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Operação "apolítica"

Policiais federais lançam frente da "lava jato" para eleições ao Congresso

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Com o objetivo de surfar na aprovação popular à operação “lava jato” por parte da sociedade, 26 integrantes da Polícia Federal usarão o famoso caso para concorrer a vagas no Congresso Nacional nas eleições deste ano. Eles integrarão uma aliança batizada oficialmente de Frente de Agentes da Polícia Federal — mas apelidada de Frente da “lava jato” —, que será lançada nesta terça-feira (22/5), em Brasília.

Eduardo Bolsonaro está entre os membros da nova frente, representando agentes da PF no Rio de Janeiro.
Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados

Agentes, escrivães e papiloscopistas serão candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados com o discurso focado no combate à corrupção e na tentativa de modernizar o modelo de segurança pública.

O presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal, Flávio Werneck – que concorrerá a deputado federal pelo PHS –, afirmou à ConJur que o lançamento da Frente da “lava jato” não contraria o discurso de que a operação é apolítica.

Segundo ele, essa e outras megaoperações estão sendo ameaçadas por projetos em discussão no Congresso, como o novo Código de Processo Penal. A proposta, de acordo com Werneck, acabaria com o poder de investigar do Ministério Público e com a autonomia das autoridades policiais. Ele afirma que a intenção dos agentes é formar uma frente de resistência a esses ataques.

A frente ressalta que nenhum candidato se candidatará por partidos envolvidos na “lava jato”, como PT, MDB e PP. Porém, haverá postulantes de legendas investigadas na operação, como PSDB e Pros.

Membros
Entre os integrantes da frente está o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Escrivão da PF, ele é defensor de se liberar o porte de armas e de reduzir a maioridade penal.

Outro candidato polêmico é o agente Danilo Balas. Em 2014, ele postou uma foto ao lado de um alvo com a caricatura da presidente Dilma Rousseff crivada de tiros na página do Facebook “Polícia Federal do Brasil”, conforme revelou a revista eletrônica Terra Magazine. Na legenda, escreveu “assim fica fácil treinar. rs”. O agente recebeu quatro dias de suspensão como punição.

Também está na lista o agente Rafael Ranalli, pré-candidato a deputado federal pelo Patriota em Mato Grosso. Ele já afirmou que “bandido bom é bandido morto e, de preferência, de pé para não ocupar espaço”.

Segundo a frente, todos os estados contarão com representantes da categoria. Somente o Rio Grande do Norte não definiu nenhum nome ainda.

O ceticismo dos brasileiros quanto aos efeitos da operação está crescendo, segundo o Datafolha. Em abril de 2017, 45% das pessoas acreditavam que a “lava jato” diminuiria os níveis de corrupção no país. Um ano depois, esse percentual caiu para 37%. 

*Texto alterado às 22h17 do dia 21/5/2018 para correção de informações.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 21 de maio de 2018, 19h31

Comentários de leitores

6 comentários

Um tiro no pé.

Servidor estadual (Delegado de Polícia Estadual)

votaria em algum deles se constatar tratar-se de ficha limpa, de boa proposta para educação, saúde e segurança, que são a favor da diminuição do Estado e, em especial de super privilégios, como gastar altas somas com refeições. Mais a mais a representação do povo não deve ser apenas política, deve ser um espelho, se um cidadão é agraciado com uma casa com 40m², não tem porque senador e deputado morar em mansão. Votaria em alguém que colocasse fim ao excesso de nomeados e com vantagens que extrapolam o teto, número excessivo de motoristas, carros de luxo, etc. Só ser policial federal, civil, delegado, promotor, juiz, não qualifica ninguém, Demostenes que o diga. Concordo com Dr. Marcos, que tais argumentos já foram utilizados a exaustão por Collor, nosso caçador de marajás, e por todos os demais políticos. Aliás, deveria haver um recall, o político se desviou da sua diretriz política, deveria ser cassado, já que foi eleito para uma coisa e fez outra.

Oportunismo

Gustavo Trancho (Advogado Associado a Escritório)

A "frente" não convence ninguém, é apenas uma manobra política para tentar tirar vantagem da popularidade da Operação Lava-Jato.

Além disso, confundem os méritos da operação com o que há de pior na polícia: a defesa da teoria do "bandido bom é bandido morto".
A Lava-Jato teve êxito em recuperar milhões de reais por que focou na investigação e na inteligência. Não há notícia de preso na Lava-Jato torturado, nem morto.

As críticas existentes à Lava-Jato estão em outra ordem, que é muito mais elevada em termos civilizatórios: as prisões preventivas foram utilizadas de forma excessiva? O instituto da delação substitui a necessidade de provas? Há centralização indevida na figura do juiz Sérgio Moro? Houve ativismo político e legislativo do Ministério Público?

Longe das discussões próprias da Lava-Jato, há a defesa rasteira da tortura e da execução, atitudes que são criminosas, atentam contra o estado do Direito e desqualificam qualquer postulante a cargo político. Ninguém que defende a lei pode apoiar esse tipo de política, que cedo ou tarde terá integrantes envolvidos no mais sujo mundo político.

Não vamos deixar que oportunistas se apropriem do legado da Lava-Jato.

Repetição do modelo

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Da mesma forma que Lula e o PT iludiram boa parte da população com um discurso de proteção ao trabalhador e ética na política, esse novo grupo segue pelo mesmo caminho, usando os mesmos métodos. Como se acredita atualmente que a corrupção precisa ser combatida "a qualquer custo", eles orquestraram um discurso oferecendo o que a maioria entende como sendo a necessidade de momento. Porém, nenhum deles tem ideias, preparo ou vontade real de combater a corrupção. Trata-se de um discurso que objetiva o poder para, nos cargos, dar continuidade ao modelo vigente, e nada mais do que isso.

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