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Epicentro do poder

Revista faz radiografia do Supremo Tribunal Federal em vinte páginas

A revista Veja desta semana oferece a seus leitores uma rara e incomum reportagem sobre o Supremo Tribunal Federal e seus ministros. É uma radiografia exemplar do tribunal que se tornou o epicentro do poder no país, como se anuncia na capa da publicação. A raridade não se dá pelo assunto, claro. O STF é pauta permanente de praticamente todos os veículos de comunicação. O incomum se dá pelo profissionalismo e pela isenção serena com que dois veteranos, o jornalista e escritor Roberto Pompeu de Toledo e o fotógrafo Orlando Brito retrataram o tribunal e seus protagonistas.

Reportagem mostra grau de opressão que STF sofre.

Pompeu analisa o grau de exposição desses protagonistas, cuja envergadura, desenhada pelos constituintes em 1988, trinta anos depois, atinge sua plenitude. Sem mencionar explicitamente o motivo, descreve o quanto estão oprimidos esses personagens pela onda populista que emparedou o tribunal. Mas um dos méritos da reportagem é exatamente esse: Pompeu não entrou nessa briga.

O jornalista conseguiu transmitir traços pessoais dos ministros, dos hábitos cotidianos de cada um às inacreditáveis histórias da presidente Carmen Lúcia com taxistas e da rotina monástica de Celso de Mello para quem “o trabalho é a vida e a vida é o trabalho”. O ministro, atesta a reportagem com precisão, é admirado como esteio moral do Supremo e é unanimidade entre os colegas.

O texto, que ocupa vinte páginas da revista, captura o pensamento de Edson Fachin, que festeja: “Os pilares da lava-jato estão de pé: execução em segundo grau (...), o valor jurídico das delações premiadas e a importância de manter as prisões preventivas (...)”.

O perfil de Luís Roberto Barroso traz a sua característica que talvez explique a migração do ministro do campo do garantismo para seu quadrante atual — o forte impacto do câncer do qual, felizmente, escapou. Do próximo presidente do tribunal, Pompeu conseguiu algumas pistas que apontam para um período de conciliação na gestão de Dias Toffoli, que começa em quatro meses. A habilidade política do ministro chega em boa hora.

Luiz Fux, com naturalidade, abordou um dos fetiches a que jornalistas gostam de citar com ares de escândalo: o apoio político sem o qual ninguém chega a Supremo ou ao STJ. “Nomeação para o STF exige mérito mais apoio político”, sintetiza o roqueiro, lutador de jiu-jitsu e ministro.

De Gilmar Mendes, Pompeu pescou, além da competência e da belicosidade, a engenhosidade na criação de instrumentos como as ações declaratórias de constitucionalidade e os efeitos vinculantes — mas sem deixar de apontar sua identidade política.

Pompeu não foi atendido por quatro ministros: Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio. Apenas Marco declinou com franqueza o motivo da negativa. Suspendeu o atendimento a jornalistas para não colaborar com as distorções com as quais não se conforma.

No caso de Roberto Pompeu, que não é refém nem vive dos furos de reportagem do Ministério Público Federal — como a quase totalidade dos jornalistas que cobrem a área — o ministro não tinha com o que se preocupar.

A reportagem completa (para assinantes) está no link https://veja.abril.com.br/revista-veja/as-venias-e-a-toga/

Revista Consultor Jurídico, 13 de maio de 2018, 16h39

Comentários de leitores

2 comentários

Foi mal

JA Advogado (Advogado Autônomo)

Li a matéria toda. Uma narrativa diferente, inteligente. Ficou muito mal à Ministra Rosa Weber (ausente na reportagem) a informação de que se recusou a receber o Roberto Pompeu de Toledo porque não recebe jornalistas.

improvável

CEB (Advogado Sócio de Escritório - Administrativa)

Acho pouco provável alguém passar por uma experiência de desengano, vencendo uma docência terrível como essa e, como consequência, abdique do humanismo. A consequência óbvia seria a pessoa transcender, ascender à luz, reconhecer a vida humana como o maior bem a ser protegido. Não parece fazer sentido um fulano sair de um câncer agressivo, em que havia a quase certeza de morte, e passar a enxergar a vida como algo secundário, estatístico. Passar a acreditar que um encarceramento ilegal (retirando anos de vida de um ser humano) seria até mesmo aceitável, algo assemelhado a um infortúnio qualquer, como um acidente de transito.
Enfim, era de conhecimento geral a terrível doença acometida ao então advogado Barroso, da mesma forma como se sabia da incrível vitória que teve. Mas não está aí o motivo para a sua flagrante migração ideológica.

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