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Moro chama José Sócrates de criminoso e causa mal-estar em Portugal

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"Não debato com criminosos", disse o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em entrevista a uma emissora de televisão portuguesa nesta quarta-feira (24/4). A declaração foi uma resposta à afirmação do ex-primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, que tinha dito que o Brasil vive uma tragédia institucional e classificado Moro como "ativista político".

Moro afirmou ter identificado uma "dificuldade institucional" em Portugal para fazer avançar o processo contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates. 

Tudo começou quando Moro criticou o sistema jurídico português durante o VII Fórum Jurídico de Lisboa. Em sua exposição, o ministro afirmou ter identificado uma "dificuldade institucional" em Portugal para fazer avançar o processo contra o antigo primeiro-ministro José Sócrates, tal como acontece no Brasil.

Sócrates criticou o ataque de Moro. "O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz. Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional", afirmou Sócrates em nota divulgada a imprensa.

Críticas Laterais
O ministro da Justiça brasileiro também foi criticado pelo jornalista português Manuel Carvalho, do portal Público. Carvalho defendeu que chamar de "criminoso" um cidadão que não foi julgado nem condenado é um abuso, que revela a verdadeira natureza de Sergio Moro.

"Que José Sócrates seja um espinho cravado na ética republicana, que acumule suspeitas capazes de legitimar o estatuto de político que todos amam odiar, que se tenha transformado no ícone maior dos vícios do regime, é uma coisa; que seja apelidado de “criminoso” na praça pública sem que a sua sentença tenha transitado em julgado (sem que se saiba até se vai haver julgamento), é outra coisa completamente diferente", disse o jornalista.

Para Manuel, caso o juiz Sergio Moro tenha esquecido, num Estado de direito existe a presunção de inocência.

"A menos que Sergio Moro tenha definitivamente despido a toga de juiz para se vestir com a pele de justiceiro, uma suspeita que a forma como geriu alguns processos da operação "laja jato"  legitima junto de muitos observadores", provocou o jornalista. 

 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 24 de abril de 2019, 21h50

Comentários de leitores

16 comentários

Ativismo

Alair Cavallaro Jr (Outros)

Impressionante notar a tendência deste portal em assumir a pauta de uma organização criminosa que assolou o país, isto reflete nas poucas vezes em que tenho acessado as informações aqui. Volto sempre na esperança de que a lei e a ordem prevaleça, ao invés de encontrar pretendentes a altos honorários, com os recursos irrastreável. Mas enfim, fazer o que não é, que, sabe em uma economia bolivariana o governo subsidie todos os inscritos igualitariamente. O melhor é ter uma corte composta de seres supremos capazes de tudo para manter sua dignidade, teremos muito mais transtornos ainda.

Nada de novidade

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Como já esclarecido por vários comentaristas, nada de se estranhar. Moro, na linha de entendimento de visão de vida de diversos outros magistrados brasileiros, qualifica-se inocentemente como senhor da razão, acima dos demais, o que lhe possibilitaria agredir qualquer que discorde dele. Ao mesmo tempo, acredita que pode criminalizar (e as vezes consegue) todos os seus opositores e adversários. A nós, só resta lamentar e aguardar a época na qual tal tipo de comportamento seja finalmente entendido como nocivo à sociedade e duramente reprimido.

Cometários "ministro" sergio moro

FERNANDO SANTOSADV (Advogado Associado a Escritório - Administrativa)

Com o devido respeito àqueles que discordam. Mas existe uma ÉTICA comportamental que não é facultativa, é impositiva aos que assumem determinados cargos. É inadmissível um MINISTRO DE ESTADO - CONVIDADO - de Um Estado Estrangeiro amigável, fazer comentários críticos negativos sobre o sistema administrativo/judiciário/legislativo do Estado visitado. Isso mostra despreparo.

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