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Opinião

Faculdade de Direito da USP deve se recolocar no debate nacional

Por  e 

*Artigo originalmente publicado na edição desta segunda-feira (12/3) do jornal Folha de S.Paulo, com o título "Arcadas nada arcaicas".

A Faculdade de Direito da USP tem quase 200 anos. Não é pouco tempo, mas a São Francisco segue jovem e com muito por fazer. É isso, afinal, o que nos motivou a assumir a direção do curso.

O momento é favorável, muito se fez recentemente. O ensino de graduação passou por mudanças relevantes, e as atividades de extensão se ampliaram.

Os próximos anos serão de desafios. Somos parte de universidade pública, custeada pela sociedade. Por isso, não basta formar profissionais, é preciso compromisso com a excelência: produzir pesquisas úteis, provocar pensamento crítico, contribuir para o desenvolvimento do país, ofertar atividades à comunidade.

O desafio da excelência une servidores, alunos e professores. 

Temos compromisso com a diversidade. As mudanças nos critérios do vestibular, iniciadas em 2015, têm alterado o corpo discente. Em 2020, metade dos ingressantes virão de escolas públicas. Desses, cerca de um terço de cotas raciais.  

O ganho em multiplicidade social, racial e regional é notável. Enganou-se quem imaginava comprometida a qualidade. Os beneficiários da seleção inclusiva são os melhores dentro de cada grupo. Nestes dois anos iniciais, o desempenho desses alunos não apresentou diferenças em relação ao conjunto. 

Essas transformações nos obrigam a desenvolver mecanismos de apoio, inclusive bolsas de permanência e moradia. 

Vivemos, porém, tempos marcados pelo sectarismo. O compromisso com a diversidade impõe também radicalizar o pluralismo e o debate de ideias, os melhores antídotos para a eugenia de pensamento.

Há o desafio da atualização. Somos instituição tradicional, mas com forte compromisso com a renovação.

A cada ano recebemos mais jovens ambientados no mundo digital. Seguir ensinando como no século passado aumentaria o fosso cognitivo. 

Obrigatório repensar conteúdos e métodos de transmitir conhecimento. Estar num edifício tombado não nos condena a funcionar em instalações precárias. O desafio é ser atual sem abrir mão da tradição.

O país atravessa período de grave crise política, institucional e econômica. Direitos fundamentais são ameaçados. A São Francisco tem o dever de contribuir para os diagnósticos e as soluções. 

Recolocar-se no debate nacional é outro desafio. Exige, além da mobilização de seus membros, mecanismos eficientes de comunicação. Não basta falarmos para dentro, somos demandados a nos comunicar com a sociedade. Temos que divulgar as pesquisas que fazemos e as atividades de extensão. 

Enfrentar esses desafios exige recursos. Eles não virão apenas dos cofres públicos, onde disputam inúmeras prioridades. É preciso criatividade, buscar novas fontes, inclusive junto à sociedade. E vencer preconceitos ideológicos.

Receber recursos para financiar projetos transparentes, viáveis e objetivos não significa renunciar à autonomia, inegociável. No mundo todo, universidades reconhecidas recebem doações e financiamento privado sem perder sua independência. 

A cada ano a São Francisco forma mais de quatro centenas de graduados, outros tantos mestres e doutores. A maioria ocupará posições de destaque no mercado. É passada a hora de facilitar seu engajamento, ensejando a possibilidade de contribuir para a melhoria da faculdade.

 é sócio do Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Sociedade de Advogados e diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Celso Fernandes Campilongo é vice-diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 12 de março de 2018, 10h57

Comentários de leitores

5 comentários

Dúvida

Alexandre S. R. Cunha (Economista)

O principal compromisso deve ser com o conhecimento, o mérito e a excelência ou com a diversidade?

O nível dos comentários

CEB (Advogado Sócio de Escritório - Administrativa)

Deus do céu, leio os comentários e me sinto no G1 ou no Uol. Um fala de algo absolutamente deslocado do texto, outro se diz ideólogo, outro fala em esquerdopatia. É sério isso? Parece que os exércitos de stalkers de conteúdo das mídias socais aportaram por aqui também.

É chegada a hora de abolir trabalho análogo a de escravos

VASCO VASCONCELOS -ANALISTA,ESCRITOR E JURISTA (Administrador)

Por Vasco Vasconcelos, escritor e jurista. Os mercenários gostam de meter o bedelho em tudo.
OAB não tem interesse em melhorar o ensino jurídico. Só tem olhos p/ os bolsos dos seus cativos. Tx concurso p/ adv. da OAB/ DF apenas R$ 75, taxa do pernicioso jabuti de ouro, o caça-níqueis exame da OAB, pasme R$ 260,(um assalto ao bolso). Estima-se que nos últimos 21 anos OAB abocanhou extorquindo com altas taxas de inscrições e reprovações em massa cerca de quase 1.0 BILHÃO DE REAIS. Todo mundo sabe como funciona o enlameado Congresso Nacional. Assim fica difícil extirpar esse câncer a máquina de triturar sonhos e diplomas. Trabalho análogo à condição de escravo. O Egrégio STF ao julgar o INQUÉRITO 3.412 AL, dispondo sobre REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA A DE ESCRAVO. ESCRAVIDÃO MODERNA, explicitou com muita sapiência (…) “Para configuração do crime do art. 149 do Código Penal, não é necessário que se prove a coação física da liberdade de ir e vir ou mesmo o cerceamento da liberdade de locomoção, bastando a submissão da vítima “a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva” ou “a condições degradantes de trabalho”, (...) A “escravidão moderna” é mais sutil do que a do século XIX e o cerceamento da liberdade pode decorrer de diversos constrangimentos econômicos e não necessariamente físicos. Priva-se alguém de sua liberdade e de sua dignidade tratando-o como coisa e não como pessoa humana, o que pode ser feito não só mediante coação, mas também pela violação intensa e persistente de seus direitos básicos, inclusive do direito ao trabalho digno. A violação do direito ao trabalho digno impacta a capacidade da vítima de realizar escolhas segundo a sua livre determinação. Isso também significa “reduzir alguém a condição análoga à de escravo" .

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