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Animadores de auditório

Na bolsa de valores morais, faz sucesso quem fala o que a massa quer ouvir

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Comentários de leitores

7 comentários

Professor

O IDEÓLOGO (Cartorário)

O Professor Conrado Hubner Mendes faz aquilo que na Academia se aprende a não fazer: verbera contra a pessoa e não contra o pensamento dela (Argumentum ad hominem).

A Intelligentsia tem seu próprio merkado

L.F.V., LL.M (Advogado Assalariado - Tributária)

É verdadeiro o apontamento inicial: há uma bolsa de valores no mercado de ideias prontas, cujas cotações são favorecidas pela adoção de lugares-comuns.
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Tão verdadeiro, que se torna forçoso encarar o espelho e reconhecer que a academia jurídica, cuja cientificidade é parca, possui sua própria bolsa e seus próprios clichês vinculantes.
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Poucos indicadores são mais bem avaliados pelo mercado de ideias prontas do ambiente jurídico do que a reafirmação axiomática da superioridade de sua doxa, quando comparada à doxa do "homem das ruas", tratado sempre como um "moralista irrefletido".
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Será mesmo o raciocínio do homem médio tão inferior ao nosso?
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Eric Voegelin, seguindo Robert Musil, chamava a esse convescote autofágico dos clubes de pensamento fechado uma "segunda realidade", que se retroalimenta de seus próprios "topoi" para persistentemente negar o universo dos fatos.
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Nem sempre, na História, o descompasso entre os valores de certos profissionais do pensamento e aqueles do vulgo, nas ruas, deu-se em detrimento da correção do vulgo. Alguns bem conhecidos movimentos destrutivos, mormente entre o século XIX e a primeira metade do XX, começaram como diletâncias da filosofia de corte, entre pátios universitários. Para não falarmos em alemão (o que sempre atrai a Lei de Godwin), poderíamos falar em inglês, relendo as críticas de G.K. Chesterton a seus contemporâneos por "Hereges" e "Ortodoxia".
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Quem levanta tais objeções, porém, falseando popperianamente a auto-estima dos que se querem elites, despenca na bolsa de valores morais do Clube dos Bem-Pensantes e acaba exilado.
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Ao fim e ao cabo, o comportamento de massa (ou de homem-massa, diria Ortega y Gasset) não exige a formação de uma multidão ignara para se manifestar.

Excelente texto!

Aquinas (Estudante de Direito)

Excelente texto!

O Direito está passando por um processo de "futebolização" no país, que vai causar muitos estragos ainda. Se o jurista não "joga para a torcida", toma vaia. É lamentável

E as regras do debate?

José Cuty (Auditor Fiscal)

O senhor Márcio Chaer, diretor da revista eletrônica Conjur, fixa uma regra para o debate transparente: “deixemos de lado adjetivos”. Ele desaprova expressões usadas pelo professor Conrado Hübner Mendes (“maligno”, “constrangedor”).
Mas eis como ele trata seu oponente: “indigno de quem se diz professor. E de Direito Constitucional”; “Fosse cuidadoso, (...)”; “Fosse constitucionalista, (...)”; “Apenas expressões vazias”; “Fosse metódico, (...)”; “pretenso professor”; “Fosse culto, (...)”; “conclusões levianas”.
Interessante.

deixemos de lado adjetivos...mas

Thiago Bandeira (Funcionário público)

Fosse constitucionalista...Fosse metódico...Fosse culto...

Parabéns ao articulista

John Paul Stevens (Advogado Autônomo)

Belíssimo texto. Meus sinceros parabéns a Márcio Chaer.

Seu texto fez-me lembrar da acertadíssima crítica do Prof. Streck, ao mesmo Conrado (um autêntico neorrealista), quando da publicação de texto em que criticou magistralmente crítica rasteira de que "é tudo culpa do STF". Como Lenio mostrou na Revista Veja, Gilmar é o Goldstein de Pindorama. Márcio Chaer mostra ser inteligente: sua capacidade de crítica, de análise, transcende aos encantos da demagogia, d'O Grande Irmão, do sensacionalismo barato, das fake news.

Chaer vai muito bem ao defender a Constituição dos ataques rasteiros que, em nome de concepções pessoais de "justiça" (que, naturalmente, carecem de uma epistemologia), rasgam a legalidade.

Não surpreende que Hübner Mendes seja um grande defensor do "princípio" [sic] da colegialidade...

Parabéns, parabéns pelo texto! Os teimosos, como eu, que insistem em acreditar na Constituição, que insistem em levar o Direito a sério, agradecem.

É melhor ser um homem de paradoxos que de preconceitos

Ismael de Melo (Professor)

Cada vez mais, em nossa triste República, a pressão da opinião pública supre a falta de provas. Como a razão tem dificuldade para aceitar que a verdadeira compreensão está em assumir a contradição, ela prefere buscar o grau de clareza relativo que pode oferecer uma explicação parcial e incompleta a enfrentar a complexidade de uma oposição inconciliável.
O inimigo a ser combatido neste momento é o ativismo judicial, pois se este vencer, nem os mortos estarão em segurança.
Os portadores de dogmas morais nem sempre oferecem os melhores exemplos de moralidade...

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