seus membros para evitar o desgaste e a perda de credibilidade da instituição, no que incorrem na falácia da composição, pois o vício de um ou muitos não representa defeito do Poder Judiciário. (continua)…

Uma revelação bombástica! Assédio sexual! (2)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

2(continuação)… O que representa defeito do Judiciário é o encobrimento dessas situações e a falta de catarse sempre que forem detectadas, e o espírito de corpo que conduz à resistência em reconhecer e investigar a existência de vícios maculadores, sempre que forem denunciados, usando o poder e a autoridade próprios da instituição para intimidar aqueles que teriam alguma crítica ou reclamação a fazer.
Por isso que tenho dito que o PL sobre o abuso de autoridade, aprovado recentemente e encaminhado para sanção presidencial, é um tiro n’água, uma lei fraca e que não será aplicada. Ou seja, é uma lei que não vai pegar.
Para ser eficaz, qualquer lei que sobre o abuso de autoridade deve devolver a competência das ações penais pela prática de abuso de autoridade ao júri popular, toda vez que se tratar de autoridade judiciária, o que se justifica porque todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Então, quando o detentor do poder de julgamento incorre em abuso da autoridade que possui para esse fim, o próprio poder de julgamento deve voltar para a fonte de que emana a fim de julgar se houve ou não abuso.
Só assim, talvez, se consiga conter os ímpetos exorbitantes de certas autoridades. Claro, para alcançar esse fim, são necessários Parlamentares com ‘P’ maiúsculo, sem o rabo preso, sem melindres e sensibilidades exagerada, e com uma compreensão melhor do que seja a democracia.
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

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