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Pagamentos de propina

Justiça acolhe denúncia contra 14 pessoas por corrupção no metrô de São Paulo

A Justiça Federal de São Paulo acolheu denúncia contra um ex-diretor do Metrô de São Paulo e 13 executivos das construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS por crimes de corrupção. As irregularidades teriam beneficiado as empreiteiras nas concorrências das ampliações das linhas 2-verde e 5-lilás e na concessão da parceria público-privada para a construção da linha 6-laranja do Metrô. 

A nova denúncia da "lava jato" paulista partiu da delação premiada do ex-diretor do Metrô e ex-assessor da unidade de parceria público-privada da Secretaria de Planejamento do Governo do Estado Sérgio Correa Brasil, que admitiu ter recebido pagamentos das quatro construtoras para favorecê-las em concorrências do Metrô enquanto ocupou os cargos públicos.

A partir de 2004, Brasil teria recebido R$ 2 milhões em propina das construtoras por mantê-las durante 14 anos no páreo pela linha 2-verde. Ele também é acusado de direcionar a licitação da ampliação da linha 5-lilás, no trecho entre as estações Largo 13 e Chácara Klabin, de modo a favorecer as construtoras para que recebessem os melhores trechos da obra. Em contrapartida, Brasil teria recebido R$ 966 mil.

O terceiro episódio de corrupção atribuído a Brasil pelo MPF envolveu uma série de favorecimentos e manipulações em editais para que a Odebrecht Transports ganhasse a licitação da linha 6-laranja e iniciasse a obra posteriormente em parceria com a Queiroz Galvão. Pelo trabalho, o ex-assessor é acusado de receber R$ 700 mil. 

Camargo Corrêa
A empreiteira Camargo Corrêa também é acusa de participação no esquema. Porém, como os pagamentos ilícitos a Brasil teriam sido feitos por intermédio de doleiros, a competência é da vara especializada em lavagem de dinheiro e crimes financeiros. Por isso, a construtora é investigada em inquérito separado. Com informações da assessoria de imprensa do MPF. 

Revista Consultor Jurídico, 9 de agosto de 2019, 20h29

Comentários de leitores

1 comentário

Uma auspiciosa novidade

DAGOBERTO LOUREIRO - ADVOGADO E PROFESSOR (Advogado Autônomo)

Deus seja louvado! Finalmente uma ação penal contra a avassaladora corrupção que grassa em São Paulo, de longa data.
A corrupção em São Paulo é total e absoluta, mas nada é apurado, nada é investigado, há uma redoma em torno dos corruptos locais, que são de fazer inveja a Al Capone.
Como a polícia está neutralizada – esse é um dos segredos da criminalidade financeira de São Paulo – não há crimes, nem criminosos, todos são honestos por um questão de inércia investigativa.
Então, os crimes que aqui ocorrem – vejam como é curioso – são apurados na Suiça, que bloqueia os ativos suspeitos para lá direcionados, forma o processo e manda todo o material da apuração, inclusive a montanha de dinheiro arrecadada, para São Paulo, onde novamente os crimes revelados caem no esquecimento. Só tem um detalhe: a Suiça cobra 10% (dez por cento) dos valores recobrados e, nessa toada, já faturou mais de UM BILHÃO DE DÓLARES! E, claro, tudo isso continua por aqui como se nada tivesse acontecido.
De modo que essa auspiciosa noticia deve ser comemorada com fogos, rojões e cantorias, pois pode eventualmente significar que alguma coisa está mudando.

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