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Só palavras

Não há provas de tentativa de compra de silêncio de Cerveró, decide juiz

Mais uma ação penal com base na delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral deu em nada. O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, absolveu, nesta quinta-feira (12/7), o ex-presidente Lula, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e outras seis pessoas da acusação de ter tentado subornar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fizesse acordo de delação premiada.

Não há provas de que Lula e banqueiro combinaram de pagar propina para que Cerveró não fizesse delação, conforme disse o ex-senador Delcídio do Amaral afirma juiz federal.
Waldemir Barreto/Agência Senado

De acordo com o magistrado, as acusações foram feitas sem base em provas, apenas com base nas declarações de Delcídio e de Cerveró, também delator da operação "lava jato". Delcídio e seu ex-chefe de gabinete Diogo Ferreira, além de José Carlos Bumlai, estão entre os absolvidos.

Em nota, os advogados de  André Esteves ressaltaram que o Ministério Público Federal havia pedido a absolvição por inexistir qualquer indício de responsabilidade de Esteves.

"A defesa, desde o início, já afirmava reiteradamente a absoluta confiança na absolvição. É importante neste momento deixar claro mais uma vez que a defesa reconhece que é um dever do Estado investigar", diz a nota, assinada pela advogada Sônia Ráo, pelo ministro Sepúlveda Pertence e pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay).

Versão criada
Também em nota, a defesa afirmou a acusação anterior se baseou em versão criada por Delcídio do Amaral para obter benefícios em acordo firmado com o Ministério Público Federal. Durante o processo, Cerveró, assim como as demais testemunhas ouvidas — de acusação e defesa —, jamais confirmaram qualquer participação de Lula em atos objetivando interferir na delação premiada do ex-diretor da petrolífera. 

"A sentença absolutória proferida em favor de Lula nesta data evidencia ainda mais o caráter ilegítimo das decisões que o condenaram no caso do tríplex. Enquanto o juiz de Brasília, de forma imparcial, negou valor probatório à delação premiada de Delcídio do Amaral por ausência de elementos de corroboração, o juiz de Curitiba deu valor absoluto ao depoimento de um corréu e delator informal para condenar Lula", diz a nota, assinada pelo advogado Cristiano Zanin Martins. 

Caso triplex
A defesa ainda afirmou que espera que a Justiça também prevaleça no caso do tríplex, para restabelecer a liberdade plena de Lula e também para reverter a decisão condenatória lá proferida com base unicamente em depoimento de corréu interessado em fechar acordo com o Ministério Público Federal em busca de benefícios.

Quebra do silêncio
Em 2015, Bernardo Cerveró , filho de Cerveró, fez uma gravação em que o ex-senador Delcídio do Amaral prometia ajuda financeira de R$ 50 mil mensais para a família do ex-executivo da Petrobras Cerveró e honorários de R$ 4 milhões para o advogado Édson Ribeiro, que, até então, comandava a defesa.

Em contrapartida, apontavam as investigações, Cerveró silenciaria em sua delação premiada em relação a Delcídio, então líder do governo no Senado, a Lula, ao pecuarista José Carlos Bumlai, ao banqueiro André Esteves e aos demais acusados.

Clique aqui para ler a decisão. 

Revista Consultor Jurídico, 12 de julho de 2018, 14h48

Comentários de leitores

4 comentários

Não foi bem assim.

Geraldo Gomes (Administrador)

Juiz diz que não houve provas concretas; e a fita gravada?
Depois porque foi baseada em delação; mas o delator não delatou a ele próprio?
Velho filme "Todos os amigos do presidente".

Parabéns!

Matheus Brito (Outros)

Quando se parabeniza quem de fato cumpre a lei e faz justiça, é porquê a coisa não tá boa não.

''Ainda há juízes em Berlim!''

Então era "fake news"?

olhovivo (Outros)

Estamos na era do espetáculo, em que mera investigação com base em delação é tida como verdade pela galera ignara, informada por jornalistas investigativos da grande imprensa, que por sua vez são instigados pelos acusadores ávidos por virar celebridade. Mais um fake news engana trouxas para os anais do "belo" jornalismo.

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