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Opinião

Tecnologia vem para salvar a profissão de advogado e lhe dar ainda mais valor

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Nos últimos anos, especialmente nos últimos dois, temos visto o surgimento de novas tecnologias no mundo jurídico, que, apesar de ainda estarem em fase inicial se comparadas com o quanto podem evoluir, já demonstram grande potencial para se tornarem exponenciais e efetivamente transformarem o mercado jurídico e então realmente impactarem o papel do advogado e suas atuais atribuições de uma vez por todas.

Claro que o advogado deve acompanhar toda essa inovação, mas antes ou até mesmo simultaneamente deve investir em sua mudança comportamental, deve pivotar seu mindset, investir no desenvolvimento de capacidades intelectuais, novas habilidades e especialmente cuidar da inteligência emocional.

Por muito tempo o advogado ocupou um papel muito distante da sociedade e de seus clientes, com uma postura legalista e com pouca visão de desenvolvimento de negócios, não por simples resistência, mas por terem sido treinados nas academias a focarem os problemas única e exclusivamente jurídicos e na proteção e segurança de seus clientes.

Esse comportamento já não se encaixa com o atual perfil da sociedade e dos novos empreendedores, que estão fartos de tanta burocracia, lentidão, formalidade. O advogado de hoje deve estar preparado para ser demandado para ajudar a tirar os negócios do papel, encaixando as legislações a toda inovação e novos modelos de negócios que aparecem aos montes nos dias atuais.

O mercado de hoje clama por apoio dos profissionais da área jurídica para que ajudem a tirar os projetos do papel com total segurança ou para que estes tomem atitudes para desburocratizar o sistema. Isso mostra que o papel do advogado ainda é importante e tem muito a colaborar com a nova economia, mas para isso o advogado deverá ter uma nova visão de mercado para continuar tendo essa importância.

O advogado atual deverá observar dois pilares importantes para seu desenvolvimento: i) mudar seu mindset e ii) se desenvolver no campo da inteligência emocional, intelectual e relações interpessoais, caso contrário o advogado não perderá espaço apenas para as novas tecnologias, mas, sim, para seu próprio comportamento, que costumeiramente mantém uma distância de seus clientes e é bastante burocrático, assim como a Justiça brasileira.

Esse novo formato de advocacia trazido pela inovação poderá ser muito bem equilibrado e até bem-sucedido caso exista o velho e bom toque humano.

O toque humano do advogado está em se dedicar mais aos assuntos complexos e que demandem raciocínio lógico e sensibilidade, ficando livre das atividades repetitivas e burocráticas que tendem a ser ocupadas pelas inovações tecnológicas. Neste momento, o advogado estará livre para desenvolver outras habilidades e então poderá se valer de toda a capacidade humana para exercer suas atividades com muito mais qualidade e eficiência e cuidando efetivamente dos seus clientes.

Este novo profissional deverá estar próximo das novas tecnologias e muito mais preparado para as novas exigências dos clientes, ocupará um papel de conselheiro e entenderá de negócios, e não apenas de leis.

A tecnologia está trazendo grandes oportunidades para advocacia, pois está devolvendo aos advogados o direito de efetivamente advogar e exercer o que têm de mais precioso: seu raciocínio, sensibilidade, poder de convencimento e persuasão. Com todo esse toque humano não há que se preocupar com os robôs ou inteligência artificial, o desenvolvimento humano e intelectual será o oceano azul no futuro da advocacia, pois a tecnologia, com o tempo, se tornará commodity e colocará todos em pé de igualdade, e nesse momento serão valorizados os advogados que se capacitarem em atividades única e exclusivamente humanas.

Na verdade, a tecnologia vem para salvar a profissão de advogado e lhe dar ainda mais valor, lembrando que atividades mecânicas e repetidas nunca foram funções de advogados; portanto, não se pode perder o que nunca se teve.

 é sócio-fundador do Molina Advogados.

Revista Consultor Jurídico, 16 de setembro de 2018, 6h34

Comentários de leitores

3 comentários

Entender o empreendedor é falar como ele

Stefano Moura (Advogado Autônomo - Empresarial)

As vezes estamos tão vinculados com as tarefas e rotinas do dia a dia que não somos capazes de visualizar para onde o mundo de nossos clientes está indo. Nesse sentido acredito que o texto é coerente e atualizado, uma vez que o autor tenta alertar para uma forma mais propositiva e participativa do direito no empreendedorismo. Deixa claro que a atuação reativa já não cabe mais.
Engraçado que alguns criticam o uso de palavras estrangeiras, mas muitas delas não tem tradução, por mais que busquemos, afinal são muito abrangentes. Seria como tentar traduzir a palavra “saudade” para a língua inglesa; sempre faltará um pouco e dessa forma poderá criar algumas distorções. Além disso quando estamos sentados a frente de clientes, muitas vezes nos deparamos com tais vocabulários que geralmente são usados no meio empreendedor.
Por fim vale ressaltar, ainda sobre o estrangeirismo, que o Direito é uma ciência que acompanha a vida social e seus conflitos, e não vejo ninguém falando em latim, mas ainda é usado nessa matéria. Acredito fazer muito mais sentido o uso dos termos usados na língua inglesa, pois diversos institutos do direito empresarial são importados de países com língua inglesa.

Comentario

Paulo Maciel (Procurador Federal)

Excelente artigo. Concordo com diversos pontos levantados.
É uma pena que nosso companheiro Harlen tenha perdido tempo em fazer um comentário desnecessário, talvez por ainda não conhecer e se atualizar nas questões acima.
De qualquer forma, será interessante em vê-lo mudar o "mindset"

A doença da deslumbramento com estrangeirismos

Harlen Magno (Oficial de Justiça)

O texto do articulista pode até ter algum mérito, mas ele perde imediatamente seu leitor no momento em que, para mostrar "modernidade", que está "connected" com os últimos "insights" do "corporative world", escreve "pivotar seu mindset", quando qualquer profissional com o necessário domínio do Português usaria a perfeitamente eficaz construção "evoluir seu modo de pensar".

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