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"Escolha racional"

Ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa declara apoio a Fernando Haddad

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa usou o Twitter neste sábado (27/10) para declarar apoio ao candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad. 

Joaquim Barbosa disse que escolheu Haddad após pesar os prós e contras dele e de seu rival, Jair Bolsonaro.

Na postagem, o ministro afirma que “votar é fazer uma escolha racional. Eu, por exemplo, sopesei os aspectos positivos e os negativos dos dois candidatos que restam na disputa. Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad”.

Em abril deste ano, Barbosa se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), mas em maio anunciou a desistência no Twitter. "Decisão estritamente pessoal", escreveu. 

Mensalão 
Joaquim Barbosa foi indicado para o Supremo pelo ex-presidente Lula. Na época, era procurador da República. Com um temperamento forte, foi relator da Ação Penal 470, o processo do mensalão, que acabou com a condenação de 24 pessoas, incluindo petistas como José Dirceu e José Genoino. Durante o julgamento, participou de debates acalorados. Barbosa dizia, em relação ao trabalho desempenhado na Suprema Corte, que “um magistrado tem deveres a cumprir” e que a sociedade espera do juiz “imparcialidade e equidistância em relação a grupos e organizações”.

Nos 13 anos em que foi ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa mostrou uma interpretação severa do Direito Penal — já disse que os juízes brasileiros têm "mentalidade pró-status quo, pró-impunidade". Quando a corte decidiu que condenados por crimes hediondos têm direito à progressão de regime, votou contra.

Em junho de 2014, no meio de seu mandato como presidente, Barbosa pediu a aposentadoria do STF. A sua gestão terminaria no dia 22 de novembro, quando completaria dois anos no cargo. No entanto, o ministro poderia ficar na corte até 2025, quando completará 75 anos. 

Revista Consultor Jurídico, 27 de outubro de 2018, 12h16

Comentários de leitores

3 comentários

Erro e razão: dilema de quem foi abandonado pelos valores

Luiz Fernando Cabeda (Juiz do Trabalho de 2ª. Instância)

Há uma foto única que capta um dos mais significativos momentos históricos vividos no Supremo. Julgou-se então o recebimento de embargos infringentes ao acórdão de Joaquim Barbosa no processo do Mensalão. Eles foram acolhidos na forma do voto de Roberto Barroso, absolvendo José Dirceu e outros do crime de formação de quadrilha.
Barbosa deu boas espinafradas em Barroso e Zavaski, que haviam sido nomeados "ad hoc", com o compromisso de rever a condenação anterior, contra as provas, para ocupar as vagas da saída compulsória de Peluso e Ayres Brito.
Na foto, Barbosa aparece com olhar perdido, incrédulo, fixando o nada, logo após a sessão. Por trás, com as bochechas vermelhas, como resultados dos xingamentos pela impostura, mas com um sorriso de dever cumprido pela vitória de 6X5, passa Barroso. Ao fundo, opaco, sem refletir as cores do bronze, jaz na parede o símbolo das armas da República, pois ficou desfocado na foto.
Essa metalinguagem esclarece bastante sobre o que aconteceu e indica a trajetória de Barbosa desde então.
Ao invés de tornar-se um conferencista internacional, fazendo o mundo ver o que é o submundo jurídico no Brasil, resolveu advogar e, desde logo, foi humilhado pela OAB, que dificultou sua inscrição. Não conseguiu estabelecer-se como advogado, senão modestamente, em São Paulo.
Pudera, havia brigado com Gilmar, Eros Grau, M. Aurélio, Lewandowski e a dupla antes mencionada.
A sucessão de erros de Barbosa não parou aí. Vacilou até o fim quanto a candidatar-se. Hoje fala em nome de quem ou do quê? O Mensalão foi superado pela Lava Jato; as proporções mudaram.
Dia 26/10/18 o Le Monde publicou: "Brésiliens, brésiliennes, n'abandonnez pas votres valeurs".
Não dá para explicar-lhes que foram os valores que nos abandonaram.
E Barbosa também.

Lamentável

Antonio Maria Denofrio (Advogado Autônomo - Civil)

Escolher o PT, depois de tudo? Profundamente lamentável. Mas é um direito dele. Felizmente, não saiu candidato a nada pois poderia ter me enganado e votado nele. É, por isso que é difícil escolher nessa pátria amada.

Corajoso!

Marcelo-ADV (Outros)

Sem dúvida, a vida do ex-ministro seria mais fácil sem essa declaração. Agora, terá que aguentar o ódio em massa.

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