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Juiz corre atrás de réus que fogem de audiência nos EUA – e pega um

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Quatro presos estão sentados em um banco, na sala de julgamento de um fórum criminal do estado de Washington, nos EUA. As audiências terminam e o único guarda que os acompanha os chama para levá-los de volta à cadeia. Os dois mais ao fundo se levantam e caminham em direção ao guarda. Passam pelos dois que ainda estão sentados. Em seguida, os outros dois se levantam e um diz: “Eu acho que vou sair correndo”. O outro replica: “Eu também”. Um deles conta isso mais tarde a uma emissora de TV.

E os dois saem em disparada em direção à porta da sala de audiência, que fica no terceiro andar do fórum. O único guarda que cuidava dos presos não pode correr atrás deles. Se o fizer, vai deixar os outros dois sozinhos e eles podem fugir. O juiz R.W. Buzzard contempla perplexo a fuga dos presos por vários segundos, enquanto alguma coisa se processa em seu cérebro. Enfim, ele arranca a toga e sai correndo atrás dos fugitivos de sua audiência.

As câmeras de segurança do fórum registram toda a ação. Flagra a corrida dos dois presos algemados pela sala e depois pelo corredor e pelas escadas do fórum. No corredor, eles têm de fazer uma curva à direita, para acessar a porta que leva às escadas. Na frente, o preso Kodey Howard, de preto, derrapa na curva e cai. Perde um sapato no acidente. O preso Tanner Jacobson, de camisa listada, consegue evitar uma trombada com Howard e acelera em direção às escadas.

Howard se levanta, esquece o sapato no chão e corre. Mas o juiz ganha terreno. Jacobson é mais ágil e chega a pular alguns degraus da escada. Howard, sem um sapato, desce degrau a degrau, perdendo distância para o juiz Buzzard. Na passagem pelo segundo para o primeiro andar, já se nota a aproximação do juiz. Quando Howard chega ao térreo e alcança a porta para a rua, Buzzard chega quase junto. E consegue agarrá-lo por trás, já passando pela porta.

Jacobson escapou. Correu por três quarteirões em direção à liberdade. Mas, de repente, parou. “O que é que estou fazendo”, foi o pensamento – do tipo choque mental – que o paralisou. E ficou lá parado, esperando a polícia aparecer para capturá-lo e levá-lo de volta à cadeia. Ele conta isso mais tarde à emissora de televisão.

Curiosamente, Howard diz quase a mesma coisa, mais tarde, à emissora televisão. Ele não sabe porque fez isso. Nenhum dos dois sabe porque fizeram essa maluquice. Afinal, eles estão presos por pequenos delitos. E a liberdade já estava próxima. Agora eles vão responder pela fuga, um crime de segundo grau.

Falta saber porque o juiz R.W. Buzzard ficou perplexo por vários segundos, antes de agir. Ele estava assistindo um filme em sua cabeça. Há algum tempo, um homem descontente com sua decisão em um processo civil, em que não há guardas, deu um soco no rosto do advogado da outra parte. Buzzard deixou seu posto e lutou com o agressor, até submetê-lo.

No filme de suas lembranças, ele teve dificuldades para dominar o agressor, apesar de ser mais forte, por causa da toga. Assim, ele chegou à conclusão, antes de partir à caçada dos fugitivos de sua audiência, que juiz togado e luta corporal são incompatíveis.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 28 de outubro de 2018, 10h45

Comentários de leitores

1 comentário

Que Cena!

Kenia Serena (Estudante de Direito - Empresarial)

Não pude conter o riso com a narrativa! Muito boa, por sinal! Cômico, se não fosse trágico, pois os empolgados fizeram por onde piorar sua situação penal. Me pego pensando que homens, mesmo crescidos, serão eternos meninos no recreio, como quando por um jeito de escapar da aula chata, ao invés de ir pra classe ao soar do sino, descambam na direção contrária só pra ver que bicho dá.

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