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Por que quero presidir seccional de Mato Grosso do Sul da OAB

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*Este artigo foi produzido como parte da campanha da eleição da OAB-MS.

A pergunta da ConJur nos remete a um posicionamento sobre quais são as motivações pessoais em presidir uma instituição como a seccional de Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na verdade, dada a natureza e complexidade de nossa entidade, preferimos responder na primeira pessoa do plural, haja vista que a natureza da gestão é sempre coletiva e nunca individual.

A pergunta que queremos responder é a seguinte: "Por que queremos presidir a OAB-MS?".

Em primeiro plano: porque formamos uma equipe coesa, ampliamos o diálogo entre os advogados e advogadas e criamos um ambiente de consenso entre os mais diversos modos de pensar da nossa categoria, transformando nossa entidade numa referência nacional.

De uma Ordem tida por muitos como fechada, exclusivista e personalista, construímos uma instituição modelar, ouvindo todas as correntes, fortalecendo nossas lutas. Além disso, avançamos na defesa de nossas prerrogativas e transformamos nossa sede num espaço de aprimoramento de conhecimento jurídico, de debate de ideias e de proteção de nossa atividade.

O primeiro ano de nossa gestão foi extremamente difícil porque encontramos a entidade desestruturada administrativa e financeiramente, exigindo um esforço coletivo para colocar as contas em ordem e estabelecer modelos e procedimentos que pudessem adequar-se à nova realidade econômica que vivíamos.

Conseguimos fazer a virada e estabelecer um padrão de conduta que passou a agregar valores importantes emanados dos operadores de direito de nosso Estado: respeito, equilíbrio, ética e humildade.

A OAB é patrimônio de todos, não pertencendo a pessoas nem grupos, pautando-se pela defesa intransigente dos direitos e, assim, garantindo que nossos associados sejam protegidos do arbítrio e dos arreganhos das mentalidades autoritárias e dos defensores do pensamento único.

Em segundo lugar: estamos inseridos num contexto histórico muito especial, com múltiplas interpretações da mesma realidade, o que demanda uma postura essencialmente democrática, independente, sem arrogância, sem partidarismo, mas aberto para compreender, aceitar e recusar sempre com a mesma generosidade, visto que todos merecem ser ouvidos e ninguém é dono supremo da verdade.

Nosso trabalho na OAB nos últimos dois anos procurou estar em sintonia com o pensamento contemporâneo, procurando compreender essa sociedade que emerge com os grandes avanços tecnológicos, sobretudo nos setores de comunicação e informação. Nesse aspecto, fizemos nossa entidade avançar, estreitando os laços interativos com os associados, colocando-os cada vez mais dentro de nossa administração.

Temos consciência que ainda há muito a se construir e transformar. Nosso país enfrentará um período de dúvidas e as instituições serão testadas para reafirmar seus compromissos históricos em defesa da liberdade e do desenvolvimento econômico e social. Muitos temas exigirão posicionamentos técnicos e políticos dos advogados e advogadas como nunca houve antes.

Por isso, sectarismos, visões ideológicas centradas em modelos ultrapassados, posicionamentos anti-democráticos, terão imensas dificuldades em serem acolhidos porque o velho modo de pensar não cria mais aderência entre cidadãos e cidadãs do novo mundo.

Nosso trabalho será o de dar consistência aos fundamentos que conquistamos até o momento. A OAB de Mato Grosso do Sul permanecerá sendo a Casa da Cidadania e a trincheira de luta dos advogados em defesa de suas prerrogativas.

 é presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul.

Revista Consultor Jurídico, 31 de outubro de 2018, 17h11

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