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Credibilidade afetada

"República de Curitiba" não tem abrigo na Constituição, diz Gilmar Mendes

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, vai direto ao ponto quando se trata da atuação exacerbada da autodenominada força-tarefa da "lava jato": "A chamada 'República de Curitiba' não tem abrigo na Constituição", afirmou nesta sexta-feira (9/8), em evento na Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp).

Divulgação/AaspGilmar criticou uso de instrumentos legais para extrapolar competências

Reportagens publicadas nesta semana em parceria com o site The Intercept Brasil mostram que procuradores falaram em impeachment do ministro e até articularam com o partido Rede Sustentabilidade para afastá-lo de casos da "lava jato". 

Para Gilmar, os diálogos mostram "as estranhas" de como o grupo atuava. "Se olharmos a linguagem que eles [procuradores] utilizavam e olharmos a que é usada por determinadas facções criminosas, não conseguimos distinguir quem é o combatente do crime e quem é o partícipe da organização criminosa", criticou. 

Ao comentar as conversas divulgadas, o ministro criticou o uso de instrumentos legais para extrapolar competências e investigar ministros. "Nós estamos investigando ministro do Supremo. Não podemos, mas fazemos, porque vai que dá certo. Nós estamos escrevendo as nossas próprias leis, nós estamos reescrevendo a Constituição", criticou Gilmar.

Sobre o corregedor-geral do MPF ter deixado de investigar Deltan Dallagnol por "consideração", Gilmar disse que esse "modelo autonomista em que o corregedor tem constrangimento de fazer correição a um procurador tem que ser superado". "Está se formando um modelo de soberanos", afirmou, lembrando que esse tipo de atitude não comunga com o Estado de Direito.

Chega de heróis
Gilmar Mendes chamou atenção para a necessidade de encerrar o "ciclo de falsos heróis". Ele criticou a atuação do ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça, dizendo que "juiz não pode ser chefe de força-tarefa".

"Daqui a pouco alguém vai dizer 'ele trabalhou tanto que pode até reivindicar salário na Justiça do Trabalho, acumulou funções'", ironizou Gilmar.

Ainda de acordo com o ministro,  o projeto de lei que pune os abusos já deveria ter sido aprovado. "Todo mundo que exerce poder tende a dele abusar. E é por isso que é preciso de uma lei de abuso de autoridade."

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 9 de agosto de 2019, 10h23

Comentários de leitores

17 comentários

Sr. Dr. José R (Advogado Autônomo)

Pyther (Advogado Autônomo - Administrativa)

Prezado Dr. somos pés vermelhos sim e com orgulho. Vermelho do pó da terra e do sangue derramado não só de nós "daqui de baixo" mas dos "daí de cima" por uma camarilla que se senta e banqueteia com dinheiro público do qual alguns colegas de profissão se mancomunam.
Alguns comentaristas deveriam lavar a boca ao falar de qualquer habitante deste país, honesto e trabalhador, que não se locupleta com desonestidades. Beira à xenofobia e o preconceito alguns comentário, típicos daqueles que "abominam" o ódio, envolvendo outros Estados irmãos, mas são arianos que desejam o poder sobre o outro.
Ah sim... quiçá pudéssemos escolher não estar no mesmo barco. Certamente a história seria outra.
À propósito a Terra é redonda, então não existe isso de baixo ou cima.

Falta de Noção

DJU (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

O Dr. Gilmar não tem a mínima noção do comportamento de juiz. Ele é, e sempre foi, político e nessa condição ora apoia um lado, ora apoia outro. Falta-lhe acima de tudo em qualquer questão imparcialidade e não sabe que juiz não pode falar em público de questões que terá de julgar. Depois de tudo que tem falado, deveria declarar-se suspeito nos processos oriundos da chamada "operação lavajato".

O Gilmar Mendes ...

João B. G. dos Santos (Advogado Autônomo - Criminal)

Não se comporta como magistrado. É apenas um bobagento que ocupa esse cargo. Demorou para legalmente o afastarem do cargo e o investigarem junto com o Tofolli e o Alexandre de Moraes.

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