Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Limites necessários

"Combate à corrupção não pode ser tratado como verdade absoluta", diz diretor da USP

Por 

O Brasil deve resistir a seguir o caminho percorrido pela Rússia e pela China no combate à corrupção, diz o professor Floriano de Azevedo Marques Neto. Lá, comenta, o discurso é usado de maneira abstrata para combater inimigos políticos, e não para buscar inimigos efetivos.

Novo diretor da São Francisco, Floriano alerta para risco do uso político do discurso anticorrupção. Alesp 

“Tenho muito medo dessa ideia de combater a corrupção ser unificante, de engajamento puro e simples. Primeiro, porque apenas ser contra a corrupção é muito pouco. E segundo porque se organizar contra a corrupção dá impressão daquelas ideias abstratas, algo como uma ideia hegemonizante, que unem uma nação, mas significam muito pouco”, afirma.

Na segunda-feira (12/3), Azevedo Marques assume a direção da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.  Ele participou de debate no Largo de São Francisco com o filósofo Leandro Karnal e com o advogado e também professor da USP Tércio Sampaio Ferraz Júnior. 

Ambos comemoraram os esforços da operação "lava jato" de "limpar" o sistema político e elogiaram as recentes iniciativas registradas sob a cifra de combate à corrupção. Mas Azevedo Marques foi um tanto mais além.

O debate era sobre a mentira na política. Segundo o professor, embora a mentira tenha de ser combatida, o país não pode trabalhar com verdades absolutas, como é o caso do combate à corrupção. Problema tão grave quanto a corrupção, disse o novo diretor da USP, é o patrimonialismo, definido por Raymundo Faoro como a apropriação do Estado por interesses privados.

A primeira versão dele, da distribuição de cargos enter os amigos da Coroa, disse Azevedo Marques, foi superada pelo concurso público. 

“Mas isso não garante que o patrimonialismo acabou. Porque eu posso ter o que eu costumo brincar de patrimonialismo de acesso universal, que é o sujeito que ascende à função pública por concurso, mas passa a tratar aquela função como propriedade sua para ganhar mais salário, para conseguir penduricalho, para não exercer a função. Para ter, de certa forma, uma certa ojeriza do cidadão que chega para receber o serviço que ele tem que prestar”, diz.

O novo diretor da São Francisco também ressaltou que para ele, não há solução fora da política.

Clique aqui para ler a palestra de Floriano 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 9 de março de 2018, 16h46

Comentários de leitores

4 comentários

Assino embaixo, Dr. Rivadavia Rosa

Rejane Guimarães Amarante (Advogado Autônomo - Criminal)

e acrescento que, do mesmo modo que uma pessoa riquíssima deve selecionar muito bem e fiscalizar constantemente quem vai administrar seus "tesouros', assim também o Brasil, um país riquíssimo e uma REPÚBLICA, precisa acautelar-se de indivíduos e grupos que fingem ser democráticos, mas só querem chegar ao poder eleitos para, então, alterar as leis e tornar o bem público em riqueza de um grupo

A corrupção

O IDEÓLOGO (Outros)

A corrupção é como a mulher de Potifar.

Lei para todos

Rivadávia Rosa (Advogado Autônomo)

Realmente, o [des] governo da corrupção engendrado gradativamente no País, se deu justamente pela tolerância, advertida ainda nos tempos de Gustavo Corção: ‘de tolerância em tolerância, o Brasil se tornará uma imensa casa de tolerância’ e aí temos rompido o maior capital social de uma Nação – que é a confiança entre os membros da comunidade nacional, sendo de se reiterar à exaustão e os que têm vergonha na cara, sabem que vivemos o mais sórdido e triste período da vida nacional pela corrupção de dimensão tsunâmica e degradação das instituições com o objetivo de corroer a base moral da atual e futura geração.

RESUMINDO, com MISES:

"Não existe ameaça mais perigosa para a civilização do que um governo de homens incompetentes, corruptos e infames. Os piores males que já teve a humanidade de suportar, lhe foram infligidos por maus governos" - LUDWIG VON MISES, in "The Rise of the Total State and Total War", 1969).
Assim, coibir a corrupção deve ocupar a agenda prioritária de todos os Estados, sem dó nem piedade, nos termos da Lei, sobretudo dos localizados abaixo da Linha do Equador, ricos em recursos naturais, mas que, desgraçadamente conformam uma gestão no estilo mafioso.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 17/03/2018.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.