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Ser e estar com Celso ao lado: um jurista fiel a si mesmo

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O tempo fractal do presente deu-nos no STF como ancoragem o decanato do Ministro CELSO DE MELLO. Ser e estar com CELSO ao lado é fruir da gravitas que não foi capturada pela erosão da atualidade.

Uma saudação a um julgador abertamente genuíno se reconhece fora da retórica vulgar do prêt-à-porter, ou do falaz esplendor superficial próprio da clássica captatio benevolentiae.

Evidência notória da conjugação do verbo eximere, nosso decano dá exemplo de quem não se encastela nas frivolidades de salão, nos adornos da inteligência ilusória, e mais que isso: é daqueles que refutam elogios fáceis e sempre optam por seus princípios. É um juiz e um jurista fiel a si mesmo.

O fardo que os dias correntes depositaram no Tribunal e o ar rarefeito vivenciado encontram em CELSO ombros fortes e oxigênio suficiente para ser, sempre, a melhor das companhias. Aqui, vejo, sinto e testemunho que CELSO DE MELLO deitou raízes para caracterizar de modo indelével o STF, nele e com ele a ambiência foi dotada de significado maior.

Ter CELSO ao lado encabeça desideratum de todos os estudantes e estudiosos, de todos os juízes e jurisdicionados, de pessoas de todos os gêneros que vivificam uma sociedade aberta, plural e complexa.

CELSO ao lado significa resistência ao agravamento do senso comum teórico e da submissão da instância jurídica às contingências das estruturas dominantes.

CELSO ao lado revigora o necessário refinamento acadêmico para arrostar as acorrentadas mentalidades.

CELSO ao lado repele o reducionismo praxista e sem assombro enfrenta o desassossego. Uma das raras e proeminentes vozes fecundas sempre do lado de quem não se curva a argumentos de ocasião.

CELSO, sem favor algum, é um homem que, na conhecida expressão de Schopenhauer, tem lugar no apreço dos outros homens.

Ter o Ministro CELSO DE MELLO ao lado significa ter boas esperanças. Estar do lado de CELSO corresponde a construir, juntos, pontes sobre o abismal presente. As virtudes essenciais, a dignitas, a pietas, a iustitia sabem a gravitas em CELSO DE MELLO como integridade da vocação.

Ab imo corde.

 é ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.

Revista Consultor Jurídico, 17 de agosto de 2019, 7h00

Comentários de leitores

2 comentários

Fidelidade no erro

Holonomia (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Quem é fiel a si mesmo só pode estar sempre certo se for Deus ou se seguir fielmente Seus mandamentos, tornando-se a manifestação de Deus entre os homens, como Cristo, ou seu autêntico seguidor.
Celso de Melo parece ser um bom homem, pelo que não tenho o mínimo questionamento à sua pessoa, ou quanto às suas qualidades individuais.
Contudo, no plano das ideias, o respeito que eu tinha por ele se perdeu quando decidiu ser um revolucionário, rompendo, sem necessidade real, apenas por uma questão ideológica, com os mínimos parâmetros de legalidade penal e com a ciência jurídica secularmente constituída. E olhe que não estamos falando do holocausto, quando tal fenômeno já havia ocorrido, e poderia ser justificado.
Essas perdas de coerência, de todo modo, são esperadas de agnósticos, que são pessoas inseguras em questões de fé, e não existe Ciência sem fé, não estão nem lá e nem cá, o que é melhor, entretanto, do que ser ateu, que ou é burro, firme em um preconceito equivocado, tendo perdido o contato com a racionalidade, ou precipitado, toma uma conclusão antes de entender o funcionamento do mundo.
Portanto, ao contrário do que constou no texto, Celso contribuiu fortemente para a submissão da instância jurídica às contingências das estruturas dominantes, ao erro que prepondera na teoria do Direito, mostrando uma fidelidade ao erro.
www.holonomia.com

Calo nos olhos

Realista Professor (Professor Universitário - Criminal)

Pensa num texto ruim, cheio de termos em latim pra demonstrar erudição...

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